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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Centros Energéticos. "Durante o sono esse fluxo de energia diminui, sendo reativado no momento do despertar."

Em cada ser humano existe uma rede de nervos e órgãos sensoriais que interpretam o mundo físico exterior. Ao mesmo tempo, em nós, reside um sistema sutil de canais (nadis) e centros de energia (chakras) que cuidam do nosso ser físico, intelectual, emocional e espiritual.

 Os clarividentes podem vê-los facilmente no nosso duplo etérico, em cuja superfície aparecem sob forma de depressões semelhantes a pratinhos ou vórtices. Desse modo cada chakra assemelha-se a uma flor cujas pétalas estão em movimento constante e harmônico. Quando já totalmente desenvolvidos, assemelham-se a círculos de uns cinco centímetros de diâmetro, que brilham mortiçamente no homem comum, mas que, ao se excitarem vividamente, aumentam de tamanho e são vistos como refulgentes e coruscantes torvelinhos à maneira de diminutos sóis. Todas essas rodas giram incessantemente e pela boca aberta de cada uma delas flui continuamente a energia do mundo superior. Sem esse influxo de energia, não existiria o corpo físico.

 São ao mesmo tempo transmissores e transformadores de energia de corpo para o corpo, uma vez que seu mecanismo sincroniza as energias emocionais, mentais e etéricas. Eles aumentam ou reduzem a energia, ou moderam ou aceleram sua atividade, de um corpo para outro, de modo que a energia mais rápida do corpo emocional possa afetar a energia mais lenta do etérico, e vice-versa.
As cores, que variam de chakra para chakra, também reluzem de um modo que contribui para sua aparência de flor. Numa pessoa saudável, as formas dos chakras se encontram num belo equilíbrio simétrico e orgânico, em que todas as partes fluem em uníssono, num padrão rítmico. Seu movimento tem na verdade um caráter harmônico e musical, com ritmos que variam de acordo com as diferenças individuais de constituição e temperamento.

Portanto, os chakras atuam em todos os seres humanos. Nas pessoas pouco evoluídas seu movimento é lento, o estritamente necessário para formar o vórtice adequado ao influxo de energia. No homem bastante evoluído, refulgem e palpitam com vívida luz, de maneira que por eles passa uma quantidade muitíssimo maior de energia, e o indivíduo obtém como resultado o acréscimo de suas potências e faculdades.

Os principais chakras do corpo etérico estão alinhados ao longo de um eixo vertical, com os cinco chakras inferiores paralelos à medula espinhal, estendendo-se da base da coluna vertebral ao crânio, e os outros dois, um situado entre as sobrancelhas e o outro no alto da cabeça. Este último, o Chakra Coronário, é em geral maior do que os outros, sendo a sede dominante da consciência.
Os chakras variam de tamanho e brilho, que indicam talentos e habilidades especiais. O centro laríngeo e frontal de um cantor talentoso, por exemplo, é bem maior do que o normal, além de mais brilhante e mais luminoso, girando ainda com maior rapidez. 
Cada um dos centros possui ligações especiais com determinados órgãos do corpo, bem como com certos estados de consciência.

As glândulas endócrinas – projeções físicas de cada um dos sete chakras – são sustentadas pelos padrões de energia oriundos de cada um deles a que estão relacionadas.

Os chakras também revelam a ênfase fundamental do indivíduo – o foco do "Eu". Se uma pessoa se identifica basicamente com os sentimentos, os centros do coração e o do plexo solar serão mais ativos e proeminentes do que os outros. Um frontal muito brilhante indica um grau de integração pessoal; um coronário luminoso indica o desenvolvimento da consciência espiritual.

O fio da consciência que desperta está ligado ao núcleo do Chakra Coronário. Durante o sono esse fluxo de energia diminui, sendo reativado no momento do despertar. O fio da vida (Cordão de Sutratma) contudo, liga o Chakra Cardíaco ao coração físico, e essa ligação não se rompe durante a vida. Na ocasião da morte, o fio da consciência se retira do Chakra Coronário e o fio da vida se desliga do coração, sinalizando a desintegração de todos os outros chakras.

FUNÇÕES DOS CENTROS DE FORÇA:


CORONÁRIO: Órgão de ligação com o mundo espiritual; serve ao Espírito para influir sobre os demais centros de força; influi sobre o desenvolvimento mediúnico por sua ligação com a epífise (glândula pineal). A reativação dá continuidade de consciência no sono e nos desdobramentos. Cores básicas: Branco e dourado.

FRONTAL: Regula as atividades inteligentes; influi no desenvolvimento da vidência; tem ligações com a hipófise (glândula pituitária). Cores básicas: roxo, amarelo e azul.

LARÍNGEO: Regula as atividades ligadas ao uso da palavra; influi sobre a audição mediúnica. Cores básicas: prata e azul.

CARDÍACO: Regula as emoções e os sentimentos. A reativação expande os sentimentos; influi sobre a circulação do sangue e sua manipulação é delicada. Cores básicas: rosa e dourado brilhante.

BÁSICO: Na contenção deliberada, as forças que transitam por esse órgão se transformam, no cérebro, em energia intelectual. Estimula desejos, age sobre o sexo. Capta e distribui a força primária e serve para reativação dos demais centros. Essa reativação, se for feita assiduamente sobre o mesmo centro, aumenta a animalidade. Cores básicas: roxo e laranja forte.

GENÉSICO: Regula as atividades ligadas ao sexo, recebendo influência direta do Básico. A reativação aumenta a libido em grau imprevisível, podendo levar ao esgotamento e ao desequilíbrio, provocando muitas vezes vampirismo, sendo, portanto, desaconselhável a sua reativação.

ESPLÊNICO: Regula a circulação dos elementos vitais cósmicos que, após circularem, se eliminam pela pele, refletindo-se na aura; quanto mais intensa absorção, mais poderoso o magnetismo individual aplicável às curas. A reativação aumenta a captação dessas energias, a vitalidade nervosa e a normalidade circulatória sanguínea. Cores básicas: amarelo, roxo e verde.

GÁSTRICO: Regula a manipulação e a assimilação dos alimentos orgânicos; influi sobre as emoções e a sensibilidade, e sua apatia produz disfunções vegetativas. Cores básicas: roxo e verde.


Três Atitudes
Entendendo-se que o egoísmo e o orgulho são qualidades negativas na personalidade mediúnica, obscurecendo a palavra da Esfera Superior, e compreendendo-se que o bem é a condição inalienável para que a mensagem edificante seja transmitida sem mescla, examinemos essas três atitudes, em alguns dos quadros e circunstâncias da vida.
Na sociedade:
O egoísmo faz o que quer.
O orgulho faz como quer.
O bem faz quanto pode, acima das próprias obrigações.
No trabalho:
O egoísmo explora o que acha.
O orgulho oprime o que vê.
O bem produz incessantemente.
Na equipe:
O egoísmo atrai para si.
O orgulho pensa em si.
O bem serve a todos.
Na amizade:
O egoísmo utiliza situações.
O orgulho clama por privilégios.
O bem renuncia ao bem próprio.
Na fé:
O egoísmo aparenta.
O orgulho reclama.
O bem ouve.
Na responsabilidade:
O egoísmo foge.
O orgulho tiraniza.
O bem colabora.
Na dor alheia:
O egoísmo esquece.
O orgulho condena.
O bem ampara.
No estudo:
O egoísmo finge que sabe.
O orgulhoso não busca saber.
O bem aprende sempre, para realizar o melhor.
Médiuns, a orientação da Doutrina Espírita é sempre clara.
O egoísmo e o orgulho são dois corredores sombrios, inclinando-nos, em toda parte, ao vício e à delinquência, em angustiantes processos obsessivos, e só o bem é capaz de filtrar com lealdade a Inspiração Divina, mas para isso, é indispensável não apenas admirá-lo e divulgá-lo; acima de tudo, é preciso querê-lo e praticá-lo com todas as forças do coração.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Seara dos Médiuns. Ditado pelo Espírito Emmanuel.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

À semelhança da aranha, estamos presos à própria teia das criações mentais a que damos origem. Daí afirmar Emmanuel: Nossos pensamentos são paredes em que nos enclausuramos ou asas com que progredimos na ascese.

Dieta comportamental

Rogério Coelho

“A Educação e a oração, constituem o equilibrado cardápio de luz que alimenta e plenifica o Espírito.” – François C. Liran

Somos, ao mesmo tempo, receptores e emissores de energia. Lançamos ao nosso derredor forças criativas ou destrutivas, agradáveis ou desagradáveis.
À semelhança da aranha, estamos presos à própria teia das criações mentais a que damos origem. Daí afirmar Emmanuel:

Nossos pensamentos são paredes em que nos enclausuramos ou asas com que progredimos na ascese. (Conjunto de exercícios praticados tendo em vista um aperfeiçoamento espiritual).
Já dizia Jesus: “Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”, portanto, movemo-nos ao talante do nosso arbítrio íntimo. Destarte, só lograremos atingir o desiderato assinado pelo Pai a todas as criaturas, isto é, a perfeição e felicidade sem mescla, se conseguirmos nos elevar, com todos os elementos de nossa órbita, aos alcandorados sítios da Espiritualidade superior. Alteiam-se, aí, dois propulsores da ascese: a oração e a educação. Enquanto a oração nos dá o norte, a direção, portanto, a esperança, conectando-nos com os mananciais superiores da inspiração, a educação ensejará a difícil lapidação das arestas da intimidade psíquica, facultando ao Espírito em evolução a obediência, a resignação, a confiança e a perseverança que o auxiliarão a seguir, sem desvios – intimorato e intemerato – o roteiro esboçado pelo Mais Alto.
A prece [adenda Emmanuel] traduzindo aspiração ardente de subida espiritual, através do conhecimento e da virtude, é a força que ilumina o ideal e santifica o trabalho. [...] o culto à prece é marcha decisiva.
A educação [diz Joanna de Ângelis] é o processo de adaptação aos superiores degraus da Vida espiritual para onde se segue.
Por ancestral atavismo – remanescente da longa demora nos abissais sítios do instinto ainda estamos “encharcados” das induções primárias. Faz-se, pois, mister efetuar ingentes esforços para nos desembaraçarmos das teias vigorosas desses impulsos menos felizes, para que o crescimento em Espiritualidade venha a ser o corolário natural dessas batalhas íntimas.
A educação como ciência e arte de vida

À Educação está entregue a grave e árdua tarefa de desenvolver as tendências positivas ínsitas no Espírito e corrigir as inclinações malsãs que deságuam em quedas de vária ordem. Após milenares períodos de experiências palingenésicas, a própria vida tornou-se uma Escola de Reciclagem, onde – de observação em observação – o Espírito aprende a discernir o que é melhor ou pior para si mesmo, auxiliando-o no estabelecimento de um quadro de valores, de que se pode utilizar para a tranquilidade interior. Como ninguém é uma ilha, o isolacionismo não realiza criatura nenhuma. A sociedade se torna, então, educadora por excelência, ao oferecer as suas características gregárias. Por tudo isso, assiste toda razão a um “Espírito Amigo” ao afirmar:

O Evangelho é, quiçá, dos mais respeitáveis repositórios metodológicos de educação e da maior expressão de filosofia educacional. Não se limitando os seus ensinos a um breve período da Vida e sim prevendo-lhe a totalidade, propõe uma dieta comportamental sem os pieguismos nem os rigores exagerados que defluem do próprio conteúdo do ensino.

Quando os mecanismos da educação falecem, não permanece o aprendiz da Vida sem o concurso da evolução, que surge como dispositivo de dor, emulando-o ao crescimento com que se libertará da situação conflitante, afligente, corrigindo-o e facultando-lhe adquirir as experiências mais elevadas.

Os hábitos que se arraigam no corpo, procedentes do Espírito como lampejos e condicionamentos, retornam e se fixam como necessidades, sejam de qual expressão for, constituindo uma outra natureza nos refolhos do ser, a responder como liberdade ou escravidão, de acordo com a qualidade intrínseca de que se constituem.

Imperioso, portanto, conforme propôs Jesus, que se faça a paz com o “adversário enquanto se está no caminho com ele” , vez que, amanhã, talvez seja muito tarde e bem mais difícil alcançá-lo. O mesmo axioma se pode aplicar à tarefa da educação: agora, enquanto é possível, moldar- -se o eu, antes que os hábitos e as acomodações perniciosas impeçam a tomada de posição, que é o passo inicial para o deslanchar sem reversão.

Neste mundo de escarcéus, onde as procelas físicas e morais tendem a fazer malograr os esforços sintonizados com as faixas do bem, aprendamos a orar e a valorizar a educação, tendo ambas – oração e educação – como bagagens indispensáveis que deverão sempre nos acompanhar, conduzindo-nos com segurança através das veredas marcadas por aquele que é “o caminho, e a verdade, e a vida”. (João, 14:6.) Daí, inspiradamente, versar Auta de Souza:

Todo anseio da crença acalma
as dores,
Toda prece é uma luz para
quem chora,
A oração é o caminho cor de
aurora
Para o sonho dos pobres
pecadores!...

Fonte: revista o Reformador de Junho 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mas será que existe alma Gêmea? Será que o homem não busca apenas uma forma de sanar a sua carência afetiva?


Conta um mito grego que no início os seres humanos não eram como hoje. Eles possuíam duas cabeças, quatro pernas e quatro braços, eram dois seres em um só corpo. Uma das metades era feminina e a outra era masculina, e por conta da sua desobediência e injustiça ao deus maior do Olimpo ele foram cortados ao meio e até hoje procuram a sua outra metade sem ter conseguido jamais encontra-la.
Segundo esse mito, é por isso que homens e mulheres vagueiam infelizes, em busca da sua metade perdida sem jamais encontrar a certa.
O mito se perdeu com o tempo, mas, a ideia de o homem ser incompleto não, e, isso perdura até os dias atuais. E talvez seja por isso que o homem busca incansavelmente pela sua alma gêmea.
Mas será que existe alma gêmea?
Será que o homem não busca apenas uma forma de sanar a sua carência afetiva?
Embora isso possa parecer uma incógnita a verdade é que o homem em geral deseja sim encontrar a sua outra metade. Parece que sem a sua outra metade ele é incompleto e, busca em outro ser se completar para que juntas as metades formem um só ser; o que ao refletirmos um pouco percebemos ser isso impossível haja vista que somos individualidades.
Precisamos uns dos outros sim, porque somos gregários e vivemos em sociedade. Temos uma família que é constituída e perpetuada através da união entre um homem e uma mulher. Mas, para progredirmos, tanto, intelectualmente quanto espiritualmente, não dependemos do outro.
Temos níveis intelectuais e morais diferenciados. Conquistamos nossas virtudes e nossa felicidade sozinhos, não dependemos dessa outra metade para essas conquistas.
Encontramos sim em nossos cônjuges muitas coisas em comum a nós, mas também muitas  diferenças, e isso, nos faz crescer enquanto individualidades e não porque eles são a parte que nos faltava.
Normalmente achamos que aquela pessoa que amamos é perfeita para nós enquanto corresponde às nossas “carências”, e, no momento que reconhecemos que não é a pessoa que nos completa, partimos para outra e mais outra, e aí, a fusão já virou confusão.
Quando convivemos com a pessoa que temos afinidade, algo em comum e desejamos tê-la para sempre ao nosso lado, geralmente queremos que ela seja sempre como nós gostamos, e assim, acabamos por ignorar, ou melhor, violentar a sua individualidade. Ignoramos assim, que o respeito e a aceitação do outro como ele é será a garantia de um bom relacionamento.
Se fizermos isso perceberemos que a relação entre dois inteiros fica melhor do que a relação entre duas metades que nunca saberemos se é a certa.
Perceberemos que as diferenças de dois inteiros darão possibilidades de relações saudáveis na vida a dois, caso contrário, não precisaríamos da união entre dois indivíduos. Não precisamos transformar dois em um só, pelo simples fato de que o crescimento é individual.
De outra forma, só poderíamos progredir se a outra parte progredisse também. E se a outra metade não almejasse se aperfeiçoar, como seria?
Se a pessoa com quem construímos um lar não for exatamente o que esperávamos, lembremos que foi com ela que escolhemos viver e aparar algumas arestas, e que neste mundo, não existe ninguém perfeito, que a busca pelo ser perfeito, que a busca pelo ser perfeito será em vão, porque se houvesse alguém perfeito, este estaria em busca de outro ser perfeito que não somos nós. Programamos nossas vidas antes mesmo de nascermos. Sendo assim, temos conosco quem precisamos ter e não quem gostaríamos de ter.
Se amarmos quem temos ao nosso lado talvez consigamos encontrar a tão sonhada felicidade.
Não espere o amanhã para dizer que amas.
Amanhã pode ser tarde demais.
Públio Lentulus perdeu a oportunidade de dizer a Lívia o quanto a amava. Ele compôs a letra Alma Gêmea e Lívia fez a música e o presenteou.

 Letra de Emmanuel, psicografada por Chico Xavier,
do livro "Há 2000 Anos".

Alma gêmea de minh'alma
Flor de luz da minha vida
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão

Quando eu errava no mundo
Triste e só no meu caminho
Chegaste devagarinho
E encheste-me o coração

Vinhas nas bênçãos dos deuses
Na divina claridade
Tecer-me a felicidade
Em sorrisos de esplendor

És meu tesouro infinito
Juro-te eterna aliança
Porque eu sou tua esperança
Como és todo meu amor

Alma gêmea de minh'alma
Se eu te perder algum dia
Serei a escura agonia
Da saudade dos teus véus

Se um dia me abandonares
Luz terna dos meus amores
Hei de esperar-te entre as flores
Das claridades dos céus


domingo, 31 de julho de 2011

Foi nessa época que surgiu na Índia um homem chamado Sidhartha Gautama, cuja bondade e sabedoria lhe valeram o nome de Buda, em hindu, que dizer “o iluminado”.

Buda (563 aC - 483 aC)

Não era fácil viver na Índia do século V a.C. Os habitantes eram numerosos, o alimento escasso e a divisão de bens desigual – de modo que a fome e a miséria se integravam no dia a dia da maior parte dos hindus. Tão árdua era sua vida, que não tinham motivo algum para dela gostar: suportavam-na apenas, à espera de uma existência melhor, que viria – acreditavam – depois da morte.
E, para que essa vida futura fosse realmente rica e feliz, havia muita gente que se empenhava em tornar a presente ainda mais pobre e desolada, praticando toda sorte de mortificações.
Foi nessa época que surgiu na Índia um homem chamado Sidhartha Gautama, cuja bondade e sabedoria lhe valeram o nome de Buda, em hindu, que dizer “o iluminado”. O pai de Siddhartha era um aristocrata de fortuna e deu-lhe uma educação requintada e, como a inteligência do rapaz ajudasse, ele adquiriu, ainda jovem, tal cultura que ficou conhecido como Sáquia Múni, ou seja, o sábio de Sáquia.
Jovem, rico, bem casado e despreocupado, Gautama tinha tudo para sentir-se satisfeito.
De fato, era feliz. Pelo menos até que, num dos passeios, pela primeira vez tomou contato com a realidade do seu país: ficou conhecendo de perto um mendigo e um velho. Logo depois, teve oportunidade de observar um asceta que se mortificava, em jejum buda rigoroso. E por fim, com grande pasmo, viu também um homem que morrera de fome.
Velhice, doença, miséria e morte eram problemas nos quais Siddhartha jamais pensara em seus 29 anos de idade; descobri-los para ele foi um choque, principalmente em contraste com a beleza de sua esposa, com a alegria de seu filho, com o luxo que os cercava e a despreocupação em que viviam. Essa realidade passou a parecer-lhe descabida.
A perplexidade de Gautama diante dos males do mundo foi-se avolumando pouco a pouco. Certa noite chegou a uma conclusão definitiva: depois de raspar a cabeça em sinal de humildade, trocou as suas suntuosas roupas pelo despretensioso traje amarelo dos monges e afastou-se do palácio, abandonando família, bens e passado.
Naquele momento deixava de existir como aristocrata e, em seu lugar, surgia um mendigo itinerante, que se lançava ao mundo em busca de explicações para o enigma da vida. Novato em questões espirituais, o andarilho juntou-se a cinco ascetas conhecidos pelo buda iluminado caminho: queria aprender com eles qual o melhor meio de chegar às verdades superiores.
E, como os ascetas jejuassem, passou a jejuar também, curtindo fome obstinadamente, quase até a inanição. Mas, como o estômago vazio não lhe ensinasse nada de novo, perdeu a fé no sistema e voltou a comer outra vez. Esse espírito prático revoltou os cinco místicos: decepcionados, abandonaram Gautama, que durante os 6 anos seguintes passou o tempo meditando em total solidão. Para meditar, conta a lenda que Gautama escolheu a sombra de uma grande figueira, que os hindus chamam “bodhi” e veneram como árvore sagrada.
Sentado sob a árvore, o mendigo Siddhartha estabeleceu um sacrificado programa: enquanto não esclarecesse todas as dúvidas, dali não arredaria pé.
Seu plano foi cumprido à risca, apesar das visões que teve de Mara – o demônio da paixão -, que ora o atacava com chuva, raios e toda a sorte de armas, ora lhe oferecia vantagens extraordinárias no sentido de demovê-lo de seu valente propósito. Nos momentos que sentia fraquejar, Gautama estendia a mão para a terra e dela obtinha forças para repelir os poderes maléficos, demonstrando uma resistência tão inabalável que após 49 dias Mara teve de se conformar com a derrota, deixando Gautama em paz. Ocorreu então o despertar espiritual que tanto procurava. Sua confusão se desfez e tudo se tornou perfeitamente claro. Iluminado por um novo entendimento de todas as coisas da vida, Gautama rumou para a cidade a fim de transmitir também aos outros o que lhe acontecera.
A princípio, encontrou descrença e desconfiança. Mas, aos poucos, os que ouviam perceberam que ele descobrira verdades desconhecidas e muito profundas. E reverenciaram sua iluminação, passando a tratá-lo por Buda.
Os ensinamentos de Buda criticavam diversos aspectos do hinduismo tradicional, mas nem por isso deixavam de endossar muitos de seus seculares conceitos. Por exemplo, a idéia de que todos os seres vivos cumprem um ciclo infinito – nascimento, morte e reencarnação – era um dos elementos básicos da religião hindu e foi aceita e confirmada pelos seus seguidores.
O budismo encampou também a teoria do karma, uma espécie de lei cósmica, segundo a qual o comportamento virtuoso durante uma encarnação traria recompensa em encarnações futuras, enquanto uma conduta perversa implicaria em castigo.
Outro ponto em que a doutrina budista permaneceu fiel às instituições religiosas hindus foi a renúncia às coisas terrenas e às paixões materiais, como meio para atingir a sabedoria e a perfeição. Ainda hoje os monges que se consagram ao cumprimento integral das normas budistas pautam sua vida por um desprendimento total: possuem apenas roupa que vestem e um rosário para suas orações. Dependem de caridade alheia até para comer. Embora concordando com o hinduismo no tocante aos objetivos espirituais, o budismo discordava dele em relação aos métodos para atingir tais objetivos.
As experiências de mortificação levaram Gautama à descrença no valor do ascetismo rigoroso que os religiosos praticavam e que lhe parecia exagerado e inútil. Dessa forma, suas pregações recomendavam a adoção do meio-termo: nem muito ascetismo, nem auto-indulgência. Comedimento, em sua opinião, era o melhor caminho para quem quisesse levar uma vida realmente sábia e virtuosa. Vendo em todos os homens a mesma potencialidade espiritual, Buda divulgou ensinamentos que, levados à prática, criariam uma sociedade de homens iguais. No sermão que fez no parque da cidade de Benares – um discurso que para os budistas tem valor igual ao que os cristãos atribuem ao Sermão da Montanha – o “iluminado” definiu com minúcia os caminhos a seguir para chegar à sabedoria da moderação e da igualdade. estátua de buda
Antes de tudo, segundo ele, é necessário reconhecer que a dor é universal. E mais: que a causa reside no desejo de coisas que não podem satisfazer ao espírito. Mas a dor tem remédio – é outra verdade. E o sofrimento extingue-se quando o homem renuncia a esses desejos; já que as raízes destes se originam da ignorância, a sabedoria é o melhor caminho para dominar a dor. Admitidas essas Quatro Verdades Nobres, o homem dispõe dos elementos básicos para enveredar pela Senda das Oito Trilhas, que dele exigirão pureza de fé, de vontade, de linguagem, de ação, de vida, de aplicação, de memória e de meditação.
Da terceira e quarta trilhas os seguidores de Buda mais tarde extraíram cinco preceitos muito parecidos com alguns mandamentos judaico-cristãos, pois também aconselham a não matar, não roubar, não cometer atos impuros e não mentir. E, além disso, não beber líquidos inebriantes. Nos 45 anos em que pregou sua doutrina, por todas as regiões da Índia, o Buda mencionou sempre as Quatro Verdades e as Oito Trilhas, acrescentando ainda uma sentença, resumo de todo o seu pensamento – a Regra de Ouro: “Tudo o que somos é resultado do que pensamos”.
Um detalhe que chama a atenção quando se analisa o comportamento dos seguidores de Buda é o fato de que, embora não vinculados às coisas deste mundo, eles observam um profundo respeito pelas criaturas que nele vivem. E consideram viver em paz com seus semelhantes uma obrigação fundamental de todos os indivíduos. Esse espírito pacifista, que leva os monges budistas ao extremo de poupar até aos insetos, tem origem num ensinamento do próprio Gautama, que dizia: “O ódio não termina com ódio, mas com amor”.
Ao contrário do que acontece com outras religiões, o budismo nada exige de seus seguidores. Não há cerimônias de conversão, nem rituais de submissão; basta reconhecer as Verdades e seguir as Trilhas. Efetivamente, mais que um culto religioso, o budismo é uma atitude perante o mundo, uma técnica de comportamento, pela qual o indivíduo aprende a desapegar-se de tudo que é transitório, o que resulta em uma espécie de auto-suficiência espiritual.
É esse desapego às coisas passageiras que faz com que os budistas vejam no Buda tão somente uma imagem encarnada do princípio da “iluminação”. Para eles, antes de Gautama, houve muitos Budas.
E muitos outros surgirão até o fim dos tempos. Assim, explica-se aquele aspecto distante e impessoal das imagens de Buda que se encontram nos templos asiáticos; não são representações realísticas de uma figura humana em particular, mas símbolos idealizados de uma entidade espiritual.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Portal para um outro universo, santuário destinado a curas, computador pré-histórico para previsões astronômicas, monumento aos mortos e à vida eterna.


Portal para um outro universo, santuário destinado a curas, computador pré-histórico para previsões astronômicas, monumento aos mortos e à vida eterna. Após várias teorias, místicas ou científicas, Stonehenge continua um mistério. O gigantesco monumento circular formado por pedras moldadas pelo homem, em seis etapas na transição da Era da Pedra para a Era do Bronze (entre os anos 3.000 e 1.500 a.C), continua a intrigar arqueologistas e a instigar a imaginação de muita gente. Localizado no sul da Inglaterra, Stonehenge apresenta círculos concêntricos de pedras com até cinco metros de altura e pesando cerca de 50 toneladas.
  As pesquisas arqueológicas mais recentes indicam que provavelmente Stonehenge tenha sido um observatório astronômico construído por uma antiga civilização com a finalidade de observar os solstícios e equinócios com precisão. Somente muitos séculos depois ele acabou virando um santuário religioso ao ser encontrado pelos druidas. O advento do misticismo da Nova Era, no entanto, fez de Stonehenge o mais importante centro de peregrinação para os cultos neo-pagãos, apesar do engano histórico que é identificá-lo como uma criação dos druidas originais.
Na planície de Salisbury, sul da Inglaterra, é que se ergue esse estranho e indecifrável complexo monolítico chamado Stonehenge, um enigma tão grande quanto ao das pirâmides.
Stonehenge é o monumento pré-histórico mais importante da Inglaterra e não há nada semelhante à ele em todo o mundo. Este altar de pedras tem sido usado há 5000 anos e até hoje não se tem certeza absoluta qual era sua finalidade. Rituais Druidas, cerimônias em homenagem ao sol, ou portal para seres de outros planetas são algumas das possibilidades sempre lembradas.
Os saxões chamavam ao grupo de pedras erectas "Stonehenge" ou "Hanging Stones" ( pedras suspensas), enquanto os escritores medievais se lhes referem como "Dança de Gigantes".
As “pedras azuis” usadas para construir Stonehenge foram trazidas de até 400 km de distância, nas montanhas de Gales, com direito a travessia marítima, quando não faltavam pedreiras na vizinhança. Algumas pesam 50 toneladas e tem 5 metros de altura. Se alguém traçar uma linha no chão, passando no meio do círculo formado pelas pedras, vai ver que esta linha aponta para a posição do nascer do sol de verão.
A mais antiga referência ao monumento, supõe-se, é a que faz o grego Hecateu de Abdera na sua "História dos Hiperbóreos", datada de 350 a.C. : "ergue-se um templo notável, de forma circular, dedicado a Apolo, Deus do Sol..."
O monumento é um exemplo clássico das civilizações megalíticas. Cientistas afirmam que Stonehenge foi construído entre os anos 2800 e 1100 a . C., em três fases separadas: 1ª Fase : (Morro Circular), que conhecemos como o círculo externo de Stonehenge e dos três círculos de buracos, cinqüenta e seis ao todo, que cercam o monumento.
As quatro "pedras de estação" que se supõe terem sido utilizadas como um Observatório Astronômico, o objetivo aparente seria observar o nascer e o por do Sol e da Lua, visando elaborar um calendário de estações do ano. 2ª Fase : que iniciou em 2100 a . C., houve a construção do duplo círculo de pedras, em posição vertical no centro do monumento, bem como da larga avenida que leva a Stonehenge e da margem externa das planícies cobertas de grama que o rodeiam.
Na Terceira e última fase, o duplo círculo de pedras foi separado e reconstruído, sendo erguidos muitos dos trílitos.
Originalmente Stonehenge era um círculo externo media 86 m de diâmetro. O círculo interno,com as pedras maiores, media 30 m. Havia ainda uma avenida de acesso principal onde ficavam os portais de pedra, marcando o alinhamento do sol e os ciclos da lua. Analisando-se as pedras viu-se que elas foram cortadas para encaixar exatamente uma na outra, o que é incrível, já que na época não existiam ferramentas de construção com esta precisão. Ao meditar sobre os mistérios de Stonehenge, vale lembrar que, naquela época, diferentes tribos e autoridades contribuíram para a construção de Stonehenge. Cada um pode ter tido objetivos diferentes para construir o monumento. Alguns relatos históricos contam que os Druidas, uma tribo Celta que habitou a região da Inglaterra durante o império Romano fizeram cerimônias aqui, mas é certo que não foram eles que construíram Stonehenge, pois o monumento já existia quando os Druidas chegaram à Inglaterra, a datação pelo carbono-14 prova isto. Eles apenas herdaram a tradição, costumes e rituais dos primeiros moradores deste lugar.
Acredita-se que Stonehenge e outros sítios megalíticos hajam sido construídos pelos antepassados dos Druidas deste milênio, por acreditarem que fossem lugares de grande força para concretizarem seus rituais...em vez de templos fechados eles reuniam-se nos círculos de pedra, como se vêem nas ruínas de Stonehenge Avebury, Silbury Hill e outros.
Durante séculos, Stonehenge foi cenário de reuniões de camponeses e nos últimos 90 anos os "Druidas" modernos celebraram aqui o solstício de Verão. Durante aproximadamente 20 anos, milhares de pessoas se reuniam no local todos os meses de junho para assistirem ao festival que aí tem lugar. Mas em 1985 as autoridades proibiram tanto a vinda dos Druidas como o festival em si, receosas de que as pedras, assim como a paisagem circundante, possam ser danificadas
Diversas pedras de Stonehenge tem desenhos ou inscrições feitas pelas antigas civilizações, embora já estejam bastante apagadas pelo tempo. Como o local não fica longe de Londres, há diversas excursões de um dia que vão até lá. Se você está de carro, Stonehenge fica duas milhas à oeste de Amesbury, quase na junção das estradas A303 e A344.
O fim de Stonehenge aconteceu por volta do ano 1600 AC. Foi a partir daí que começou sua destruição. Apesar do tamanho enorme, muitas das pedras desapareceram. As menores,  foram carregadas por visitantes que queriam levar uma "lembrança". A partir de 1918 o local começou a ser recuperado, e muitas das grandes pedras que estavam inclinadas e ameaçando tombar foram reerguidas. Atualmente, o lugar é administrado pelo English Heritage, e como o número de visitantes é de cerca de 700.000 por ano, foram tomadas medidas mais rigorosas para garantir a preservação de Stonehenge.
Ao redor do monumento principal existem outras obras intrigantes. Afastado de Stonehenge, 800 m ao norte está o chamado Cursum. Semelhante à uma pista reta de corridas de cavalos, com 2,8 km de comprimento e 90 m de largura, imagina-se que ele também era usado em cerimoniais religiosos e procissões. Alguns adeptos do estudo dos OVNI afirmam, entretanto, que seu objetivo era servir como pista de pouso para naves interplanetárias.
Stonehenge deixa muitas dúvidas, algumas suposições, e poucas certezas. Porque trouxeram pedras tão imensas e pesadas de tão longe, exatamente para aquele lugar? Quem de fato construiu o monumento e porque? Sozinhos ou tiveram ajuda de alguma outra civilização? Que civilizações eram estas, que já na pré-história tinham conhecimentos tão profundos de astronomia, engenharia, e matemática? Stonehenge foi construído com ajuda de povos vindos de outros planetas, ou isto tudo é apenas hipótese?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Decisão Certa

Narra uma lenda que um príncipe poderoso caiu em mãos inimigas que decidiram tirar-lhe a vida condenando-o a forca.
Dada a sua linhagem nobre o rei dos inimigos lhe propôs um acordo. Se ele conseguisse decifrar um enigma, sua vida seria poupada. Para isso, concedeu-lhe a liberdade de procurar a resposta por três dias.
Com a pergunta lhe fervilhando na cabeça, o príncipe começou a buscar entre os habitantes do lugar quem pudesse o ajudar a encontrar a resposta.
A pergunta era: - o que mais deseja uma mulher?
Ao terceiro dia, já desanimado antevendo a sua morte na forca, o príncipe encontrou uma mulher muito feia. Na boca havia apenas dois dentes. Seus cabelos eram desgrenhados. As vestes sujas. Era chamada por todos, pelo seu aspecto horrível de bruxa.
Ela disse que tinha a resposta. Mas exigia que, sendo salva a sua vida, ele voltasse e c asasse com ela.
Não desejando morrer, ele aceitou e ela disse: - “O que mais deseja uma mulher é ter soberania  absoluta do seu destino.”
Com a resposta o príncipe teve a vida poupada e voltou para casar com a bruxa. Não queria, mas tinha prometido. Triste destino o meu, pensava. Casar com uma bruxa.
Entristecido, na noite de núpcias, sentou-se na cama, e aguardava a noiva de aspecto horrível que tinha ido ao banheiro. Qual não foi sua surpresa quando ela apresentou-se linda, estonteante, vestida em cetim branco, cabelos longos e bem escovados, olhos brilhante e sorriso perfeito. Parecia não tocar o chão, tamanha leveza da mulher estonteante.
Como pode isso? Ele perguntou perturbado.
Eu esqueci de falar que durante o dia eu sou bruxa e a noite me transformo em linda mulher. Você pode escolher se quer que eu seja bruxa de dia e linda mulher de noite, ou se prefere que eu seja linda mulher de dia e bruxa a noite.
O príncipe mergulhou seu pensamento em mulheres que são perfeitas durante o dia fora de casa e que são verdadeiras bruxas dentro do lar. E também em outras que são bruxas na aparência, mas, que no lar são verdadeiras princesas no lar. Que, preocupam-se com seus filhos e maridos e são verdadeiros anjos.
Ele olhou para aquela figura maravilhosa que agora estava na sua frente e disse: Deixo a você a escolha de ser bruxa durante o dia e princesa durante a noite ou o contrário.
E a noite foi maravilhosa. No outro dia, ao raiar do Sol, o príncipe abriu os olhos e surpreso  viu deitada ao seu lado, a mulher extraordinária da noite passada.
Como pode? Ele falou.
Você não disse que viraria bruxa durante o dia?
Meu amor, falou ela docemente. Como você deixou que eu decidisse o que quisesse ser e quando quisesse, eu decidi ser princesa dia e noite.Lembra que eu falei que o que mais deseja uma mulher é a soberania sobre sua vida, poder decidir sobre sua própria vida?


*Moral da história.
No mundo existem pessoas assim. No contato com pessoas fora do lar são excelentes. Gentis, ponderadas, atenciosas.
Basta adentrarem no lar se transformam em déspotas. Gritam, magoam, exigem...
Acreditam ser o lar o seu reino, podem fazer tudo sem limites.
Mas, existem também, aquelas que são o contrário. Fora do lar são ríspidas exigentes em demasia no trato social e profissional. E, entretanto, em casa são dóceis, compreensivos, prestativos e educados.
O que ser, quando ser e como ser é decisão individual de cada ser. Mas quando optamos por sermos bom o dia todo, em todos os lugares, com todas as pessoas estamos optando por uma vida melhor, um modo de mudar as relações no mundo tornando a vida melhor e mais feliz.


sábado, 16 de julho de 2011

A História de Sundar Singh

O Apóstolo dos pés sangrentos

Sundar Singh foi um hindu convertido ao cristianismo tendo exercido a sua atividade apostólica não somente entre as populações não cristãs da Índia, mas por toda a terra. Pareceu-me interessante resumir a vida e o ensino deste apóstolo cristão. Sundar Singh nasceu em 3 de Setembro de 1889, em Rampur, no Estado de Patiala, ao Norte da Índia. De origem Sikh, foi o último filho de Sirdar Sher Singh, homem rico e respeitado, que o criou no luxo e deu-lhe uma sólida instrução. A sua mãe, que morreu quando tinha catorze anos e para quem rendia um verdadeiro culto, indicou os livros sagrados hindus, nomeadamente o Bhagavad-Gita e o Adi-Adi-Granth.
Aos dezesseis anos, conhecia os Upanishads e o Corão. Entrou em contacto com o Evangelho através de missionários presbiterianos americanos na escola para onde foi enviado. O ensino que recebeu lá o perturbava e o deixava profundamente hostil; rasgou e queimou uma Bíblia que lhe tinha sido oferecida. Mas a angústia persistia. Uma noite de Dezembro de 1904 resolveu pôr um termo às suas lutas internas e encontrar a paz imediatamente ou a morte. Pôs-se a orar em seu quarto, decidido, se não encontrasse o descanso procurado, colocaria a sua cabeça sobre o carril do trem, onde o expresso de Ludhiana passava às cinco horas da manhã. Às quatro e meia vê uma grande luz e nesta luz a forma de Cristo e escutou uma voz que lhe dizia: “Até quando perseguir-me-á? morri para você, sou o Salvador do mundo”. Então compreendeu que Cristo é vivo, pensamento que lhe parecia até então inadmissível, e a paz entrou nele.
A sua família não aceitou que quisesse abandonar a religião dos antepassados para abraçar a de Jesus. Para o seu pai, representava a vergonha que recairia sobre todos se persistisse naquela idéia; um tio prometeu-lhe todas as riquezas – que eram de valor considerável – se residisse com eles. Nada conseguiu mudá-lo. Então seu pai o deserdou e o declarou “fora de casta”, o que, para um Hindu, era a degradação suprema. A escola cristã foi perseguida e teve que deixar o país, ficando apenas Sundar com um camarada Sikh, que também tinha abraçado a fé em Cristo.
Em sinal de ruptura definitiva com a sua raça, cortou sua cabeleira, prática que o Granth proíbe aos Sikhs. Sundar refugiou-se em Ropur com os cristãos que trataram dele. Seu pai fez uma suprema tentativa para retomá-lo; falou-lhe com ternura, evocou a lembrança da sua mãe; mas o jovem homem permaneceu inabalável na sua decisão de servir a Cristo enquanto vivesse. No dia do aniversário dos seus dezesseis anos, em 3 de Setembro de 1905, foi batizado em Simla, no Himalaia. Trinta e três dias após, resolveu viver como santo. Sâdhou leva pigmento cor açafrão, fato consagrado por séculos, e segue, sem lar e sem dinheiro, uma vida de austeridades e privações.
A sua experiência de vida, abre-lhe a porta de todas as castas e de todas as classes, onde pôde repetidamente falar de Cristo às grandes senhoras do país. Sobre a terra congelada do Tibete como também sobre o solo tórrido do Ceilão anda descalço e conserva o mesmo vestuário e os mesmos hábitos de pobreza; Leva com ele apenas o seu Novo Testamento em língua urdu. Começou a pregar o Evangelho na sua aldeia natal, seguidamente nas outras cidades da província do Penjab; foi para o Afeganistão, o Béloutchistan e a Caxemira. Mas não estava preparado para esta existência itinerante e sofreu muito com o frio e as privações, sem falar das dolorosas mortificações. Passou por terríveis lutas internas, principalmente a tentação de voltar à casa paterna e viver como um homem de seu nível; mas nunca se deixou desviar do seu apostolado. Em 1906 encontrou um Americano, o Sr. Stokes que, durante um ano, juntou-se a ele e indicou-lhe François de Base, por quem tinha grande veneração, cedo compartilhado pelo Sâdhou. Continuando a ser só, Sundar fez, em 1908, a primeira viagem ao Tibete. Para se aperfeiçoar, fez dois anos de estudos no colégio Saint-Jean em Lahore (1909-1910). Recusou sempre os títulos que lhe atribuíam; quis ser apenas uma testemunha de Cristo. Retornou ao bispo anglicano a licença de pregar que este o tinha concedido, explicando que queria anunciar o Evangelho onde Deus o enviasse. Em 1912 percorreu Bengala. Resolveu então jejuar durante quarenta dias e quarenta noites; retirou-se na selva e passou este tempo a conversar com Cristo. À medida que as suas forças físicas declinavam, o seu espírito encontrava-se vivificado e a sua dependência, no que diz respeito a Deus. Guardas florestais encontraram-no completamente esgotado e transportaram-no à Dehra Dun, seguidamente à Annfield onde foi cuidado. Em 1913 e 1914 percorreu o Sikkim, o Bhutan e o Nepal. Seguiu Sundar pregando no Sul da Índia, no Ceilão, na Birmânia, na China e no Japão. Em 1918 visitou a América e a Europa. Em Outubro de 1919 voltou a Rampur; havia catorze anos que não via seu pai; este se converte e Sundar o batizou. Em 1920, Sundar Singh foi à Inglaterra, onde o diretor do Colégio missionário de Selly Oak disse sobre ele: “Não é tão somente acima das nacionalidades, mas também acima das igrejas”. Em Março parou em Paris, seguidamente visitou a Irlanda e a Escócia. Em Londres falou a cerca de 10.000 pessoas; seguiu para os Estados Unidos, Austrália, Palestina onde freqüentemente tivesse desejado retornar. Em 1922 percorreu a Suíça, a Alemanha, e a Suécia.
Um jovem hindu deserdado e sem casta, maldito  no  lar  de  seus  pais  e  na  aldeia  em  que nascera, caminhava pela estrada que de Simla se dirige a Sabatu,  com  a  alma inundada de alegria. Paradoxal alegria, a qual já se mesclava preocupação gravíssima: o  batismo,  se lhe resolvera os problemas espirituais, selando sua consagração a Cristo, não lhe dava,  contudo orientação sobre o rumo a imprimir a vida. Não lhe seria possível continuar vivendo  da boa vontade dos missionários. Que faria?
Todas as suas forças e tendências se dirigiam para um rumo: a pregação do Evangelho. Precisava remir o tempo perdido, desfazer os males que causara aos pregadores de Rampur. Mas pregar como? Passar encerrado no Seminário, receber lições de Teologia, de Grego, de Latim, assimilar por processo exaustivo e mecânico a piedade de outros homens; pastorear depois uma igreja, viver preso a paróquia e a  seus  pequeninos   problemas  gerados  pela eterna mesquinharia do homem; esgotar-se  nas  intermináveis  e  nem  sempre edificantes discussções e atitudes de Conccílios, para depois, e uma vez mais, afundar no lago parado
da rotina paroquial? Fazer cuidadosas distinções dogmáticas,  demonstrar  onde  estava o erro dos presbiterianos, onde o dos metodistas e afirmar vitoriosa e invariavelmente que o Caminho, a Verdade e a Vida residiam no seio da Igreja de Inglaterra, que o batizara? E a qual dentre as correntes que nela se digladiavam haveria ele de se filiar?
Engolfado em tais pensamentos, a sombra fresca de pinheirais de Sabatu, seus olhos caçam muitas vezes nas neves que faziam fundo a paisagem. Himalaia! As águas que ali nasciam, na neve permanente, rasgavam na pedra da montanha o leito por onde correriam. Dispensavam concurso humano. Conseguisse ele manter sempre a íntima união com Cristo que agora possuía e poderia dispensar a organização eclesiástica e os canais com que ela orientava o rumo da piedade dos fiéis. Mesmo porque a europeização da índia era ingrata tarefa que a igreja evangélica indiana parecia apostada em levar a cabo  e isto lhe repugnava.
Fortes laços emocionais o prendiam a terra onde repousava sua mãe, e aos costumes da infância. Não se convertera a civilização ocidental, mas ao Cristo Universal.
(...)
Dá-se o mesmo com a água Viva. Os hindus precisam dela, mas dispensam a xícara européia.
Mas como criar uma vasilha hindu para a nova bebida? Não! Era a bebida eterna! As formas de devoção da índia a buscavam, tacteantes e desesperadas. Bastava tomar a melhor dessas formas de devoção e enche-la do líquido cristalino e refrigerante.
Trinta e três dias após o batismo, vendeu como pode os escassos objetos que possuía, comprou na aldeia a roupa amarela de sadu, envergou-a e, descalço, levando em uma das mãos o Novo Testamento em urdu, tomou o rumo do sul.
Seria desse dia em diante, O Sadu.
Sadu, palavra sânscrita que significa reto, adotada para designar uma classe especial de religiosos veio a ter sentido de puro, santo. A  quem se consagra inteiramente a religião, abandonando para sempre qualquer veleidade mundana. (...)
Vestidos com a roupa cor de açafrão que tão facilmente se distingue, caminham geralmente descalços, sem pouso fixo. Nas aldeias e nas cidades todos têm prazer em dar-lhes uma escudela de comida, um leito de palhas, uma hora de palestra. Seus conselhos são respeitados, suas maldições temidas. O viajante que percorrer as margens dos rios sagrados, frequentemente encontrara esses santos imersos em meditação ou ocupados em flagelar-se pelos mais engenhosos processos, ou rezando com monotonia.
Tão intimamente relacionada com o paganismo hindu estava a vida do sadu, que era necessário mais que simples originalidade para adotá-la e pregar o cristianismo. A Igreja receberia tal idéia com escândalo e desagrado; e os mesmos hindus que o acolhessem, ao verificarem que o Santo-Homem era apenas um maldito cristão de casca amarela, possivelmente se vingariam ferozmente do logro.
Mas Sundar Singh não estava à procura de um artifício: queria ser sadu e não apenas vestir-se de sadu. Possuiria a mentalidade do sadu, com alma de cristão.