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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Saulo, o futuro Apóstolo dos Gentios, nasceu na cidade de Tarso, na Cilícia, segundo a história oficial, por volta do ano 10 da nossa era.


O MUNDO EM QUE NASCEU SAULO
ANTECEDENTES HISTÓRICOS E AMBIENTE GEOGRÁFICO, ESTRUTURA POLÍTICA, CONFIGURAÇÃO RELIGIOSA.

Saulo, o futuro Apóstolo dos Gentios, nasceu na cidade de Tarso, na Cilícia, segundo a história oficial, por volta do ano 10 da nossa era. Emmanuel informa, em Paulo e Estêvão1, que, no ano 35, já em Jerusalém, Paulo beirava os 30 anos de idade. Nascera, portanto, no ano 5, e não em 10. De qualquer maneira, era mais jovem que Jesus, mas não consta que o tenha conhecido pessoalmente.
Provavelmente não, porque, ante a visão deslumbrante de Damasco, não reconhece a figura que se apresenta diante dos seus olhos atônitos, e pergunta-lhe quem é?

A Cilícia era um distrito da Ásia Menor, entre a Panfília e a Síria. O limite, ao norte, era o Monte Tauro. Estava dividida em duas províncias: a Cilícia Traquéa e Cilícia Pedias, a primeira muito montanhosa e agreste, e a segunda, embora também em parte coberta de rochedos, dispunha de algumas planícies férteis. Importante estrada cortava o país de este a oeste, passando pela cidade de Tarso. Na sua áspera descida do platô da Anatólia, rumo a Tarso, a estrada esgueirava-se pela estreita passagem ciliciana, aberta na rocha. Nos tempos romanos, a Cilícia exportava grande quantidade de lã caprina, chamada cilicium, da qual se faziam tendas. Esse foi, aliás, o ofício de Saulo, de vez que era praxe entre os de sua raça, inclusive os mais ricos e ilustrados, aprender sempre um ofício manual.
Sob o domínio dos persas, a Cilícia foi provavelmente governada por reis nativos que pagavam tributo aos conquistadores.

Em viagem por aquelas regiões, Xenofonte achou uma rainha no trono. Nem Ciro nem Alexandre, o Grande, encontraram resistência, quando por lá andaram ambos nas suas campanhas bélicas. Depois de Alexandre, o país caiu em poder dos selêucidas, que, na verdade, apenas controlavam metade da nação, dado que a Cilícia Traquéa ficou entregue à pirataria e à desordem política, até que Pompeu a conquistou para Roma. A Cilícia Pedias tornou-se território romano no ano 103 a. C. antes do Cristo, mas o país somente foi regularmente ordenado em 64, sob Pompeu, convertendo-se em província romana, da qual Cícero foi governador. Reorganizada por César no ano 47 a.C., tornou-se, em 27, parte integrante da província Síria-Cilícia-Fenícia, ainda sob domínio dos romanos, naturalmente. Quase dois séculos depois, com Diocleciano, a Cilícia juntou-se à Síria e ao Egito, formando uma nova província a que deram o nome de Diocesis Orientis.
Sua vida como nação não foi, assim, muito tranquila. No século VII d.C., foi invadida pelos árabes, que a dominaram até 965, quando foi reocupada por Nicéforo II. Várias vezes se repartiu entre diferentes donos e governantes, cristãos e muçulmanos. Para encurtar a história e saltando por cima dos séculos, vamos encontra-la, de 1833 a 1840, fazendo parte dos territórios administrados por Mohammed Ali, do Cairo. Pelo tratado Sèvres, parte da Cilícia foi entregue à França, mas, em outubro de 1921, depois de conflitos com os nacionalistas, os franceses se retiraram.

Tarso é cidade bem antiga. Segundo o Obelisco Negro, na mais recuada referência conhecida, Tarso foi tomada pelos assírios cerca de 850 anos antes do Cristo. Pertence, hoje, à Turquia, que se liga, pelo ocidente, à Europa, através do Bósforo, e, pelo oriente, com o Irã e a União Soviética, tendo ao sul o Iraque e a República Árabe Unida (Síria).
Assim, com a ponta do compasso em Tarso, um círculo não muito amplo abrangeria importantes regiões da Europa, da Ásia e da África.

A cidade é cortada pelo Rio Cidno, tendo ao fundo os contrafortes do Monte Tauro. Sua importância na história antiga foi considerável, não apenas pela excelente localização geográfica como pelas suas realizações. Possuía um bom porto e território fértil. Seus pontos de sustentação econômica foram as suas duas importantes obras de engenharia: o porto e a passagem para o Norte, aberta no Monte Tauro. Mesmo assim, no entanto, até hoje Tarso é mais acessível pelo mar ou pelo oriente do que por outra qualquer via.

Ernani Cabral, no livro Apreciando a Paulo, lembra que Tarso contava com uma das três universidades que então existiam no mundo; as outras eram a de Atenas e a de Alexandria.

A cidade natal do Apóstolo sofreu inevitavelmente das vicissitudes por que passou a própria Cilícia. A influência grega sobre Tarso foi considerável. Daniel-Rops2 informa que Tarso está, hoje, a cerca de 20 quilômetros da orla marítima, por causa das aluviões, mas, no tempo de Paulo, era porto de mar, aberto ao comércio de muitos, especialmente aos gregos. A população era, pois, heterogênea. Will Durant acrescenta que a Cilícia era altamente civilizada ao longo da costa, mas ainda bárbara nos altiplanos do Monte Tauro. Tarso, a capital, era famosa por seus filósofos e por suas escolas. Os judeus da diáspora estabeleceram ali importante colônia, como também em Antioquia, Mileto, Éfeso, Esmirna. Grupamentos menores, mas ainda numerosos, habitavam Delos, Corinto, Atenas, Filipos, Petra, Tessalônica. Muitas dessas comunidades entrariam mais tarde no roteiro luminoso de Paulo.
Supõe-se que Tarso tenha sido, inicialmente, em origens que se perderam nos séculos, colônia jônica, e é certo que se considerava cidade helênica, mas a influência fenícia foi bastante acentuada. Assírios e persas governaram-na. Reis selêucidas da Síria mantiveram-na sob servidão. Por lá passou Alexandre, o Grande, no século IV a.c. A História registra um episódio interessante. Achava-se Alexandre em Tarso, no ano 333 a.C., quando foi acometido de um mal-estar para o qual seu médico, Felipe, lhe receitou uma poção. Nesse momento, Alexandre recebeu carta de seu general Parmenion, que lhe dizia que Felipe havia sido subornado por Dario para envenená-lo. Sem dar importância à denúncia, e num dos seus gestos espetaculosos, Alexandre tomou o remédio, enquanto Felipe lia a carta. Na verdade, não morreu ali, mas o seu tempo não estava longe. Foi também em Tarso que Alexandre tomou um banho e quase foi carregado pela correnteza, famosa pela velocidade de suas águas frias
Em outro livro, cuidei da carreira do grande conquistador 4, (4 Mecanismos Secretos da História, primeira parte).  Convicto da presença de Deus na história, não posso deixar de propor a hipótese de que Alexandre estivesse programado — utilizando - me da linguagem moderna — para preparar o imenso teatro de operações do futuro Cristianismo. Nos registros da história conhecida, foi o primeiro homem que concebeu o mundo como um todo, e não como um solto conglomerado de ilhotas políticas.
A semeadura mundial que fez da cultura e da civilização gregas quase o redime das suas crueldades. O mundo que Paulo encontrou para divulgação das ideias cristãs era um mundo greco-romano, em que o grego popular, conhecido pelo nome de koiné, era linguagem universal, falado desde Roma até a mais longínqua província. Essa língua, na qual foram escritos os primeiros documentos cristãos, os Evangelhos, os Atos e as Epístolas, teve sua origem exatamente no tempo de Alexandre, segundo informação da Enciclopédia Britânica, artigo “Greek Litterature”. Foi o esperanto da época. Suetônio diz que Júlio César, na dolorosa hora do apunhalamento, encontrou na língua grega a expressão da sua surpresa: Kai su teknon — Até você, meu filho?
No ano 171, ainda antes da nossa era, Tarso foi declarada cidade livre por Antíoco IV, e começou a cunhar suas próprias moedas. Sob o domínio dos romanos, a partir do ano 104 a.C., tornou-se uma das mais ricas e maiores cidades do Oriente. Por isso, diria Paulo, mais tarde, com justificável senso: “Sou judeu de Tarso, cidadão de uma cidade nada obscura da Cilícia”. (Atos, 21:39.)
Seguindo de perto a sorte da própria Cilícia, Tarso também mudou de senhores muitas vezes, até que finalmente, no século XVI, passou às mãos dos otomanos, ou seja, dos turcos. Do tempo de Paulo restam hoje extensas ruínas, profundamente soterradas. A cidade é movimentada pelo comércio em inúmeros bazares, mas o clima é desagradável devido à proximidade de vastos pantanais, situados na área onde ficava o antigo porto e por onde corria originariamente o Rio Cidno, desviado por ordem de Justiniano no século VI. A intenção era apenas regular a vazão por meio de um canal que coletasse as águas, que, na época das chuvas, desciam torrencialmente das montanhas, e livrar a cidade de perigosas enchentes. Com a passagem do tempo, no entanto, o antigo leito ficou bloqueado pelas aluviões, passando as águas a correr pelo canal. Em 1950, segundo a Enciclopédia Britânica, Tarso tinha 33.704 habitantes. Paulo não poderia mais dizer que era filho de uma cidade importante, mas ainda poderia declarar que nascera numa cidade aureolada por uma longa história. Filho de Isaac, ali nasceu Saulo, o Apóstolo dos Gentios.
Livro: As Marcas do Cristo Vol.I

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Emmanuel e o Apóstolo Paulo


            O convertido de Damasco foi o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo. Muitas vezes foi áspero. A terra não estava amanhada e se em alguns pontos oferecia letras brandas e férteis, na maioria, era regiões em espinheiro e pedregulho. Paulo foi o lidador de sol a sol. Seu fervoroso amor foi a sua bússola divina. Sua paixão no mundo, iluminada pela sua dedicação ao Cristo, transformou-se na base onde deveria brilhar para sempre a claridade do Cristianismo.
            Conheci-o, em Roma, nos seus dias de trabalho mais rude e de  provações mais acerbas. Vi-o uma vez unicamente, quando um carro de Estado transportava o senador Públio Lentulus, ao longo da Porta Ápia, mas foi o bastante para nunca mais esquecê-lo. Um incidente fortuito levara os cavalos a uma disparada perigosa, mas um jovem cristão, atirando-se ao caminho largo, conseguiu conjurar todas as ameaças. Avistamos, então, um pequeno grupo, onde se encontrava a sua figura inesquecível. Trocamos algumas palavras que me deram a conhecer a sua inteireza de caráter e a grandeza da sua fé.
            O fato ocorria pouco depois da trágica desencarnação de Lívia e eu trazia o espírito atormentado. As palavras de Paulo eram firmes e consoladoras. O grande convertido não conhecia a úlcera que me sangrava no coração, todavia, as suas expressões indiretas foram, imediatamente, ao fundo de minh’alma, provocando um dilúvio de emoções e de esclarecimentos.
            Luzeiro da fé viva, Paulo  não pode ser olvidado em tempo algum. Seu vulto humano é o de todo homem sincero que se toque do amor divino pelo Cordeiro de Deus.
            Lede-o sempre e não vos arrependereis.
Emmanuel

Psicografia de Chico Xavier em Pedro Leopoldo  13/03/1940. Livro Amor e Sabedoria de Emmanuel. Clovis Tavares

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Primeiras páginas do livro As Marcas Do Cristo – Hermínio C. Miranda



Este livro é um pequeno ensaio de interpretação das personalidades Paulo de tarso e Lutero, em termos de doutrina espírita. [...] embora, pessoalmente, esteja convencido de que  Paulo e Lutero são um só espírito, em etapas reencarnatórias distintas, e conquanto gire o livro em torno dessa premissa, há nele diversas plataformas de entendimento, estruturadas de modo tal que a aludida identidade de personagens não é propriamente vital para a boa assimilação da obra.

UNIVERSALIZAÇÃO DO CRISTIANISMO E RENASCENÇA DA RELIGIÃO.

Quando um mal existe, não se cura sem crise (...).
— Allan Kardec (Revue Spirite, junho de 1862)

”Paulo, o Apóstolo dos Gentios”

Em A Caminho da Luz (cap. XIV), Emmanuel escreveu:
[...] a comunidade cristã, de modo geral, começou a sofrer a influência do Judaísmo, e quase todos os núcleos organizados, da doutrina, pretenderam guardar feição aristocrática, em face das novas igrejas e associações que se fundavam nos mais diversos pontos do mundo.
A influência judaizante era um mal que precisava ser conjurado no nascedouro, pois “o portentoso alicerce do Cristianismo”, que era, no dizer de Emmanuel, o “trabalho de redação dos Evangelhos”, podia ser atingido se lhe faltasse “o precioso caráter universalista”.
Sem perda de tempo, Jesus convoca “ao seu sublime ministério” o luminoso e enérgico Espírito que fora assinalado para a realização superlativa de levar o Evangelho a todos os povos da terra, mas que, então, se desviara da verdadeira senda: Paulo (Saulo) de tarso!
Insondável desígnio que nem mesmo os mais atilados apóstolos do senhor foram capazes de ajuizar de imediato. as ações e as epístolas de Paulo tornam-se poderoso elemento de universalização da nova doutrina. E prossegue Emmanuel: a princípio, estabelece-se entre ele e os demais apóstolos uma penosa situação de incompreensibilidade, mas a sua influência providencial teve por fim evitar uma aristocracia injustificável dentro da comunidade cristã, nos seus tempos inesquecíveis de simplicidade e pureza.
No livro Caminho, Verdade e Vida, o mesmo Emmanuel esclarece: “[...] a consciência do apóstolo dos gentios era apaixonada pela lei, mas não pelos vícios”. Quando, pois, compreendeu a extensão do próprio erro, não vacilou um só instante e assumiu, por inteiro, a responsabilidade que lhe cabia na difusão do Cristianismo, cheia de exemplos dignificantes, testemunhos contínuos e renúncias santificantes.

”Lutero, o reformador”

Os Atos dos Apóstolos (19:15) registraram uma cena dolorosa de frustração dos filhos de Ceva, exorcistas ambulantes, que tentaram invocar, como o fazia Paulo, o nome do Senhor Jesus sobre possessos de Espíritos obsessores:
Mas o espírito maligno lhes respondeu: Conheço a Jesus e sei bem quem é Paulo; mas vós, quem sois?
A mesma pergunta podia ser feita ao sacerdócio católico da época de Lutero, com consequências semelhantes.
Tanto podia que o foi, mas por alguém com bastante autoridade moral para formulá-la; e com resultados de avultada significação e repercussão, que não cessaram até hoje.
Emmanuel, no mesmo livro inicialmente citado (cap. XX), ao tratar da Renascença Religiosa, pontifica: o plano invisível determina (....) a vinda ao mundo de numerosos missionários com o objetivo de levar a efeito a renascença da religião, de maneira a regenerar seus relaxados centros de força. Assim, no século XVI, aparecem as figuras veneráveis de Lutero, Calvino, Erasmo, Melanchthon e outros vultos notáveis da reforma, na Europa central e nos países baixos.
Hermínio C. Miranda procedeu a uma rigorosa análise crítica de tudo o que ficou dito sobre Paulo e Lutero. Quanto ao último, ele explica o que muitos ignoram e até mesmo o que entre espíritas geralmente se desconhece, no entendimento justo da obra da reforma e da corajosa posição assumida pelo filho de Eisleben [Lutero] durante toda a sua vida de reformador.
As palavras que prometêramos, no início, portanto, não são nossas, mas de Emmanuel, de cujo livro, O Consolador, daremos, também, uns flashes pertinentes à matéria analisada em As Marcas do Cristo: O Cristianismo é a síntese [...] de todos os sistemas religiosos mais antigos, expressões fragmentárias das verdades sublimes trazidas ao mundo na palavra imorredoura de Jesus. (Questão 293.)
Todas as expressões religiosas nascidas do Cristianismo se identificam pela seiva de amor do tronco que as congrega, apesar dos erros humanos de seus expositores. (Questão 294.)
A Reforma e os movimentos que se lhes seguiram vieram ao mundo com a missão especial de exumar a “letra” dos Evangelhos, enterrada até então nos arquivos da intolerância clerical, nos seminários e nos conventos, a fim de que, depois da sua tarefa, pudesse o Consolador prometido, pela voz do espiritismo cristão, ensinar aos homens o “espírito divino” de todas as lições de Jesus. (Questão 295.)
Esclarecendo o erro religioso, onde quer que se encontre, e revelando a verdadeira luz, pelos atos e pelos ensinamentos, o espiritista sincero, enriquecendo os valores da fé, representa o operário da regeneração do Templo do Senhor, onde os homens se agrupam em vários departamentos, ante altares diversos, mas onde existe um só Mestre, que é Jesus Cristo. (Questão 353.)
Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer:
“eu creio”, mas afirmar: “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento. (Questão 354.)
Admitir as afirmativas mais estranhas, sem um exame minucioso, é caminhar para e pelo desfiladeiro do absurdo, onde os fantasmas dogmáticos conduzem as criaturas a todos os despautérios. Mas também interferir nos problemas essenciais da vida, sem que a razão esteja iluminada pelo sentimento, é buscar o mesmo declive onde os fantasmas impiedosos da negação conduzem as almas a muitos crimes. (Questão 355.)
Os novos discípulos do Evangelho devem compreender que os dogmas passaram. (...) dentro das novas expressões evolutivas, porém, os espiritistas devem evitar as expressões dogmáticas, compreendendo que a Doutrina é progressiva, esquivando-se a qualquer pretensão de infalibilidade, em face da grandeza inultrapassável do Evangelho. (Questão 360.)
Ao tempo de Paulo de tarso havia problemas com a redação dos Evangelhos, ante o mal farisaico que poderia levar à judaização do Cristianismo, desfigurando lhe o sentido e a finalidade universalizantes; à época de Lutero, de Trevas plenas, urgia exumar a “letra” dos mesmos Evangelhos, para que se não perdessem. E o ano que viu Kardec nascer registrou o surgimento da primeira Sociedade Bíblica para a divulgação dos textos das Escrituras, que passou em certo tempo a ser feita em todas as línguas, idiomas, dialetos: em número superior a mil e duzentos, em todo o orbe, doutro modo, não poderia o espiritismo ensinar aos homens o “espírito divino” de todas as lições de Jesus!... Por isso dissemos da bela contribuição do autor às letras espíritas e da publicação de As marcas do Cristo pela Casa - Mater do espiritismo no brasil.
Francisco Thiesen
presidente da federação espírita brasileira
Rio de Janeiro (RJ), 24 de julho de 1979

terça-feira, 15 de janeiro de 2013


5 – VAMPIRISMO
Teorias Proteladoras
Todo o campo da Psicoterapêutica atual está inçado de obstáculos que impedem o avanço dos pesquisadores nas tentativas necessárias de esclarecimento positivo de seus problemas. Jovens que entraram esperançosos em cursos universitários, em busca de conhecimentos positivos com que pudessem enfrentar e solucionar os problemas psíquicos angustiantes da atualidade acabam na frustração e no desespero. Muitos deles acabam aderindo às correntes de aventureiros e exploradores do campo minado. Fracassam em seus próprios casos e aumentam as legiões dos desesperados, recorrendo a expedientes escusos para se manterem num equilíbrio aparente. Descobrem apavorados a inscrição dantesca nos portais do Inferno: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”. Os veteranos do profissionalismo frustrado acomodam-se em algumas escolas teóricas e tentam subverter a escala de valores da Civilização da Angústia, normalizando tragicamente a anormalidade. Capitulam estrategicamente na batalha inglória à espera de futuras descobertas salvadoras. Entregam o pescoço à Esfinge de Édipo.
Essa situação dolorosa das ciências do psiquismo, em meios ao esplendor do avanço geral das Ciências em outros campos, reafirma a falsa ideia gerada no criticismo kantiano, de uma dualidade trágica e irremediável do homem condenado: a da existência de um mundo inacessível às Ciências. As teorias proteladoras seguem o caminho inevitável dos processos naturais a que tudo e todos nós estamos sujeitos: crescem, desenvolvem-se, envelhecem e morrem. Mas deixam, na vida dos organismos conceptuais, as gerações espúrias das descendências de uma espantosa filogênese do sistemático. Dessa maneira, a roda das frustrações continua a girar, como os moinhos de vento de Dom Quixote nas desoladas planícies da Mancha. Os moinhos fantasmais, que nada moem, continuam pelo menos desafiando a teimosia delirante dos quixotes. Enquanto isso, as teorias que atravancam o caminho das Ciências, como observou Richet, continuam a torturar as legiões de infelizes, submetidos a choques elétricos e químicos nos hospitais e nas clínicas do sem fim.
Nem mesmo as descobertas atuais de uma ciência universitária, a Parapsicologia, em acentuado desenvolvimento nos maiores centros universitários do mundo, conseguiram abalar o comodismo dos que se apoiam nas teorias proteladoras. Protela-se a angústia, o desespero, a tortura de milhões de criaturas, em defesa de métodos, princípios e esquemas já rompidos no próprio campo da Física, por medo de palavras e preconceitos do mundo científico, gerados em fase de transição já há muito superadas.
A era dos vampiros fantasiosos já passou há muito, mas a do Vampirismo, nascida nos fins do século passado, com as descobertas científicas de Crookes, Richet, Schrenk-Notzing, Kardec, Zöllner e tantos outros – todos homens de Ciência, professores – catedráticos de grandes Universidades, apenas se esboça em nossos dias. Mas a leviandade humana, mesmo a dos homens mais sérios e dedicados ao labor científico, sustenta ainda as prevenções do passado, sem coragem de avançar no campo minado das superstições, como se a função primária das Ciências não fosse precisamente a de romper com elas.

O Vampirismo atual não se nutre de lendas assustadoras, mas de realidades positivas do campo do Psiquismo, que exigem esclarecimentos. As Ciências do Paranormal nasceram da pesquisa científica dos fenômenos psicofísicos. Onde há fenômenos tangíveis, susceptíveis de repetições e, portanto de pesquisas sob controle estatístico, a Ciência tem obrigação de penetrar com os seus instrumentos de comprovação. Os homens de formação científica, mormente os que se dedicam às profissões terapêuticas, não podem furtar-se a esse dever sem cair na violação da ética profissional e da traição aos princípios humanistas. Essa dupla prevaricação põe hoje o sinal de Caim na fronte de todos os que vivem nas teorias atravancadoras. As multidões de suas vítimas, que se contam por gerações inteiras, clamam contra essa perfídia no presente e fazem ecoar o seu clamor desesperado nas distâncias do Futuro. Os psicoterapeutas atuais, na sua quase unanimidade, passarão à História como torturadores e exploradores das gerações sacrificadas.

Não fazemos uma acusação, registramos um fato. A prova científica da existência da telepatia, da clarividência, da precognição, da sobrevivência da mente após a morte corporal (Rhine, Carington, Soal, Price, nas Universidades de Duke, Cambridge, Oxford, Londres, Berlim, Kirov e outras) não deixa dúvidas quanto à realidade da ação de entidades psicofísicas sobre as criaturas humanas. Rhine provou que a mente não é física, mas de constituição extrafísica. Carington reforçou essa prova e formulou a teoria das entidades psicônicas, formadas de psícons (átomos mentais). Soal designou com a sigla SHI à personalidade humana sobrevivente. Vasiliev, na URSS1 entregou-se a experiências para demonstrar que o pensamento e a mente são materiais, mas acabou confessando a sua derrota. Louise Rhine aplicou-se a pesquisas de campo (fora dos métodos de laboratório) e comprovou o que o marido provara em laboratório. John Herenwald pesquisou e publicou seus trabalhos sobre as influências telepáticas nas relações interpessoais. O caminho foi desbastado por esses e outros cientistas atuais, que derrubaram as estacas atravancadoras, mas os negadores continuaram a negar, à margem das exigências científicas. Remy Chauvin, do Instituto de Altos Estudos, de Paris, chamou os renitentes de “alérgicos ao futuro”, mas os psicoterapeutas não se arredaram de suas teorias e seus métodos de tortura.

No entanto, o psychicboom, a explosão psíquica no mundo prosseguiu no seu desenvolvimento. E graças ao alheamento dos psicoterapeutas de formação universitária, que se alimentaram em seus cursos com o leite das Ciências, surgiram por toda parte os charlatões exploradores da credulidade pública e do desespero do século, com suas clínicas pseudoparapsicológicas, devastando a economia dos ingênuos.

Esse panorama desolador exige de todos nós, que não participamos desse comércio escuso e aviltante, o esclarecimento do problema, com base nos estudos e nas pesquisas desinteressadas de anos a fio, na comprovação diuturna da verdade através dos fatos.

Os fenômenos paranormais revelam a natureza extrafísica do homem, o que vale dizer a sua essência espiritual. Os pesquisadores da Universidade de Kirov deslumbraram-se com a visão do que chamaram de corpo-bioplásmico do homem, luminoso e cintilante. Constituído por um plasma físico, sua matéria é rutilante. Verificaram, na observação pelas câmaras kirlian de fotografias paranormais, que o corpo do moribundo só se cadaverizava quando todos os elementos do corpo-bioplásmico se retiravam. Nas pessoas vivas constataram que esse corpo de plasma dirige todas as funções do corpo carnal e age nas manifestações paranormais através de projeções de pseudópodes que podem movimentar objetos à distância. Verificaram ainda a possibilidade de prevenção de doenças no corpo carnal. Tudo isso demonstra que o chamado corpo-bioplásmico do homem não é mais do que o corpo espiritual da tradição cristã, que o Apóstolo Paulo chamou, na I Epístola aos Coríntios, de corpo da ressurreição. Essas descrições coincidem com o que Kardec chamou de perispírito, envoltório do espírito que liga o corpo carnal ao espírito ou alma.
1. URSS: Antiga União das Repúblicas Socialistas Soviética.
A teoria kardeciana do homem tríplice: Espírito, Perispírito e Corpo Carnal, foi confirmada pelos cientistas materialistas de Kirov, que não a conheciam e não tinham nenhum interesse por uma conclusão favorável à sobrevivência do homem, que, segundo o Marxismo, deve desaparecer no túmulo para sempre.
Percebendo o risco a que se expunham os cientistas apegam-se ao que de matéria lhes restava: o plasma físico. Mas no próprio plasma, considerado o quarto estado da matéria, e formado de partículas atômicas, encontraram partículas de natureza indefinida. Com a teoria espírita, que considera o perispírito como um organismo semimaterial, constituído de energias físicas e extrafísicas, Kardec antecipara de mais de um século a sensacional descoberta dos cientistas de Kirov. Ressalta de tudo isso a concepção necessária do homem como espírito. A descoberta da antimatéria e da interpenetração dos mundos físicos e não-físicos explicou também necessariamente, a convivência de Espíritos e homens corpóreos num mesmo espaço, mas em diferentes dimensões da realidade.
As pesquisas sobre a reencarnação, implantadas na Universidade de Moscou pelo Prof. Wladimir Raikov propagaram-se nas demais universidades soviéticas. Sendo os Espíritos nada mais que os homens desencarnados, é fácil compreender-se que as relações possíveis entre homens e Espíritos, no campo afetivo e mental, permitem as ligações de Espíritos viciados com homens de tendências viciosas. Esse o novo tipo de vampirismo que surgiu das pesquisas espíritas em meados do século XIX.
Os problemas da perversão sexual, do alcoolismo, dos tóxicos e das tendências criminosas entram assim numa nova perspectiva, escapando ao círculo fechado da hereditariedade biológica, dos processos endógenos para a abertura dos processos exógenos. As pesquisas de Kardec nesse sentido foram decisivas. O tratamento desses casos tornou-se mais seguro, confirmando-se a teoria pelos fatos de cura, particularmente dos casos considerados incuráveis. Posteriormente, os resultados obtidos nos Centros Espíritas, e em muitos hospitais espíritas, deram de sobejo a plena confirmação dessa descoberta ao mesmo tempo assustadora e consoladora.
Vencidas as barreiras das superstições populares e da dogmática igrejeira, das imposições clericais da fé cega, da suposta infalibilidade das Escrituras Sagradas, a verdade surgia nua e pura do fundo sombrio do poço para a claridade meridiana da certeza científica. Não há mais dúvidas possíveis no tocante à existência de relações constantes e naturais, de ordem telepática, entre os dois planos interpenetrados da vida humana: o dos homens e o dos Espíritos. As teorias proteladoras – carregadas de preconceitos e precipitações, as duras barreiras do conhecimento indicadas por Descartes ao mundo científico – só conseguem hoje agrupar em seu favor os cientistas hipnotizados pela obsessão materialista ou pelo fanatismo religioso. O racionalismo frio das Ciências Materiais fundiu-se ao calor humano das Ciências do Espírito. A metodologia mecanicista cedeu lugar a novas formas metodológicas de pesquisa, baseadas na adequação do método ao objeto, ante a evidência do rompimento dos conceitos tridimensionais da realidade objetiva. Novas dimensões do real surgiram do reconhecimento da multidimensionalidade das constituições atômicas e subatômicas da realidade intangível dos elementos e da natureza humana em sua essência invisível. Remontando do efeito à causa, as Ciências fragmentárias se unificaram nos fundamentos conjugados da causa única de todos os efeitos.

domingo, 13 de janeiro de 2013


Visionários Do Caminho

O VAMPIRISMO- Parte 2/4
TRATAMENTO:
As medicações estimulantes e os tratamentos psicológicos raramente produzem os efeitos desejados. Mas a conjugação desses recursos habituais com o tratamento espiritual para a expulsão do parasita, que representa no organismo da vítima uma forma de subvida consumidora, geralmente produz efeitos surpreendentes.
O espírito parasitário é uma criatura humana com os direitos comuns da espécie humana e deve ser sempre encarado como parceiro dos sofrimentos do parasitado. Nesses tratamentos não se deve desprezar o concurso médico, pois os efeitos negativos do parasitismo espiritual, depauperando o organismo da vítima, propiciam também a infiltração dos parasitas do meio físico, que devem ser combatidos com os medicamentos específicos.
Embora a ação espiritual das entidades protetoras possa também ajudar o reequilíbrio orgânico, a presença de um médico, se possível espírita, se faz necessária. Enganam-se os que se voltam contra a Medicina nessas ocasiões, pois as leis e os recursos do meio físico são mais apropriados nesses casos.
Os recursos espirituais são os passes espíritas, a frequência regular a reuniões mediúnicas, o estudo e a leitura dos livros espíritas básicos, a prática da prece individual diária pelo parasitado em  favor do parasita ou parasitas.
Todas essas providências devem ser orientadas por pessoas conhecedoras do Espiritismo, despretensiosas e dotadas de bom-senso, o que permitirá o controle do processo de cura. Todas as práticas exorcistas, queima de ingredientes, queima de defumadores, aplicação ginástica de passes formalizados, uso de plantas supostamente milagrosas ou objetos de magia só poderá agravar a situação.
No vampirismo, graças à exageração das tendências negativas da vítima, podemos ver com mais clareza, como um microscópio de alta potência, o outro lado da personalidade humana, com suas nuvens negras ocultando deformidades e desequilíbrios.
Conhecendo o problema das relações telepáticas e o das captações paranormais em geral, dominamos facilmente o panorama das perturbações. Temos assim os dados necessários para conseguir o restabelecimento do equilíbrio do vampirizado, submetendo-o à técnica espírita da doutrinação, que poderá estimular as suas reações, praticamente bloqueadas pela vampirização.
No caso do parasitismo e do vampirismo todo rigor é pouco, pois os erros e os enganos de interpretação podem levar os trabalhos de cura a descaminhos perigosos.
Se não encararmos o parasitismo e o vampirismo em termos rigorosamente doutrinários, no devido respeito ao método kardeciano, estaremos sujeitos a ser enganados por espíritos mistificadores que passarão a nos vampirizar.
Por tudo isso, a cura do vampirismo não é mais do que um processo de separação dos implicados, de afastamento do vampiro da órbita de sua vítima. Mas não basta esse primeiro passo. É necessária a persuasão dos implicados pela doutrinação espírita. A doutrinação é a transmissão do conhecimento doutrinário às duas partes. Sem essa transmissão o processo não se completa e a cura será apenas uma suspensão do vampirismo por algum tempo.
Como ensinou Jesus (e vemos nos Evangelhos) podemos afastar os valentões que se apossaram da casa, limpá-la e arrumá-la. Mas se ela ficar vazia os valentões convidarão outros parceiros e a retomarão. Nesse caso, o estado da habitação será pior do que antes. Conforme o grau de compromissos e responsabilidades mútuas entre os vampiros e suas vítimas, o tratamento será mais ou menos prolongado.
Os vampiros são teimosos, insistentes, pois o vampirismo é para eles o meio de se manterem na rotina de seus vícios. A vítima, por sua vez, está sovada no vampirismo e acostumada na entrega de si mesma sem relutância. A frequência regular da vítima aos passes e às sessões mediúnicas é o único meio possível de fortalecê-la para resistência necessária. Não nos iludamos com as melhoras instantâneas. Os vampiros não largam facilmente as suas vítimas. Afastam-se estrategicamente e voltam com mais fúria na primeira oportunidade favorável.
Quando os obsessores começam a ceder, temos de tomar cuidado com as ciladas da astúcia, aumentando a nossa confiança nos espíritos protetores e na essência espiritual do homem.
É necessário que as vítimas curadas estejam convencidas disso e preparadas para repeli-los em suas investidas manhosas. Apesar dessas dificuldades, em trabalhos bem dirigidos conseguem-se não raro resultados relativamente rápidos, que permitem maiores possibilidades na consolidação da cura.
 Do livro “Vampirismo”, de José Herculano Pires.
 espiritananet.blogspot

domingo, 6 de janeiro de 2013

Luzeiro da fé viva, Paulo não pode ser olvidado em tempo algum. Seu vulto humano é o de todo homem sincero que se toque do amor divino pelo Cordeiro de Deus.


Emmanuel  e o Apóstolo Paulo

          O convertido de Damasco foi o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo. Muitas vezes foi áspero. A terra não estava amanhada e se em alguns pontos oferecia letras brandas e férteis, na maioria, era regiões em espinheiro e pedregulho. Paulo foi o lidador de sol a sol. Seu fervoroso amor foi a sua bússola divina. Sua paixão no mundo, iluminada pela sua dedicação ao Cristo, transformou-se na base onde deveria brilhar para sempre a claridade do Cristianismo.
 
           Conheci-o, em Roma, nos seus dias de trabalho mais rude e de  provações mais acerbas. Vi-o uma vez unicamente, quando um carro de Estado transportava o senador Públio Lentulus, ao longo da Porta Ápia, mas foi o bastante para nunca mais esquecê-lo. Um incidente fortuito levara os cavalos a uma disparada perigosa, mas um jovem cristão, atirando-se ao caminho largo, conseguiu conjurar todas as ameaças. Avistamos, então, um pequeno grupo, onde se encontrava a sua figura inesquecível. Trocamos algumas palavras que me deram a conhecer a sua inteireza de caráter e a grandeza da sua fé.
 
            O fato ocorria pouco depois da trágica desencarnação de Lívia e eu trazia o espírito atormentado. As palavras de Paulo eram firmes e consoladoras. O grande convertido não conhecia a úlcera que me sangrava no coração, todavia, as suas expressões indiretas foram, imediatamente, ao fundo de minh’alma, provocando um dilúvio de emoções e de esclarecimentos.
 
            Luzeiro da fé viva, Paulo  não pode ser olvidado em tempo algum. Seu vulto humano é o de todo homem sincero que se toque do amor divino pelo Cordeiro de Deus.

            Lede-o sempre e não vos arrependereis.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier em Pedro Leopoldo  13/03/1940. Livro Amor e Sabedoria de Emmanuel. Clovis Tavares

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Só assim o mundo que sonhamos acontecerá....


ANO NOVO TODOS OS DIAS

 Que a compreensão e a sabedoria estejam presente em todos os seus momentos, lembrando que a nossa caminhada é feita com os nossos passos, mas o êxito desta depende de nós mesmos.

Que nesse ano estejamos todos muito felizes ou não, mas que possamos brindar o ano que se inicia.

Que nestas últimas horas de 2012 possamos deixar para trás todas as tristezas, todas as decepções.

Que quando começar os primeiros minutos do Ano Novo comemoremos a chegada de um novo tempo, de um novo fim.

Que no raiar do primeiro dia do Ano Novo possamos viver a renovação em nossas vidas.

Se não podemos fazer um novo começo que possamos fazer um novo fim.

Que estejamos nós carregados de coragem e dedicação.

Coragem para mudar tudo que sabemos que precisa ser mudado e, dedicação para deixar para trás hábitos e vícios ruins. A preguiça, o medo de transformarmo-nos e de darmos o primeiro passo.

Que saibamos acreditar e confiar no amor e nas pessoas, que sejamos portadores só de coisas e ações boas, que sejamos os primeiros a desejar essas mudanças começando por nós mesmos.

E quando isso acontecer, tenhamos a mais absoluta certeza de que o ano novo já está em nós, e esse, será o melhor ano de nossas vidas.

Comecemos agora, nesse momento, por que sabemos que o melhor está em sermos melhores cada vez mais naquilo que já é bom em nós.

Porque as mudanças começam exatamente em nós mesmos, para depois estender-se ao nosso redor.

Iluminemo-nos com as luzes do amor, da caridade, da compaixão, do perdão. Façamos nascer o melhor em nós, cultivemos o amor e transformemos o mundo.

Que as luzes do Ano Novo acenda em nós o desejo de sermos melhores a cada dia.

Só assim o mundo que sonhamos acontecerá....

Feliz Ano Novo Sempre.

IARA e FELIPE BOTON .
DEZEMBRO DE 2012

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Enviei meus discípulos como ovelhas ao meio de lobos e vos recomendo que lhes sigais os passos no escabroso caminho.

JESUS AOS QUINHENTOS DA GALILEIA

- "Amados - a cada um se afigurou escutar na câmara secreta do coração -, eis que retorno a vida em meu Pai para regressar à luz do meu Reino!... Enviei meus discípulos como ovelhas ao meio de lobos e vos recomendo que lhes sigais os passos no escabroso caminho. Depois deles, é a vós que confio a tarefa sublime da redenção pelas verdades do Evangelho. Eles serão os semeadores, vós sereis o fermento divino. Instituo-vos os primeiros trabalhadores, os herdeiros iniciais dos bens divinos. Para entrardes na posse do tesouro celestial, muita vez experimentareis o martírio da cruz e o fel da ingratidão... Em conflito permanente com o mundo, estareis na Terra, fora de suas leis implacáveis e egoístas, até que as bases do meu Reino de concórdia e justiça se estabeleçam no espírito das criaturas. Negai-vos a vós mesmos, como neguei a minha própria vontade na execução dos desígnios de Deus, e tomai a vossa cruz para seguir-me.
"Séculos de luta vos esperam na estrada universal. É preciso imunizar o coração contra todos os enganos da vida transitória, para a soberana grandeza da vida imortal. Vossas sendas estão repletas de fantasmas de aniquilamento e de visões de morte. O mundo inteiro se levantará contra vós, em obediência espontânea às forças tenebrosas do mal, que ainda lhe dominam as fronteiras. Sereis escarnecidos e aparentemente desamparados; a dor vos assolará as esperanças mais caras; andareis esquecidos na Terra, em supremo abandono do coração. Não participareis do venenoso banquete das posses materiais, sofrerei a perseguição e o terror tereis o coração coberto de cicatrizes e de ultraje. A chaga é o vosso sinal, a coroa de espinhos vosso simbolo, a cruz, vosso percurso ditoso da redenção. Vossa voz será a do deserto, provocando, muitas vezes, o escárnio e a negação da parte dos que dominam na carne perecível.
"Mas, no desenrolar das batalhas incruentas do coração, quando todos os horizontes estiverem abafados pelas sombras da crueldade, dar-vos-ei da minha paz, que representa a água viva. Na existência ou na morte do corpo, estareis unidos ao meu Reino. O mundo vos cobrirá de golpes terríveis e destruidores, mas, de cada uma das vossas feridas, retirarei o trigo luminoso para os celeiros infinitos da graça, destinados ao sustento das mais ínfimas criaturas!... Até que o Reino se estabeleça na Terra, não conhecereis o amor no mundo; eu, no entanto, encherei a vossa solidão com minha assistência incessante. Gozarei em vós, como gozareis em mim o júbilo celeste da execução fiel dos desígnios de Deus. Quando tombardes, sob as arremetidas dos homens ainda pobres e infelizes, eu vos levantarei no silêncio do caminho, com as minhas mãos dedicadas ao vosso bem. Sereis a união onde houver separatividade, sacrifício onde existir o falso gozo, claridade onde campearem as trevas, porto amigo, edificado na rocha da fé viva, onde pairarem as sombras da desorientação. Sereis meu refúgio nas igrejas mais estranhas da Terra, minha esperança entre as loucuras humanas, minha verdade onde se perturbar a ciência incompleta do mundo!...
"Amados, eis que também vos envio como ovelhas aos caminhos obscuros e ásperos. Entretanto, nada temais! Sede fiéis ao meu coração, como vos sou fiel, e o bom ânimo representará a vossa estrela! Ide ao mundo, onde teremos de vencer o mal! Aperfeiçoemos a nossa escola milenária, para que aí seja interpretada e posta em prática a Lei de Amor do Nosso Pai, em obediência feliz à sua vontade augusta!"
Naquela noite de imperecível recordação, foi confiado aos quinhentos da Galiléia o serviço glorioso da evangelização das coletividades terrestres, sob a inspiração de Jesus - Cristo. Mal sabiam eles, na sua mísera condição humana, que a palavra do Mestre alcançaria os séculos do porvir. E foi assim que, representando o fermento renovador do mundo, eles reencarnaram em todos os tempos, nos mais diversos climas religiosos e políticos do planeta, ensinando a verdade e abrindo novos caminhos de luz, através do bastidores eternos do Tempo.
Foram eles os primeiros a transmitir a sagrada vibração de coragem e confiança aos que tombaram nos campos do martírio, semeando a fé no coração pervertido das criaturas. Nos circos da vaidade humana, nas fogueiras e nos suplícios, ensinaram a lição de Jesus, com resignado heroísmo. Nas artes e nas ciências, plantaram concepções novas de desprendimento do mundo e de belezas do céu e, no seio das mais variadas religiões da Terra, continuam revelando o desejo do Cristo, que é de união e de amor, de fraternidade e concórdia.
Na qualidade de discípulos sinceros e bem-amados, desceram aos abismos mais tenebrosos, redimindo o mal com os seus sacrifícios purificadores, convertendo, com as luzes do Evangelho, à corrente da redenção, os espíritos mais empedernidos. Abandonados e desprotegidos na Terra, eles passam, edificando no silêncio as magnificências Reino de Deus, nos países dos corações e, multiplicando as notas de seu cântico de glória por entre os que se constituem instrumentos sinceros do bem com Jesus Cristo, formam a caravana sublime que nunca se dissolverá.

Livro Boa Nova - Chico Xavier
 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Não foi, portanto, um sacrifício, no sentido de um esforço de imolação entre desespero e luta renhida.


SACRIFÍCIO E AMOR



Invariavelmente, quando se fala da sublime doação do Mestre ao seu rebanho, entregando-lhe a própria vida, assevera-se que este foi-LHE um grande sacrifício, como se Ele não tivesse conhecimento, desde antes, a respeito da necessidade de demonstrar a inefável grandeza do Seu amor.
O conceito de sacrifício, em tão elevada demonstração de afeto, não se ajusta à realidade, porquanto Ele marchou para o matadouro  absolutamente seguro, consciente e confiante da necessidade de fazê-lo, a fim de que, dessa maneira, pudesse despertar Seus afeiçoados para o significado da Sua entrega total.
Estivera com todos em momentos felizes, oferecendo-lhes bênçãos de saúde e de conhecimento, de esperança e de paz, informando, entretanto, que a existência física não é definitiva e que todos deveriam preparar-se para o enfrentamento com suas vicissitudes e os naturais sofrimentos.
Restituía-lhes a saúde, mas não impedia que viessem a morrer. Proporcionava-lhes júbilos, porém não evitava que fossem visitados pela tristeza que decorre do processo de evolução ante os dissabores e as lições morais de crescimento íntimo.
Concedia-lhes paz, entretanto, não se permitia impossibilitar a luta que cada qual deve travar,  a fim de autoconhecer-se e de encontrar o rumo da iluminação.
Mimetizava-os com Sua ternura, todavia, era necessário que se esforçassem para preservá-la.
Jamais de os deixou de amparar e de os auxiliar no crescimento íntimo para Deus.
Abriu-lhes os olhos da alma para o discernimento e para a razão, concitou-os ao trabalho e à solidariedade vivendo a serviço do Pai, sem jamais queixar-se ou exigir-lhes o que quer que fosse.
Tornara-se, portanto, indispensável demonstrar-lhes a grandeza desse amor, oferecendo a existência em holocausto no rumo da Vida Eterna , última e vigorosa maneira de fazê-los crer.
Não foi, portanto, um sacrifício, no sentido de um esforço de imolação entre desespero e luta renhida.
Sacrifício, ser-Lhe-ia deixar ao próprio destino aqueles que o Pai Lhe confiara para pastorear, conduzindo-os pelo rumo certo do dever e da conquista de si mesmos.
Seria também sacrifício se, por acaso, se houvesse eximido da oferenda máxima que se tem notícia, para que cada qual pudesse aprender através do sofrimento, que somente no dever se encontra a razão essencial da existência humana.
A cruz, que sempre foi um símbolo de humilhação e de desgraça, de punição e de corrigenda severa, com Jesus tornou-se asas de libertação, facultando o vôo no rumo do infinito.
Em razão disso, Ele doou a Sua vida para que todos a tivéssemos em abundância, lutando pessoalmente, cada qual, por adquirí-la.
Quando se ama, nada constitui esforço, sofrimento, sacrifício.
O amor é tão rico de carinho e de bênçãos, que se multiplica, à medida que se oferece,  jamais diminuindo de intensidade quanto mais se distribui.
Invariavelmente, as criaturas consideram-no uma operação de reciprocidade, mediante a qual a permuta dos sentimentos faz-se estímulo para o seu prosseguimento.
De alguma forma, porém, essa expressão de amor não deixa de ser o processo que o levará à sublimação do querer e do doar,
Saindo do instinto, que é todo posse, matriz do egoísmo perturbador, aformoseia-se com a experiência afetiva, agigantando-se e tornando-se maior na proporção da abnegação e do  devotamento de que se faz portador.
O amor nunca se exalta, nem reclama, porque é fonte de compreensão, nada obstante, também de educação das emoções, do comportamento da vida.
O Mestre sempre ensinava, e o clímax dessas lições foi Sua crucificação, mediante a qual, em forma de tragédia, atrairia todos a Ele.
O ser humano, infelizmente, ainda necessita do espetáculo ou da terapia do choque, de modo a despertar do letargo a que se entrega.
Isso ocorre em todos os campos do relacionamento social.
Quando os fatos transcorrem naturais e sem comoção, não se tornam de aceitação imediata, pacifica e penetrante. No entanto, quando produzem impacto, sensação peculiar, despertam interesse, discussão e aceitação na maioria das vezes.
Eis porque, embora seja o amor a fonte inexaurível de enriquecimento, o progresso do ser como indivíduo e da sociedade como organismo coletivo, tem sido mediante a dor, especialmente estabelecida pelos testemunhos que são considerados sacrifícios do prazer e do gozo imediato.
Dessa forma, a deia vigente é de que a suprema doação do Mestre seria também um sacrifício em favor dos Seus afeiçoados, quando, diferindo do convencional, o Seu exemplo de enriquecimento é um convite à reflexão. Se Ele, que não tinha culpa, foi conduzido ao máximo de entrega, é natural que as criaturas, caracterizadas pelas cargas emocionais de desequilíbrio e dívidas morais, não se possam considerar exceção, eximindo-se ao padecimento purificador,
NEle temos a oferenda de ternura e de alegria, embora as excruciantes que padeceu, confirmando Sua procedência de enviado de Deus, o Messias que as tormentosas condições israelitas negavam-se a aceitar.
Na sua desenfreada alucinação pelo poder e dominação pelo orgulho, mediante o qual, a raça eleita governaria o mundo dos gentios, era muito difícil aceitar aquele Rei especial, sem trono nem exército homocida, sem áulicos com trombetas nem embaixadores soberbos precedendo-o.
Como o Seu reino não era desse mundo, os ministros servidores não se apresentavam visíveis senão, à semelhança de João Batista, o Precursor, ou dos profetas que vieram bem antes dEle e foram, uns ridicularizados, outros perseguidos, outros mortos...
Esforça-te, por tua vez, para entender a doação da vida como a entrega amorosa Àquele que a gerou.
Aprende a renunciar aos pequenos apegos, crescendo na direção da superação dos tormentosos desejos, aqueles de grande porte, em homenagem à tua auto-iluminação, à tua ascensão.
É sempre necessário morrer, a fim de viver em plenitude.
Tem como exemplo Jesus em todas as situações, e se amas, tudo quanto ofereças, não constitua sacrifício nem sofrimento, antes mensagem de alegria e paz.

Joanna de Angelis
Libertação pelo Amor

 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Amas profundamente alguém que o vicio ainda ensombra, entretanto, não temes avalizar-lhe os compromissos de reajuste.


Mediunidade e imperfeição



Repara quantas vezes necessitas de perdão e de auxílio.
Erraste na oficina em que dignificas o próprio nome, mas não vacilas em pedir novas oportunidades de serviço e de confiança.
Deves quantia importante e não podes pagar no momento certo, contudo, não hesitas rogar o beneficio da moratória.
Sofres com as faltas do filho que a vida te confiou, no entanto, esperas regenerá-lo em novas experiências.
Amas profundamente alguém que o vicio ainda ensombra, entretanto, não temes avalizar-lhe os compromissos de reajuste.
Encontrarás, porém, aqueles que não sofreram bastante para escusar as deficiências alheias, habitualmente empoleirados nas altas janelas das torres de marfim a que se acolhem para contar as feridas dos que passam na rua da provação.
Exigem que os outros sejam modelos completos de heroísmo e grandeza moral, mas não se dispõem a minorar-lhes o fardo de aflições que transportam.
Acusam a Terra como sendo um presídio de chagas, mas comem-lhe o pão, inicialmente elaborado no trato de lama que a enxada disciplinou.
Julgam encontrar em cada Irmão do caminho um criminoso potencial; contudo, não examinam a si mesmos a fim de ver até que ponto hão sido resistentes às tentações.
Se tens a consciência desperta, perante as necessidades da própria alma, entenderás facilmente que a mediunidade é recurso de trabalho como qualquer outro que se destine à edificação.
Por enquanto, no mundo, não há médiuns perfeitos como não existem criaturas humanas perfeitas.
Cada instrumento medianímico, tanto quanto cada pessoa terrestre, carrega consigo determinadas provas e problemas determinados.
A mediunidade é ensejo de serviço e aprimoramento, resgate e solução.

Livro Seara dos Médiuns
Reunião pública de 10/6/1960
Questão nº 220 – Parágrafos 12º, 13º e 14º