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domingo, 31 de julho de 2011

Foi nessa época que surgiu na Índia um homem chamado Sidhartha Gautama, cuja bondade e sabedoria lhe valeram o nome de Buda, em hindu, que dizer “o iluminado”.

Buda (563 aC - 483 aC)

Não era fácil viver na Índia do século V a.C. Os habitantes eram numerosos, o alimento escasso e a divisão de bens desigual – de modo que a fome e a miséria se integravam no dia a dia da maior parte dos hindus. Tão árdua era sua vida, que não tinham motivo algum para dela gostar: suportavam-na apenas, à espera de uma existência melhor, que viria – acreditavam – depois da morte.
E, para que essa vida futura fosse realmente rica e feliz, havia muita gente que se empenhava em tornar a presente ainda mais pobre e desolada, praticando toda sorte de mortificações.
Foi nessa época que surgiu na Índia um homem chamado Sidhartha Gautama, cuja bondade e sabedoria lhe valeram o nome de Buda, em hindu, que dizer “o iluminado”. O pai de Siddhartha era um aristocrata de fortuna e deu-lhe uma educação requintada e, como a inteligência do rapaz ajudasse, ele adquiriu, ainda jovem, tal cultura que ficou conhecido como Sáquia Múni, ou seja, o sábio de Sáquia.
Jovem, rico, bem casado e despreocupado, Gautama tinha tudo para sentir-se satisfeito.
De fato, era feliz. Pelo menos até que, num dos passeios, pela primeira vez tomou contato com a realidade do seu país: ficou conhecendo de perto um mendigo e um velho. Logo depois, teve oportunidade de observar um asceta que se mortificava, em jejum buda rigoroso. E por fim, com grande pasmo, viu também um homem que morrera de fome.
Velhice, doença, miséria e morte eram problemas nos quais Siddhartha jamais pensara em seus 29 anos de idade; descobri-los para ele foi um choque, principalmente em contraste com a beleza de sua esposa, com a alegria de seu filho, com o luxo que os cercava e a despreocupação em que viviam. Essa realidade passou a parecer-lhe descabida.
A perplexidade de Gautama diante dos males do mundo foi-se avolumando pouco a pouco. Certa noite chegou a uma conclusão definitiva: depois de raspar a cabeça em sinal de humildade, trocou as suas suntuosas roupas pelo despretensioso traje amarelo dos monges e afastou-se do palácio, abandonando família, bens e passado.
Naquele momento deixava de existir como aristocrata e, em seu lugar, surgia um mendigo itinerante, que se lançava ao mundo em busca de explicações para o enigma da vida. Novato em questões espirituais, o andarilho juntou-se a cinco ascetas conhecidos pelo buda iluminado caminho: queria aprender com eles qual o melhor meio de chegar às verdades superiores.
E, como os ascetas jejuassem, passou a jejuar também, curtindo fome obstinadamente, quase até a inanição. Mas, como o estômago vazio não lhe ensinasse nada de novo, perdeu a fé no sistema e voltou a comer outra vez. Esse espírito prático revoltou os cinco místicos: decepcionados, abandonaram Gautama, que durante os 6 anos seguintes passou o tempo meditando em total solidão. Para meditar, conta a lenda que Gautama escolheu a sombra de uma grande figueira, que os hindus chamam “bodhi” e veneram como árvore sagrada.
Sentado sob a árvore, o mendigo Siddhartha estabeleceu um sacrificado programa: enquanto não esclarecesse todas as dúvidas, dali não arredaria pé.
Seu plano foi cumprido à risca, apesar das visões que teve de Mara – o demônio da paixão -, que ora o atacava com chuva, raios e toda a sorte de armas, ora lhe oferecia vantagens extraordinárias no sentido de demovê-lo de seu valente propósito. Nos momentos que sentia fraquejar, Gautama estendia a mão para a terra e dela obtinha forças para repelir os poderes maléficos, demonstrando uma resistência tão inabalável que após 49 dias Mara teve de se conformar com a derrota, deixando Gautama em paz. Ocorreu então o despertar espiritual que tanto procurava. Sua confusão se desfez e tudo se tornou perfeitamente claro. Iluminado por um novo entendimento de todas as coisas da vida, Gautama rumou para a cidade a fim de transmitir também aos outros o que lhe acontecera.
A princípio, encontrou descrença e desconfiança. Mas, aos poucos, os que ouviam perceberam que ele descobrira verdades desconhecidas e muito profundas. E reverenciaram sua iluminação, passando a tratá-lo por Buda.
Os ensinamentos de Buda criticavam diversos aspectos do hinduismo tradicional, mas nem por isso deixavam de endossar muitos de seus seculares conceitos. Por exemplo, a idéia de que todos os seres vivos cumprem um ciclo infinito – nascimento, morte e reencarnação – era um dos elementos básicos da religião hindu e foi aceita e confirmada pelos seus seguidores.
O budismo encampou também a teoria do karma, uma espécie de lei cósmica, segundo a qual o comportamento virtuoso durante uma encarnação traria recompensa em encarnações futuras, enquanto uma conduta perversa implicaria em castigo.
Outro ponto em que a doutrina budista permaneceu fiel às instituições religiosas hindus foi a renúncia às coisas terrenas e às paixões materiais, como meio para atingir a sabedoria e a perfeição. Ainda hoje os monges que se consagram ao cumprimento integral das normas budistas pautam sua vida por um desprendimento total: possuem apenas roupa que vestem e um rosário para suas orações. Dependem de caridade alheia até para comer. Embora concordando com o hinduismo no tocante aos objetivos espirituais, o budismo discordava dele em relação aos métodos para atingir tais objetivos.
As experiências de mortificação levaram Gautama à descrença no valor do ascetismo rigoroso que os religiosos praticavam e que lhe parecia exagerado e inútil. Dessa forma, suas pregações recomendavam a adoção do meio-termo: nem muito ascetismo, nem auto-indulgência. Comedimento, em sua opinião, era o melhor caminho para quem quisesse levar uma vida realmente sábia e virtuosa. Vendo em todos os homens a mesma potencialidade espiritual, Buda divulgou ensinamentos que, levados à prática, criariam uma sociedade de homens iguais. No sermão que fez no parque da cidade de Benares – um discurso que para os budistas tem valor igual ao que os cristãos atribuem ao Sermão da Montanha – o “iluminado” definiu com minúcia os caminhos a seguir para chegar à sabedoria da moderação e da igualdade. estátua de buda
Antes de tudo, segundo ele, é necessário reconhecer que a dor é universal. E mais: que a causa reside no desejo de coisas que não podem satisfazer ao espírito. Mas a dor tem remédio – é outra verdade. E o sofrimento extingue-se quando o homem renuncia a esses desejos; já que as raízes destes se originam da ignorância, a sabedoria é o melhor caminho para dominar a dor. Admitidas essas Quatro Verdades Nobres, o homem dispõe dos elementos básicos para enveredar pela Senda das Oito Trilhas, que dele exigirão pureza de fé, de vontade, de linguagem, de ação, de vida, de aplicação, de memória e de meditação.
Da terceira e quarta trilhas os seguidores de Buda mais tarde extraíram cinco preceitos muito parecidos com alguns mandamentos judaico-cristãos, pois também aconselham a não matar, não roubar, não cometer atos impuros e não mentir. E, além disso, não beber líquidos inebriantes. Nos 45 anos em que pregou sua doutrina, por todas as regiões da Índia, o Buda mencionou sempre as Quatro Verdades e as Oito Trilhas, acrescentando ainda uma sentença, resumo de todo o seu pensamento – a Regra de Ouro: “Tudo o que somos é resultado do que pensamos”.
Um detalhe que chama a atenção quando se analisa o comportamento dos seguidores de Buda é o fato de que, embora não vinculados às coisas deste mundo, eles observam um profundo respeito pelas criaturas que nele vivem. E consideram viver em paz com seus semelhantes uma obrigação fundamental de todos os indivíduos. Esse espírito pacifista, que leva os monges budistas ao extremo de poupar até aos insetos, tem origem num ensinamento do próprio Gautama, que dizia: “O ódio não termina com ódio, mas com amor”.
Ao contrário do que acontece com outras religiões, o budismo nada exige de seus seguidores. Não há cerimônias de conversão, nem rituais de submissão; basta reconhecer as Verdades e seguir as Trilhas. Efetivamente, mais que um culto religioso, o budismo é uma atitude perante o mundo, uma técnica de comportamento, pela qual o indivíduo aprende a desapegar-se de tudo que é transitório, o que resulta em uma espécie de auto-suficiência espiritual.
É esse desapego às coisas passageiras que faz com que os budistas vejam no Buda tão somente uma imagem encarnada do princípio da “iluminação”. Para eles, antes de Gautama, houve muitos Budas.
E muitos outros surgirão até o fim dos tempos. Assim, explica-se aquele aspecto distante e impessoal das imagens de Buda que se encontram nos templos asiáticos; não são representações realísticas de uma figura humana em particular, mas símbolos idealizados de uma entidade espiritual.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Portal para um outro universo, santuário destinado a curas, computador pré-histórico para previsões astronômicas, monumento aos mortos e à vida eterna.


Portal para um outro universo, santuário destinado a curas, computador pré-histórico para previsões astronômicas, monumento aos mortos e à vida eterna. Após várias teorias, místicas ou científicas, Stonehenge continua um mistério. O gigantesco monumento circular formado por pedras moldadas pelo homem, em seis etapas na transição da Era da Pedra para a Era do Bronze (entre os anos 3.000 e 1.500 a.C), continua a intrigar arqueologistas e a instigar a imaginação de muita gente. Localizado no sul da Inglaterra, Stonehenge apresenta círculos concêntricos de pedras com até cinco metros de altura e pesando cerca de 50 toneladas.
  As pesquisas arqueológicas mais recentes indicam que provavelmente Stonehenge tenha sido um observatório astronômico construído por uma antiga civilização com a finalidade de observar os solstícios e equinócios com precisão. Somente muitos séculos depois ele acabou virando um santuário religioso ao ser encontrado pelos druidas. O advento do misticismo da Nova Era, no entanto, fez de Stonehenge o mais importante centro de peregrinação para os cultos neo-pagãos, apesar do engano histórico que é identificá-lo como uma criação dos druidas originais.
Na planície de Salisbury, sul da Inglaterra, é que se ergue esse estranho e indecifrável complexo monolítico chamado Stonehenge, um enigma tão grande quanto ao das pirâmides.
Stonehenge é o monumento pré-histórico mais importante da Inglaterra e não há nada semelhante à ele em todo o mundo. Este altar de pedras tem sido usado há 5000 anos e até hoje não se tem certeza absoluta qual era sua finalidade. Rituais Druidas, cerimônias em homenagem ao sol, ou portal para seres de outros planetas são algumas das possibilidades sempre lembradas.
Os saxões chamavam ao grupo de pedras erectas "Stonehenge" ou "Hanging Stones" ( pedras suspensas), enquanto os escritores medievais se lhes referem como "Dança de Gigantes".
As “pedras azuis” usadas para construir Stonehenge foram trazidas de até 400 km de distância, nas montanhas de Gales, com direito a travessia marítima, quando não faltavam pedreiras na vizinhança. Algumas pesam 50 toneladas e tem 5 metros de altura. Se alguém traçar uma linha no chão, passando no meio do círculo formado pelas pedras, vai ver que esta linha aponta para a posição do nascer do sol de verão.
A mais antiga referência ao monumento, supõe-se, é a que faz o grego Hecateu de Abdera na sua "História dos Hiperbóreos", datada de 350 a.C. : "ergue-se um templo notável, de forma circular, dedicado a Apolo, Deus do Sol..."
O monumento é um exemplo clássico das civilizações megalíticas. Cientistas afirmam que Stonehenge foi construído entre os anos 2800 e 1100 a . C., em três fases separadas: 1ª Fase : (Morro Circular), que conhecemos como o círculo externo de Stonehenge e dos três círculos de buracos, cinqüenta e seis ao todo, que cercam o monumento.
As quatro "pedras de estação" que se supõe terem sido utilizadas como um Observatório Astronômico, o objetivo aparente seria observar o nascer e o por do Sol e da Lua, visando elaborar um calendário de estações do ano. 2ª Fase : que iniciou em 2100 a . C., houve a construção do duplo círculo de pedras, em posição vertical no centro do monumento, bem como da larga avenida que leva a Stonehenge e da margem externa das planícies cobertas de grama que o rodeiam.
Na Terceira e última fase, o duplo círculo de pedras foi separado e reconstruído, sendo erguidos muitos dos trílitos.
Originalmente Stonehenge era um círculo externo media 86 m de diâmetro. O círculo interno,com as pedras maiores, media 30 m. Havia ainda uma avenida de acesso principal onde ficavam os portais de pedra, marcando o alinhamento do sol e os ciclos da lua. Analisando-se as pedras viu-se que elas foram cortadas para encaixar exatamente uma na outra, o que é incrível, já que na época não existiam ferramentas de construção com esta precisão. Ao meditar sobre os mistérios de Stonehenge, vale lembrar que, naquela época, diferentes tribos e autoridades contribuíram para a construção de Stonehenge. Cada um pode ter tido objetivos diferentes para construir o monumento. Alguns relatos históricos contam que os Druidas, uma tribo Celta que habitou a região da Inglaterra durante o império Romano fizeram cerimônias aqui, mas é certo que não foram eles que construíram Stonehenge, pois o monumento já existia quando os Druidas chegaram à Inglaterra, a datação pelo carbono-14 prova isto. Eles apenas herdaram a tradição, costumes e rituais dos primeiros moradores deste lugar.
Acredita-se que Stonehenge e outros sítios megalíticos hajam sido construídos pelos antepassados dos Druidas deste milênio, por acreditarem que fossem lugares de grande força para concretizarem seus rituais...em vez de templos fechados eles reuniam-se nos círculos de pedra, como se vêem nas ruínas de Stonehenge Avebury, Silbury Hill e outros.
Durante séculos, Stonehenge foi cenário de reuniões de camponeses e nos últimos 90 anos os "Druidas" modernos celebraram aqui o solstício de Verão. Durante aproximadamente 20 anos, milhares de pessoas se reuniam no local todos os meses de junho para assistirem ao festival que aí tem lugar. Mas em 1985 as autoridades proibiram tanto a vinda dos Druidas como o festival em si, receosas de que as pedras, assim como a paisagem circundante, possam ser danificadas
Diversas pedras de Stonehenge tem desenhos ou inscrições feitas pelas antigas civilizações, embora já estejam bastante apagadas pelo tempo. Como o local não fica longe de Londres, há diversas excursões de um dia que vão até lá. Se você está de carro, Stonehenge fica duas milhas à oeste de Amesbury, quase na junção das estradas A303 e A344.
O fim de Stonehenge aconteceu por volta do ano 1600 AC. Foi a partir daí que começou sua destruição. Apesar do tamanho enorme, muitas das pedras desapareceram. As menores,  foram carregadas por visitantes que queriam levar uma "lembrança". A partir de 1918 o local começou a ser recuperado, e muitas das grandes pedras que estavam inclinadas e ameaçando tombar foram reerguidas. Atualmente, o lugar é administrado pelo English Heritage, e como o número de visitantes é de cerca de 700.000 por ano, foram tomadas medidas mais rigorosas para garantir a preservação de Stonehenge.
Ao redor do monumento principal existem outras obras intrigantes. Afastado de Stonehenge, 800 m ao norte está o chamado Cursum. Semelhante à uma pista reta de corridas de cavalos, com 2,8 km de comprimento e 90 m de largura, imagina-se que ele também era usado em cerimoniais religiosos e procissões. Alguns adeptos do estudo dos OVNI afirmam, entretanto, que seu objetivo era servir como pista de pouso para naves interplanetárias.
Stonehenge deixa muitas dúvidas, algumas suposições, e poucas certezas. Porque trouxeram pedras tão imensas e pesadas de tão longe, exatamente para aquele lugar? Quem de fato construiu o monumento e porque? Sozinhos ou tiveram ajuda de alguma outra civilização? Que civilizações eram estas, que já na pré-história tinham conhecimentos tão profundos de astronomia, engenharia, e matemática? Stonehenge foi construído com ajuda de povos vindos de outros planetas, ou isto tudo é apenas hipótese?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Decisão Certa

Narra uma lenda que um príncipe poderoso caiu em mãos inimigas que decidiram tirar-lhe a vida condenando-o a forca.
Dada a sua linhagem nobre o rei dos inimigos lhe propôs um acordo. Se ele conseguisse decifrar um enigma, sua vida seria poupada. Para isso, concedeu-lhe a liberdade de procurar a resposta por três dias.
Com a pergunta lhe fervilhando na cabeça, o príncipe começou a buscar entre os habitantes do lugar quem pudesse o ajudar a encontrar a resposta.
A pergunta era: - o que mais deseja uma mulher?
Ao terceiro dia, já desanimado antevendo a sua morte na forca, o príncipe encontrou uma mulher muito feia. Na boca havia apenas dois dentes. Seus cabelos eram desgrenhados. As vestes sujas. Era chamada por todos, pelo seu aspecto horrível de bruxa.
Ela disse que tinha a resposta. Mas exigia que, sendo salva a sua vida, ele voltasse e c asasse com ela.
Não desejando morrer, ele aceitou e ela disse: - “O que mais deseja uma mulher é ter soberania  absoluta do seu destino.”
Com a resposta o príncipe teve a vida poupada e voltou para casar com a bruxa. Não queria, mas tinha prometido. Triste destino o meu, pensava. Casar com uma bruxa.
Entristecido, na noite de núpcias, sentou-se na cama, e aguardava a noiva de aspecto horrível que tinha ido ao banheiro. Qual não foi sua surpresa quando ela apresentou-se linda, estonteante, vestida em cetim branco, cabelos longos e bem escovados, olhos brilhante e sorriso perfeito. Parecia não tocar o chão, tamanha leveza da mulher estonteante.
Como pode isso? Ele perguntou perturbado.
Eu esqueci de falar que durante o dia eu sou bruxa e a noite me transformo em linda mulher. Você pode escolher se quer que eu seja bruxa de dia e linda mulher de noite, ou se prefere que eu seja linda mulher de dia e bruxa a noite.
O príncipe mergulhou seu pensamento em mulheres que são perfeitas durante o dia fora de casa e que são verdadeiras bruxas dentro do lar. E também em outras que são bruxas na aparência, mas, que no lar são verdadeiras princesas no lar. Que, preocupam-se com seus filhos e maridos e são verdadeiros anjos.
Ele olhou para aquela figura maravilhosa que agora estava na sua frente e disse: Deixo a você a escolha de ser bruxa durante o dia e princesa durante a noite ou o contrário.
E a noite foi maravilhosa. No outro dia, ao raiar do Sol, o príncipe abriu os olhos e surpreso  viu deitada ao seu lado, a mulher extraordinária da noite passada.
Como pode? Ele falou.
Você não disse que viraria bruxa durante o dia?
Meu amor, falou ela docemente. Como você deixou que eu decidisse o que quisesse ser e quando quisesse, eu decidi ser princesa dia e noite.Lembra que eu falei que o que mais deseja uma mulher é a soberania sobre sua vida, poder decidir sobre sua própria vida?


*Moral da história.
No mundo existem pessoas assim. No contato com pessoas fora do lar são excelentes. Gentis, ponderadas, atenciosas.
Basta adentrarem no lar se transformam em déspotas. Gritam, magoam, exigem...
Acreditam ser o lar o seu reino, podem fazer tudo sem limites.
Mas, existem também, aquelas que são o contrário. Fora do lar são ríspidas exigentes em demasia no trato social e profissional. E, entretanto, em casa são dóceis, compreensivos, prestativos e educados.
O que ser, quando ser e como ser é decisão individual de cada ser. Mas quando optamos por sermos bom o dia todo, em todos os lugares, com todas as pessoas estamos optando por uma vida melhor, um modo de mudar as relações no mundo tornando a vida melhor e mais feliz.


sábado, 16 de julho de 2011

A História de Sundar Singh

O Apóstolo dos pés sangrentos

Sundar Singh foi um hindu convertido ao cristianismo tendo exercido a sua atividade apostólica não somente entre as populações não cristãs da Índia, mas por toda a terra. Pareceu-me interessante resumir a vida e o ensino deste apóstolo cristão. Sundar Singh nasceu em 3 de Setembro de 1889, em Rampur, no Estado de Patiala, ao Norte da Índia. De origem Sikh, foi o último filho de Sirdar Sher Singh, homem rico e respeitado, que o criou no luxo e deu-lhe uma sólida instrução. A sua mãe, que morreu quando tinha catorze anos e para quem rendia um verdadeiro culto, indicou os livros sagrados hindus, nomeadamente o Bhagavad-Gita e o Adi-Adi-Granth.
Aos dezesseis anos, conhecia os Upanishads e o Corão. Entrou em contacto com o Evangelho através de missionários presbiterianos americanos na escola para onde foi enviado. O ensino que recebeu lá o perturbava e o deixava profundamente hostil; rasgou e queimou uma Bíblia que lhe tinha sido oferecida. Mas a angústia persistia. Uma noite de Dezembro de 1904 resolveu pôr um termo às suas lutas internas e encontrar a paz imediatamente ou a morte. Pôs-se a orar em seu quarto, decidido, se não encontrasse o descanso procurado, colocaria a sua cabeça sobre o carril do trem, onde o expresso de Ludhiana passava às cinco horas da manhã. Às quatro e meia vê uma grande luz e nesta luz a forma de Cristo e escutou uma voz que lhe dizia: “Até quando perseguir-me-á? morri para você, sou o Salvador do mundo”. Então compreendeu que Cristo é vivo, pensamento que lhe parecia até então inadmissível, e a paz entrou nele.
A sua família não aceitou que quisesse abandonar a religião dos antepassados para abraçar a de Jesus. Para o seu pai, representava a vergonha que recairia sobre todos se persistisse naquela idéia; um tio prometeu-lhe todas as riquezas – que eram de valor considerável – se residisse com eles. Nada conseguiu mudá-lo. Então seu pai o deserdou e o declarou “fora de casta”, o que, para um Hindu, era a degradação suprema. A escola cristã foi perseguida e teve que deixar o país, ficando apenas Sundar com um camarada Sikh, que também tinha abraçado a fé em Cristo.
Em sinal de ruptura definitiva com a sua raça, cortou sua cabeleira, prática que o Granth proíbe aos Sikhs. Sundar refugiou-se em Ropur com os cristãos que trataram dele. Seu pai fez uma suprema tentativa para retomá-lo; falou-lhe com ternura, evocou a lembrança da sua mãe; mas o jovem homem permaneceu inabalável na sua decisão de servir a Cristo enquanto vivesse. No dia do aniversário dos seus dezesseis anos, em 3 de Setembro de 1905, foi batizado em Simla, no Himalaia. Trinta e três dias após, resolveu viver como santo. Sâdhou leva pigmento cor açafrão, fato consagrado por séculos, e segue, sem lar e sem dinheiro, uma vida de austeridades e privações.
A sua experiência de vida, abre-lhe a porta de todas as castas e de todas as classes, onde pôde repetidamente falar de Cristo às grandes senhoras do país. Sobre a terra congelada do Tibete como também sobre o solo tórrido do Ceilão anda descalço e conserva o mesmo vestuário e os mesmos hábitos de pobreza; Leva com ele apenas o seu Novo Testamento em língua urdu. Começou a pregar o Evangelho na sua aldeia natal, seguidamente nas outras cidades da província do Penjab; foi para o Afeganistão, o Béloutchistan e a Caxemira. Mas não estava preparado para esta existência itinerante e sofreu muito com o frio e as privações, sem falar das dolorosas mortificações. Passou por terríveis lutas internas, principalmente a tentação de voltar à casa paterna e viver como um homem de seu nível; mas nunca se deixou desviar do seu apostolado. Em 1906 encontrou um Americano, o Sr. Stokes que, durante um ano, juntou-se a ele e indicou-lhe François de Base, por quem tinha grande veneração, cedo compartilhado pelo Sâdhou. Continuando a ser só, Sundar fez, em 1908, a primeira viagem ao Tibete. Para se aperfeiçoar, fez dois anos de estudos no colégio Saint-Jean em Lahore (1909-1910). Recusou sempre os títulos que lhe atribuíam; quis ser apenas uma testemunha de Cristo. Retornou ao bispo anglicano a licença de pregar que este o tinha concedido, explicando que queria anunciar o Evangelho onde Deus o enviasse. Em 1912 percorreu Bengala. Resolveu então jejuar durante quarenta dias e quarenta noites; retirou-se na selva e passou este tempo a conversar com Cristo. À medida que as suas forças físicas declinavam, o seu espírito encontrava-se vivificado e a sua dependência, no que diz respeito a Deus. Guardas florestais encontraram-no completamente esgotado e transportaram-no à Dehra Dun, seguidamente à Annfield onde foi cuidado. Em 1913 e 1914 percorreu o Sikkim, o Bhutan e o Nepal. Seguiu Sundar pregando no Sul da Índia, no Ceilão, na Birmânia, na China e no Japão. Em 1918 visitou a América e a Europa. Em Outubro de 1919 voltou a Rampur; havia catorze anos que não via seu pai; este se converte e Sundar o batizou. Em 1920, Sundar Singh foi à Inglaterra, onde o diretor do Colégio missionário de Selly Oak disse sobre ele: “Não é tão somente acima das nacionalidades, mas também acima das igrejas”. Em Março parou em Paris, seguidamente visitou a Irlanda e a Escócia. Em Londres falou a cerca de 10.000 pessoas; seguiu para os Estados Unidos, Austrália, Palestina onde freqüentemente tivesse desejado retornar. Em 1922 percorreu a Suíça, a Alemanha, e a Suécia.
Um jovem hindu deserdado e sem casta, maldito  no  lar  de  seus  pais  e  na  aldeia  em  que nascera, caminhava pela estrada que de Simla se dirige a Sabatu,  com  a  alma inundada de alegria. Paradoxal alegria, a qual já se mesclava preocupação gravíssima: o  batismo,  se lhe resolvera os problemas espirituais, selando sua consagração a Cristo, não lhe dava,  contudo orientação sobre o rumo a imprimir a vida. Não lhe seria possível continuar vivendo  da boa vontade dos missionários. Que faria?
Todas as suas forças e tendências se dirigiam para um rumo: a pregação do Evangelho. Precisava remir o tempo perdido, desfazer os males que causara aos pregadores de Rampur. Mas pregar como? Passar encerrado no Seminário, receber lições de Teologia, de Grego, de Latim, assimilar por processo exaustivo e mecânico a piedade de outros homens; pastorear depois uma igreja, viver preso a paróquia e a  seus  pequeninos   problemas  gerados  pela eterna mesquinharia do homem; esgotar-se  nas  intermináveis  e  nem  sempre edificantes discussções e atitudes de Conccílios, para depois, e uma vez mais, afundar no lago parado
da rotina paroquial? Fazer cuidadosas distinções dogmáticas,  demonstrar  onde  estava o erro dos presbiterianos, onde o dos metodistas e afirmar vitoriosa e invariavelmente que o Caminho, a Verdade e a Vida residiam no seio da Igreja de Inglaterra, que o batizara? E a qual dentre as correntes que nela se digladiavam haveria ele de se filiar?
Engolfado em tais pensamentos, a sombra fresca de pinheirais de Sabatu, seus olhos caçam muitas vezes nas neves que faziam fundo a paisagem. Himalaia! As águas que ali nasciam, na neve permanente, rasgavam na pedra da montanha o leito por onde correriam. Dispensavam concurso humano. Conseguisse ele manter sempre a íntima união com Cristo que agora possuía e poderia dispensar a organização eclesiástica e os canais com que ela orientava o rumo da piedade dos fiéis. Mesmo porque a europeização da índia era ingrata tarefa que a igreja evangélica indiana parecia apostada em levar a cabo  e isto lhe repugnava.
Fortes laços emocionais o prendiam a terra onde repousava sua mãe, e aos costumes da infância. Não se convertera a civilização ocidental, mas ao Cristo Universal.
(...)
Dá-se o mesmo com a água Viva. Os hindus precisam dela, mas dispensam a xícara européia.
Mas como criar uma vasilha hindu para a nova bebida? Não! Era a bebida eterna! As formas de devoção da índia a buscavam, tacteantes e desesperadas. Bastava tomar a melhor dessas formas de devoção e enche-la do líquido cristalino e refrigerante.
Trinta e três dias após o batismo, vendeu como pode os escassos objetos que possuía, comprou na aldeia a roupa amarela de sadu, envergou-a e, descalço, levando em uma das mãos o Novo Testamento em urdu, tomou o rumo do sul.
Seria desse dia em diante, O Sadu.
Sadu, palavra sânscrita que significa reto, adotada para designar uma classe especial de religiosos veio a ter sentido de puro, santo. A  quem se consagra inteiramente a religião, abandonando para sempre qualquer veleidade mundana. (...)
Vestidos com a roupa cor de açafrão que tão facilmente se distingue, caminham geralmente descalços, sem pouso fixo. Nas aldeias e nas cidades todos têm prazer em dar-lhes uma escudela de comida, um leito de palhas, uma hora de palestra. Seus conselhos são respeitados, suas maldições temidas. O viajante que percorrer as margens dos rios sagrados, frequentemente encontrara esses santos imersos em meditação ou ocupados em flagelar-se pelos mais engenhosos processos, ou rezando com monotonia.
Tão intimamente relacionada com o paganismo hindu estava a vida do sadu, que era necessário mais que simples originalidade para adotá-la e pregar o cristianismo. A Igreja receberia tal idéia com escândalo e desagrado; e os mesmos hindus que o acolhessem, ao verificarem que o Santo-Homem era apenas um maldito cristão de casca amarela, possivelmente se vingariam ferozmente do logro.
Mas Sundar Singh não estava à procura de um artifício: queria ser sadu e não apenas vestir-se de sadu. Possuiria a mentalidade do sadu, com alma de cristão.


domingo, 10 de julho de 2011

A Crucificação

     Simão, o Cirineu
                                                                                   Nenhuma voz se ergue para defendê-lO.
      Pessoa alguma que resolvesse falar a Seu favor.
     Todos os verbos estavam calados, e o silêncio era aresposta da frágil gradidão humana  Àquele que não titubeava entregar-se em holocausto de amor.
     Tudo se realizava como se fosse uma patética entoando as tristes notas de uma mensagem fúnebre.
     O medo aparvalhava os amigos e a palidez da covardia moral cobria os rostos dos beneficiados a distância com a mortalha com a mortalha da injustificação.
     Não obstante as arbitrariedades da Lei, Israel mantinha no seu estatuto que qualquer pessoa poderia levantar a voz a favor de um condenado. Isto bastaria para revisar o processo, concedendo outra oportunidade ao réu, e mbora já estivesse julgado...
     Com Ele a concorrência se fazia diferente.
     Cinco dias apenas eram transcorridos ao sucesso que obtivera na cidade regorgitante que O exaltara, dizendo-O o Messias, o Esperado! Naquela ocasião todos comentavam publicamente os  Seus feitos, enquanto ofereciam tóxico para que os ódios fermentassem, culminando na tragédia que ora se consumava.
     Curtos são os sentimentos da gratidão humana e breve o caminho dos que dizem amar...
     Apesar disso, esparzia a ternura e a misericórdia como um Sol generoso aquecendo o pantanal e transformando-o em campo fértil.
     Agora se encontrava só... A sós, com Deus, como, aliás, sempre estivera...
     Tantos se haviam beneficiado, inobstante permaneciam silentes*, distantes.
     A estranha procisão percorreu a distância inferior a quinhentos metros, atravessou a porta judiciária, e a silueta do monte sombrio se desenhou entre o fulgor do dia em plenitude e o fundo azul abrasado da Natureza...
     Abril já é o período de seca, de calor, de sol intenso....
     A terra se torna de cor ocre, morrem as anemonas* e os tons de chumbo substituem o verdor que embeleza.
     Àquela hora, mais ou menos às onze, a atmosfera carregada alcaçava índices de cansaço que desagradavam, abafados...
     De semblantes sinistros, com varapaus, os membros da torturam o Justo, agridem-nO com acrimônia*, mordacidade e zombaria.
     Sempre se fará assim com aqueles que se elevam acima da craveira da banalidade, com os que se erguem nas grimpas* dos ideais de enobrecimento da humanidade.
     Ele viera para isto, para ensinar cada homem a carregar sua cruz conforme o fazia, sem queixas nem murmurações.
     Cineraica, o antigo reino, fora colonizado pelos gregos, que fundaram Cirene. Posteriormente, sob a dinastia que tivera origem em Bato, de Terá, progrediu, nascendo outras cidades. Depois da desencarnação de Alexandre, o Grande, caiu em mãos dos Ptolomeus que passaram a chamá-la Pentápolis, em razão das cinco cidades que a formavam: Arsinoe, Berenice, Ptolomaide, Apolônia e Cirene. No ano 67 a.c., passou à província romana. São de Cirene*: Arístipo, Calímaco, Erastóstenes...
     Cirene, sua capital, passaria à narração evangélica graças a Simão, ali nascido, judeu de família grega que se encontrava acompanhando a sinistra procissão pelas vias estreitas de Jerusalém, naquele dia.
     Aque homem de olhar triste facinou-o.
     A pesada cruz, com quase setenta quilos, a dilacerar os ombros e as mãos do condenado, que cambaleia, comove-o.
     A noite de vigília demorada, as viagens entre Anás e Caifás, o Pretório, exauriam o Filho de Deus.
     O centurião fustigava o preso, a fim de que não desfalecesse. A penalidade deveria ser cumprida.
     Enfurecido, experimenta o soldado um misto de piedade e dever, ferido pelo amor do prisioneiro pacífico e escravo, serviãl pera paixão a César. No tormento que o vence, deseja diminuir a carga que ameaça esmagá-lo. Perpassa o olhar injetado pelas filas de mudos espectadores e chama o homem de Cirene.
     O convocado não reage. Parece até que se rejubila interiormente.
     Submisso curva-se, oferece o ombro e auxilia o Estranho.
     A cruz se ergue mais leve. Jesus dirige-lhe um olhar de profundo amor.
     Lampeja um lucilar de ternura e de gratidão que penetra o benfeitor inesperado e fá-lo tremer de emoção desconhecida...
     Pai de dois jovens, Rufo e Alexandre, pensa nos filhos e apiada-se dos pais do condenado, umedecendo os olhos.
     Estranha voz balbucia no seu coração uma cantilena de esperança...
     Tem a impresão que o homem lhe devassa o pensamento e responde às inquietações que lhe brotam n'alma, espontâneas.
     As lágrimas se misturam ao suor que molha o rosto queimado, coberto de pó.
     Viera do campo, sendo surpreendido pela alucinação da intolerância e do ódio.
     Claro, que ouvira falar em Jesus. Cocnhecia-O, admirava-O a distância. Agora, porém, O amava.
     O amor é um sentimento veloz. Toma o coração e reina absoluto.
     Dar-lhe-ia a vida se fosse necessário - pensou.
     Nesse momento, a comitiva torva chegava ao topo do monte.
     O crime deveria ser consumado antes do cair do dia, quando se iniciava o sábado, reservado ao repouso, ao esconder-se o Sol...
    Viu-O ser preso ao madeiro.
    A patética do martelo nos pregos repercutiria nos seus ouvidos por muito tempo...
    O som metálico e as contrações musculares do Submisso dilaceraram-no também. Os semblantes suarentos dos crucificados e os olhares de lince, a agonia e o sangue a fluir abundante, eram a moldura que contrastava com a nobre serenidade dEle.
     Quando as cordas O arrastaram nas traves, Ele oscilou no ar. O corpo arriou rasgado. A linha vertical tombou no fundo da grota calçada por pedras que a impediam de cair. culminava a injustiça criminosa dos homens que se arrastariam por milênios futuros, tentando repará-la.
      Permitiu-se ficar a contemplá-lO...
     Percebeu as mulheres que choravam e participou, intimamente, daquela dor honesta e corajosa.
     Era, sim, o estoicismo* feminino que se Lhe fazia solidário, todos O abandonaram...
     Quedou-se ali, petrificado, a meditar até o Seu último hausto*.
     Jamais O esqueceria.
     Volveu ao lar e penetrou-se do Espírito de Jesus.
     Buscou mais tarde os Seus discípulos, ouviu-lhes as narrativas tardias e luminosas, passando a seguí-los e fazendo que seus filhos se convertessem àquele incomparável amor.
      Simão, o Cireneu, é testemunho da solidadriedade que o mundo nos solicita até hoje.
     Símbolo e ação de bondade, imortaliza-se e liberta-se da timidez, da escravidão a que se jugula, crescendo rumo ao infinito.
     Quinhentos metros era a distância a percorrer entre o local do julgamento arbitrário e o cume do monte da Caveira*.
     Em curta distância, a impiedade e a zombaria são grandes. Também o testemunho da solidariedade fraternal fez-se enorme.
     Todos encontraremos pelo caminho da aflição os cirineus em nome e honra de Jesus. A nosso turno, devemos tornar-nos novos homens de Cirene e ajudar os que passam sobrecarregados, aguardando, esperando socorro.

*silente: que se cala, silencioso.
*Anêmona: Designação comum para as ervas encontradas naquela região e utilizadas como ornamentoe, algumas, com fins medicinais.
* Acrimônia: Comportamento indelicado; aspereza.
* Grimpas: a ponta, o cume de qualquer coisa.
* Estoicismo: doutrina que caracteriza-se pela extirpação das paixões e aceitação resignada do destino.
* Cirene: correspoderia à hoje à Líbia.
* Hausto: ato.
* Caveira: Calvarium em latim e Gólgota em aramaico.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O Amor Como Solução - A criatura humana caminha a sós, deixando-se arrastar pela correnteza dos volumosos apelos da maioria, asfixiando-se nos alucinógenos de todo o tipo que encontra pela frente.


    Vive a sociedade contemporânea uma terrível crise de valores espirituais e morais que assinala o século, que se encontra fadado à grande transição de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração, dando lugar aos graves desequilíbrios que a quase todos atormentam.
     As especulações em torno da felicidade abandonam os aspectos da dignificação humana e se transferem para as propostas de triunfo a qualquer preço, mesmo que se caracterizem pela sordidez, pela desonestidade, pela traição...
     Atormentadas e desorientadas sob os camartelos das aflições, as multidões em desvario buscam o gozo irresponsável em conduta hedonista, entregando-se aos jogos enganosos dos desejos infrenes, logo despertando em letargo ou desencanto, em face da insaciabilidade interior que não conseguem se libertar.
      O campeonato da insensatez ergue altares aos ídolos da fantasia e do encantamento, conspirando contra as edificações gradiosas da felicidade real, ora relegada a plano secundário.
      O que interessa no momento é a fruição dos prazeres embriagadores anunciados pela mídia alucinada, que consome os seus próprios deuses na fogueira argentária dos interesses mesquinhos e extravagantes.
      O delírio toma conta das massas nas ruidosas festas da sensualidade inesgotável, como se o ser humano houvesse sido criado apenas para a conturbada conduta sexual, sem outro objetivo que não o excesso até a exaustão.
      A indiferença pelo próximo faculta a eclosão dos crimes de todo o porte, estimulados pela violência interior que explode em mil faces, atemorizando os cidadãos honrados e trabalhadores.
      Uma nuvem tóxica terrível condensa-se sobre a Terra e praticamente a envolve, diminuindo a claridade do sol da razão e da ética, embriagando os sentidos e as emoções dos indivíduos, que se deixam anestesiar em relação ao amor e xercitar quando se trata dos prazeres perturbadores.
      Certamente que, nesses difíceis dias de aquecimento do planeta, com ameaças trágicas para os seus habitantes, atingem o apogeu das suas gloriosas conquistas a ciência e a tecnologia de ponta, insuficientes, no entanto, para alcançar os arcanos íntimos dos seres humanos, que não têm sabido valorizá-las devidamente.
      Crê-se que as suas contribuições devem destinar-se exclusivamente ao conforto material, às comunicações rápidas, ao prolongamento da existência física, e porque impotentes pra a transformação dos homens e mulheres, são aplicadas no imediatismo das falsas necessidades, a que os mesmos se entregam inermes....
      Há, sem dúvida, uma grande sementeira da luz originada na inteligência de uma pobre colheita do sentimento sublime do amor.
      Multiplicam-se as glórias dos engenhos, assim como os elevados índices das misérias de todo o porte.
      A criatura humana caminha a sós, deixando-se arrastar pela correnteza dos volumosos apelos da maioria, asfixiando-se nos alucinógenos de todo o tipo que encontra pela frente.
      As convicções religiosas empalidecem ante a ardência dos interesses apaixonados, fomentando a indiferença pelo espírito e a predominância pela matéria.
       Negociam o Reino dos Céus pelas conquistas terrestres com cinismo e arrogância.
      Por outro lado, permanecem as intolerâncias e os respectivos crimes em nome de doutrinas fundamentalistas e cruéis, dizimando vidas que cultivam as mesmas crenças, porque oriundas das mesmas fontes de inspiração, interpretadas, porém, de maneira diversa.
      O ódio disfarça-se de direito de defesa, dando lugar à hediondêz de conduta sob o aplauso de leis injustas fabricadas para as nefastas ocasiões.
      Governos perversos fomentam a fragmentação de inúmeros países em nome de hegemonias raciais, de partidos políticos, de interesses econômicos.
      ...E as guerras, sem qualquer disfarce, multiplicam-se no Orbe.
      Filosofias estravagantes são divulgadas com cinismo , atraindo as mentes jovens e inexperientes, em ferrenho combate contra os valores da família, da monogamia, do respeito individual e social, da fraternidade, do bem e do equilíbrio.....
      Simultaneamente, porém, o sofrimento com a sua fauce hiante devora florações juvenis e adultas, como resultado da insânia que toma corpo na sociedade.
      Antes advertia-se que a única solução para tais problemas estaria no sofrimento, no qual a dor se transformaria no caminho libertador.
    As almas imaturas, porém, ante o sofrimento, estorcegam e rebelam-se, piorando os quadros da própria desdita, terminando por atirar-se nos sorvedouros das mais terríveis alucinações que culminam em expiações muito severas.
      A psicoterapia da atualidade, porém, é diversa. Embora não elimine do seu arsenal de socorro o sofrimento que decorre do desconcerto moral a que os pacientes se entregam, em face dos abusos cometidos, apresenta o amor como solução.
      Somente se pode ser livre e feliz quando se ama.
     O amor é diretriz para as metas sublimes da auto-realização, da autoconsciência.
     Sem ele a existência terrena perde o seu significado libertador e iluminativo, porquanto retira o sentido que a vida possui na sua legitimidade.
    O primitivismo que predomina em a natureza humana, ainda decorrente do seu processo de evolução ancestral, exige o imediato, enquanto o sentimento de amor, esta conquista paulatina que vem sendo alcançada, sabe aguardar o momento adequado, a ocasião em que se solucionam os problemas e surge a ventura.
     Somente o egoísmo sistemático e insensível objeta contra a solidadriedade e a compaixão, contra a caridade e o amor que são manifestações do psiquismo divino ínsito em todos os seres.
     Prevalecendo, por enquanto, nos agitados quadros sociais do planeta, devasta a política, a religião, as artes, os ideais de engrandecimento espiritual, a tecnologia - utiliza para o imediatismo -, a ciência - a soldo do poder mentiroso dos governantes embriagados de soberba -, os sentimentos amedrontados ...
     Nada obstante, a força do amor terminará por vencer as barreiras fortes da impiedade e do materialismo de que se reveste esse sentimento vil, e intalará, a pouco e pouco, os alicerces do respeito humano, que se expande em favor da Natureza do planeta, de toda expressão de vida que nele se manifesta...
      Por isso no bárbaro desespero que assola, surgem idealistas que trabalham infatigavelmente em favor de todo e qualquer tipo de minoria oprimida, de animais em extinção, da Terra em agonia, da justiça e do bem, que vigerão em dia não muito distante, transformando o mundo do agitado em paraíso de educação e de progresso moral.
      Isso porque o amor como solução é o único recurso de que o ser humano pode dispor.
     Certamente não se tratará de uma realização mágica, de fora para dentro, através de decretos governamentais ou de imposições sociais, mas se apresentará como resultado da transformação pessoal de cada um para melhor que, trabalhando as imperfeições e as más inclinações, se converterá em exemplo a ser seguido.
       Ante a impossibilidade de mudar o mundo, cada homem e mulher mudadrá a sua conduta interna e conquistará o seu lugar ao sol da harmonia, impondo a mudança geral.

Joanna de Ângelis.
O Amor Como Solução
Psicografia: Divaldo Pereira Franco
11 de Julho de 2006 na cidade de Paramirim
*Hedonista= filosofia grega a qual julga ser o prazer o bem supremo da vida
* Fauce = boca, garganta, goela
* Hiante = muito grande, enorme

sábado, 25 de junho de 2011

Bem Aventurados os Aflitos

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

BEM SOFRER E MAL SOFRER -

18. Quando o Cristo disse: "Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino dos Céus", não se referia aos sofredores em, geral, porque todos os que estão neste mundo sofrem, quer estejam num trono ou na miséria extrema, mas, ah! poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas poder conduzir ao Reino de Deus. O desânimo é uma falta. Deus nega consolações, se não tiverdes coragem.
A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só: é necessário que se apóie numa fé ardente na bondade de Deus. Tendes ouvido freqüentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem.
A recompensa será tanto mais esplendente quanto mais penosa tiver sido a aflição. Mas essa recompensa deve ser merecida, e é por isso que a vida está cheia tribulações.
O militar que não é enviado à frente de batalha não fica, satisfeito, porque o repouso no acampamento não lhe proporciona nenhuma promoção. Sede como o militar, e não aspireis a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma. Ficai satisfeitos, quando Deus vos envia à luta.
Essa luta não é o fogo das batalhas, mas as amarguras da vida, onde muitas vezes necessitamos de mais coragem que num combate sangrento, pois, aquele que enfrenta firmemente o inimigo poderá cair sob o impacto de um sofrimento moral. O homem não recebe nenhuma fé pensa por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os seus louros e um lugar glorioso.
Quando vos atingir um motivo de dor ou de contrariedade, tratai de elevar-vos acima das circunstâncias. E quando chegardes a dominar os impulsos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei, com justa satisfação: "Eu fui o mais forte!"
Bem-aventurados os aflitos, pode, portanto, ser assim traduzido: Bem aventurados os que tem a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua perseverança e a sua submissão à vontade de Deus, porque eles terão centuplicadas as alegrias que lhes faltam na Terra, e após o trabalho virá o repouso.

ESE, cap. V - LACORDAIRE Havre, 1863


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ivon Costa - 100 Anos

Ivon Costa – 100 anos de seu nascimento       

      Foi o primeiro grande tribuno espírita brasileiro que viajou à Europa para divulgar o Espiritismo. Dotado de invejável dom de oratória, belíssima voz, arrebatava os auditórios pelo seu conhecimento evangélico-doutrinário.
Ivon Costa nasceu no dia 15 de julho de 1898, na então cidade de São Manuel (hoje Eugenópolis), no Estado de Minas Gerais.
     De família católica, foi seminarista. Às vésperas de sua ordenação sacerdotal, faltando apenas dezenove dias, foi constatado que ele não possuía certidão de batismo e, como tal, não poderia ser ordenado. Estabeleceu-se tamanha confusão, que ele desistiu de ser padre.
    Transferiu-se para o Rio de Janeiro, ingressando na Faculdade de Medicina, onde se diplomou. Inteligente e culto, falava diversos idiomas como francês, inglês, alemão e espanhol, além do latim e do português.
Sua conversão ao Espiritismo se deu de uma forma muito simples. Atravessava uma rua, quando se viu em frente a um Centro Espírita.
    Diversas pessoas penetravam no auditório, pois em pouco tempo haveria uma reunião pública. Estava numa fase difícil de sua vida e, por simples curiosidade, acompanhou aquela multidão que ali comparecia para ouvir o orador falar sobre a Codificação Kardequiana. À medida que o orador falava, ele prestava a maior atenção, a ponto de sentir sensível transformação, pois aquela palestra respondia a todas as suas indagações.
    A partir desse dia, converteu-se ao Espiritismo e iniciou imediatamente sua tarefa de pregador. Leu bastante, especialmente os livros de Allan Kardec e os grandes clássicos do Espiritismo. Possuidor de sólida cultura e com o cabedal prático que trouxe do seminário, tudo foi muito fácil.
    Desabrochou sua mediunidade, que muito o ajudou intuitivamente. Procurava diálogo com os seus ouvintes, a fim de esclarecer melhor os argumentos abordados em suas conferências.
    Contraiu matrimônio, no ano de 1927, com a jovem Honorina Kauer Costa. Tiveram uma filha única, Ceo Kauer Costa, que nasceu quando o casal estava em Lisboa. Ela se formou em Direito e reside em S. Leopoldo, Rio Grande do Sul.
     Ivon Costa percorreu todo o Brasil, fazendo palestras doutrinárias. Tribuno extraordinário, sabia abordar os temas com eloqüência e raro brilhantismo. Polemista, manteve grandes discussões públicas, sendo sempre o grande vencedor, especialmente dos adversários do Espiritismo.
    Excursionou também por vários países da Europa, como Portugal, França, Espanha, Holanda, Bélgica, Luxemburgo e outros.
    Ivon Costa residiu na Alemanha, depois em Paris, exercendo a função de intérprete do cinema americano, trabalhando para a Paramount. Em todos os lugares por onde passou deixou a semente da Doutrinas Espírita. Chegou a participar do Congresso Internacional de Espiritismo, realizado em Haia, Holanda.
    Em 1932, Ivon retornou definitivamente ao Brasil, passando a residir em Porto Alegre, onde clinicava gratuitamente aos pobres. Ali desencarnou, no dia 9 de janeiro de 1934, aos 35 anos de idade. O Espiritismo muito deve a Ivon Costa, pois foi o tribuno espírita que mais excursionou, sendo sua tarefa semelhante à de Vianna de Carvalho e de Divaldo Pereira Franco.
 Fonte de consulta:
Livro Personagens do Espiritismo, de Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy - Edições FEESP






 
1 – Os Espíritos sempre disseram: “A forma não é nada, o pensamento é tudo. Faça cada qual a sua prece de acordo com as suas convicções, da maneira que mais lhe agrade, pois um bom pensamento vale mais do que numerosas palavras que não tocam o coração”.
Os Espíritos não prescrevem nenhuma fórmula absoluta de preces, e quando nos dão alguma, é para orientar a nossa idéia, e, sobretudo para chamar a nossa atenção sobre certos princípios da doutrina espírita. Ou ainda com o fim de ajudar as pessoas que sentem dificuldades em exprimir suas idéias, pois estas não consideram haver realmente orado, se não formularam, bem os seus pensamentos.
A coletânea de preces deste capítulo é uma seleção das que os Espíritos ditaram em várias ocasiões. Podem ter ditados outras, em termos diferentes, apropriadas a diversas idéias e ou a casos especiais. A finalidade da prece é levar nossa alma a Deus. A diversidade das fórmulas não deve estabelecer nenhuma diferença entre os que Nele crêem, e menos ainda entre os adeptos do Espiritismo, porque Deus aceita a todas, quando sinceras.
Não se deve considerar, portanto, esta coletânea, como um formulário absoluto, mas como uma variante das instruções dos Espíritos. É uma forma de aplicação dos princípios da moral evangélica desenvolvida neste livro, um complemento dos seus ditados sobre os nossos deveres para com Deus e o próximo, e no qual são relembrados todos os princípios da doutrina.
O Espiritismo reconhece como boas as preces de todos os cultos, desde que sejam ditas de coração, e não apenas com os lábios. Não impõe nem condena nenhuma. Deus é sumamente grande, segundo o Espiritismo, para repelir a voz que implora ou que canta louvores, somente por não o fazer desta ou daquela maneira. Quem quer que condene as preces que não constem do seu formulário, demonstra desconhecer a grandeza de Deus. Acreditar que Deus se apegue à determinada fórmula, é atribuir-lhe a pequenez e as paixões humanas.
Uma das condições essenciais da prece, segundo São Paulo (Cap. XXVII, nº 16) é a de ser inteligível, para que possa tocar o nosso espírito. Para isso, entretanto, não basta que ela seja proferida na língua habitual, pois há preces que, embora em termos populares, não dizem mais à nossa inteligência do que as de uma língua estranha, e por isso mesmo não nos tocam o coração. As poucas idéias que encerram são em geral sufocadas pela superabundância das palavras e o misticismo da linguagem.
A principal qualidade da prece é a clareza. Ela deve ser simples e concisa, sem fraseologia inútil ou excesso de adjetivação, que não passam de meros ouropéis. Cada palavra deve ter o seu valor, exprimir uma idéia, tocar uma fibra da alma. Enfim: deve levar à reflexão. E somente assim pode atingir o seu objetivo, pois, de outro modo não passa de palavrório. Veja-se, entretanto, com que distração e volubilidade elas são proferidas, na maioria das vezes. Percebemos que os lábios se agitam, mas, pela expressão fisionômica e pela própria voz, percebe-se que é um ato maquinal, puramente exterior, de que a alma não participa.
 ESE. Tradução de José Herculano Pires
Cap. XXVIII – coletânea de preces espíritas
 
*Ouropel = Falso ouro  

 “hoje crêem e sua fé é inabalável, porque está assentada na evidência e na demonstração, e porque satisfaz a razão. (...). Tal é a fé dos espíritas, e a prova de sua força é que se esforçam por se tornarem melhores, domarem suas más inclinações e porem em prática as máximas do Cristo, olhando todos os homens como irmãos, sem acepção de raças, de castas, nem de seitas, perdoando aos seus inimigos, retribuindo o mal com o bem, a exemplo do divino modelo.” ( KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1868. 1ª Ed. RJ: FEB, 2005 p.28, Janeiro de 1968).