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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Em tarefa espírita        Reunião pública de 5/2/60
                                                               Questão nº 30
Abraçando na Doutrina Espírita o clima da própria fé, lembra-te de Jesus, à frente do povo a que se propunha servir.
Não se localiza o Divino Mestre em tribuna garantida por assessores plenamente identificados com os seus princípios.
Ele é alguém que caminha diante da multidão.
Chama açoitada pela ventania das circunstâncias adversas...
Árvore sublime batida pelas varas da exigência incessante...
Ninguém o vê rodeado de colaboradores completos, mas de problemas a resolver.
E, renteando com os doentes e aflitos que lhe solicitam apoio, todas as personalidades que lhe cruzam a senda representam atitudes diversas, reclamando-lhe paciência.
João Batista duvida.
Natanael questiona.
Nicodemos indaga.
Zaqueu observa.
Caifás conspira.
Judas deserta.
Pedro nega.
Pilatos finge.
Ântipas escarnece.
Tomé desconfia.
Apesar de tudo, Ele passa, sozinho e imperturbável, como sendo o amor não-amado, ensinando e ajudando sempre.
Assim também, na instituição em que transitas, encontrarás em quase todos
os companheiros oportunidades de aprender ou de auxiliar.
A cada passo, encontrarás os que te pedem amparo...
Os que te rogam alívio...
Os que te suplicam consolo...
Os que esperam entendimento...
Não te faltarão, contudo, igualmente, os que te desafiam a calma...
Os que te zombem dos ideais...
Os que te complicam as horas...
Os que te criam dificuldades...
Os que te ferem o coração...
Entretanto, se conheces o caminho exato, é preciso ajudes aos que se transviam; se te equilibras, é preciso socorras os que se perturbam; se te manténs firme, é preciso sustentar os que caem, e, se já entesouraste leve migalha de luz, é preciso auxilies os que se debatem nas trevas.
Desse modo, não te faças distraído quanto à orientação que nos é comum, porquanto o espírita verdadeiro, diante do mal, é invariavelmente chamado a fazer o bem.

Livro: Seara dos Médiuns
Psicografia de Chico Xavier/ Emmanuel

sábado, 15 de setembro de 2012

Allan Kardec, codificador e sistematizador da Doutrina Espírita


Allan Kardec

Allan Kardec, codificador e sistematizador da Doutrina Espírita
Nome completo  Hippolyte Léon Denizard Rivail. Conhecido(a) por codificar e sistematizar a Doutrina Espírita
Nascimento 3 de outubro de 1804 Lyon, Ródano-Alpes França
Morte 31 de março de 1869 (64 anos) Paris, Ile-de-France  França
 Ocupação: Pedagogo, professor
 Assinatura Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, 3 de outubro de 1804 — Paris, 31 de março de 1869) foi educador, escritor e tradutor francês. Sob o pseudônimo de Allan Kardec,[1] notabilizou-se como o codificador[nb 1] do espiritismo (neologismo por ele criado), também denominado de Doutrina Espírita.
 O pseudônimo "Allan Kardec", segundo biografias, foi adotado pelo Prof. Rivail a fim de diferenciar a Codificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores. Segundo algumas fontes, o pseudônimo foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druídas, na Gália, e que então o Codificador se chamava "Allan Kardec".[2]
 No 4º Congresso Mundial em Paris (2004), o médium brasileiro Divaldo Pereira Franco psicografou uma mensagem atribuída ao espírito de León Denis em francês (invertida) declarando que Allan Kardec fora a reencarnação de Jan Hus, um reformador religioso do século XV. Esta informação já foi dada em diversas fontes diferentes, [3][4][5][6] o que está de acordo com o Controle Universal do Ensino dos Espíritos, que Kardec definiu da seguinte forma: "uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos - a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares."
Allan Kardec e sua esposa Amélie Gabrielle Boudet.
Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia. 
Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdon-les-Bains, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados, criando cursos gratuitos para os mesmos. Aos dezoito, bacharelou-se em Ciências e Letras.
 Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração. Conhecia a fundo os idiomas francês, alemão, inglês e holandês, além de dominar perfeitamente os idiomas italiano e espanhol.
 Era membro de diversas sociedades, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema "Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?".[8]
 A 6 de fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet. Em 1824, retornou a Paris e publicou um plano para aperfeiçoamento do ensino público. Após o ano de 1834, passou a lecionar, publicando diversas obras sobre educação, e tornou-se membro da Real Academia de Ciências Naturais.[9]
 Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sévres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia[10] comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática, criou um engenhoso método de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, visando facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país.
 As matérias que lecionou como pedagogo são: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês.[11]
 Conforme o seu próprio depoimento, publicado em Obras Póstumas, foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das "mesas girantes", bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem dar muita atenção ao relato naquele momento, atribuindo-o somente ao chamado magnetismo animal de que era estudioso, só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas, quando começou a frequentar reuniões em que tais fenômenos se produziam.
 Durante este período, também tomou conhecimento do fenômeno da escrita mediúnica - ou psicografia, e assim passou a se comunicar com os espíritos. Um desses espíritos, conhecido como um "espírito familiar", passa a orientar os seus trabalhos. Mais tarde, este espírito iria lhe informar que já o conhecia no tempo das Gálias, com o nome de Allan Kardec. Assim, Rivail passa a adotar este pseudônimo, sob o qual publicou as obras que sintetizam as leis da Doutrina Espírita.[9]
 Convencendo-se de que o movimento e as respostas complexas das mesas deviam-se à intervenção de espíritos, Kardec dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científico, filosófico e moral, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão espiritual e interior do Homem.
 Tendo iniciado a publicação das obras da Codificação em 18 de abril de 1857, quando veio à luz O Livro dos Espíritos, considerado como o marco de fundação do Espiritismo, após o lançamento da Revista Espírita (1 de janeiro de 1858), fundou, nesse mesmo ano, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
Túmulo de Allan Kardec em Paris.
Kardec passou os anos finais da sua vida dedicado à divulgação do Espiritismo entre os diversos simpatizantes, e defendê-lo dos opositores através da Revista Espírita Ou Jornal de Estudos Psicológicos. Faleceu em Paris, a 31 de março de 1869, aos 64 anos de idade,[12] em decorrência da ruptura de um aneurisma, quando trabalhava numa obra sobre as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança de local de trabalho. Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma célebre necrópole da capital francesa. Junto ao túmulo, erguido como os dólmens druídicos, Acima de sua tumba, seu lema: "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei", em francês.
 Em seu sepultamento, seu amigo, o astrônomo francês Camille Flammarion proferiu o seguinte discurso, ressaltando a sua admiração por aquele que ali baixava ao túmulo:[13]
Voltaste a esse mundo donde viemos e colhes o fruto de teus estudos terrestres. Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra… Sabemos que todos havemos de mergulhar nesse mesmo último sono, de volver a essa mesma inércia, a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor e no céu imenso onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, onde continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado. (…) Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista!
Camille Flammarion
Sobre Kardec, Gabriel Delanne escreveu:[14]
 Substituindo a fé cega numa vida futura, pela inquebrantável certeza, resultante de constatações científicas, tal é o inestimável serviço prestado por Allan Kardec à humanidade.
Gabriel Delanne
Contracapa da versão de 1860 d'O Livro dos Espíritos, a principal obra publicada por Kardec.
O professor Rivail escreveu diversos livros pedagógicos, dentre os quais destacam-se:[15]
1824 - Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para uso dos professores e mães de família, com modificações - 2 tomos
1828 - Plano proposto para melhoramento da Instrução Pública
1831 - Gramática Francesa Clássica
1831 - Qual o sistema de estudo mais consentâneo com as necessidades da época?.
1846 - Manual dos exames para os títulos de capacidade: soluções racionais de questões e problemas de Aritmética e de Geometria
1848 - Catecismo gramatical da Língua Francesa
1849 - Programa dos Cursos ordinários de Química, Física, Astronomia, Fisiologia
1849 - Ditados normais dos exames da Municipalidade e da Sorbona
1849 - Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas
 Lista dos principais diplomas obtidos por Denizard Rivail durante a sua carreira de professor e diretor de colégio:[11]
Diploma de fundador da Sociedade de Previdência dos Diretores de Colégios e Internatos de Paris - 1829
Diploma da Sociedade para a Instrução Elementar - 1847. Secretário geral: H. Carnot.
Diploma do Instituto de Línguas, fundado em 1837. Presidente: Conde Le Peletier-Jaunay.
Diploma da Sociedade de Educação Nacional, constituída pelos diretores de Colégios e de Internatos da França - 1835. Presidente: Geoffroy de Saint-Hilaire.
Diploma da Sociedade Gramatical, fundada em Paris em 1807, por Urbain Domergue - 1829.
Diploma da Sociedade de Emulação e de Agricultura do Departamento do Ain - 1828 (Rivail fora designado para expor e apresentar em França o método de Pestalozzi).
Diploma do Instituto Histórico, fundado em 24 de Dezembro de 1833 e organizado a 6 de Abril de 1834. Presidente: Michaud, membro da academia francesa.
Diploma da Sociedade Francesa de Estatística Universal, fundada em Paris, em 22 de Novembro de 1820, por César Moreau.
Diploma da Sociedade de Incentivo à Indústria Nacional, fundada por Jomard, membro do Instituto.
Medalha de ouro, 1º prêmio, conferida pela Sociedade Real de Arrás, no concurso realizado em 1831, sobre educação e ensino.
 As cinco obras fundamentais que versam sobre o Espiritismo, sob o pseudônimo Allan Kardec, são:
O Livro dos Espíritos, Princípios da Doutrina Espírita, publicado em 18 de abril de 1857;
O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, em janeiro de 1861;
O Evangelho segundo o Espiritismo, em abril de 1864;
O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, em agosto de 1865;
A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo, em janeiro de 1868.
Além delas, como Kardec, publicou mais cinco obras complementares:
Revista Espírita (periódico de estudos psicológicos), publicada mensalmente de 1 de janeiro de 1858 a 1869;
O que é o Espiritismo? (resumo sob a forma de perguntas e respostas), em 1859;
Instrução prática sobre as manifestações espíritas (substituída pelo Livro dos Médiuns; publicada no Brasil pela editora O Pensamento)
O Espiritismo em sua expressão mais simples, em 1862;
Viagem Espírita de 1862 (publicada no Brasil pela editora O Clarim).
Após o seu falecimento, viria à luz:
Obras Póstumas, em 1890.
Outras obras menos conhecidas foram também publicadas no Brasil:
O Principiante Espírita (pela editora O Pensamento)
A Obsessão (pela editora O Clarim)
"A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação."[16]
Allan Kardec. "Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis. Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios. Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas."[17]
 "(…) o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor. O Espiritismo, alargando o círculo da família pela pluralidade das existências, estabelece entre os homens uma fraternidade mais racional do que aquela que não tem por base senão os frágeis laços da matéria, porque esses laços são perecíveis, ao passo que os do Espírito são eternos. Esses laços, uma vez bem compreendidos, influirão pela força das coisas, sobre as relações sociais, e mais tarde sobre a Legislação social, que tomará por base as leis imutáveis do amor e da caridade; então ver-se-á desaparecerem essa anomalias que chocam os homens de bom senso, como as leis da Idade Média chocam os homens de hoje…"[18]
Diz-se codificador pois o seu trabalho foi o de reunir, compilar e sistematizar textos recebidos por diversos médiuns naquela época
 Referências
 1. PENSE - Allan Kardec. Viasantos.com.
 2. Esboço biográfico e curiosidades. Espirito.org.br.
 3. Mensagem através da psicografia da médium Ermance Dufaux (uma das médiuns de Kardec) em 1857. Esta mensagem foi encontrada na livraria Leymarie, na França, por Canuto de Abreu. Esta informação consta no livro A missão de Allan Kardec, de Carlos Imbassahy
 4. Holocausto Pela Verdade, palestra de Divaldo Pereira Franco (em DVD)
 5. Os Luminares Tchecos", obra da médium Wera Krijanowskaia, pelo espírito de J.W. Rochester
 6. João Huss na História do Espiritismo, artigo de Wallace Leal V. Rodrigues, publicado no Anuário Espírita de 1973 (órgão do Instituto de Difusão Espírita (IDE), Ano X, N º 10, Araras, SP, pág. 75 –85)
 7. Allan Kardec. Revista Espírita - Abril de 1864 e em O Evangelho segundo o Espiritismo, introdução, item II
 8. Textos - Allan Kardec. Espirito.org.br.
 9. a b Encyclopædia Britannica, 1997. Vol.8. p.390
 10. Algumas fontes não confirmadas dizem que Allan Kardec teria sido médico. Pesquisas posteriores, no entanto demonstraram que ele foi professor de Anatomia. Retirado do rodapé desta página da FEB.
11. a b SOARES, p. 13
12. Dados pessoais. Feal.com.br.
13. KARDEC, Allan. Obras Póstumas (14ª edição). Rio de Janeiro: FEB, 1975. p. 30
14. Carta de Delanne publicada na Revista Espírita em 1907. Disponível em Autores Espíritas Clássicos. Gabriel Delanne - sua vida, seu apostolado e sua obra (.doc). Paul Bodier e Henri Regnault. Página visitada em 03/04/2010. Ver em HTML.
15. SOARES, p. 14
16. O Céu e o Inferno, Primeira Parte, cap. 2
17. A Gênese, Capítulo I, item 14
18. Revista Espírita 1861, pág. 297-298
Bibliografia
ABREU FILHO, Júlio. Biografia de Allan Kardec. in: O Principiante Espírita. São Paulo: O Pensamento, 1956. p. 7-30.
CARNEIRO, Victor Ribas. ABC do Espiritismo (5ª edição). Curitiba (PR): Federação Espírita do Paraná, 1996. 223p. ISBN 85-7365-001-X p. 47-51.
INCONTRI, Dora. Para Entender Allan Kardec. São Paulo: Lachâtre, 2004.
INCONTRI, Dora. Pedagogia Espírita, um Projeto Brasileiro e suas Raízes. Bragança Paulista (SP): Comenius, 2004.
JORGE, José. Allan Kardec no pensamento de Léon Denis. Rio de Janeiro: Centro Espírita Léon Denis/Departamento Editorial, 1978. 48p.
GODOY, Paulo Alves; LUCENA, Antônio. Personagens do Espiritismo (2ª ed.). São Paulo: Edições FEESP, 1990.
RIZZINI, Jorge. Kardec, Irmãs Fox e Outros. Capivari (SP): Editora EME, 1994. 194p. ISBN 8573531517
SAUSSE, Henri. Biografia de Allan Kardec. in: O que é o espiritismo (38ª edição). Rio de Janeiro: FEB, 1997. ISBN 8573281138 p. 9-48
SOARES, Sylvio Brito. Grandes Vultos da Humanidade e o Espiritismo. 1ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1961.
WANTUIL, Zêus, THIESEN, Francisco. Allan Kardec – o Educador e o Codificador. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
GUÉNON, René. L'Erreur Spirite (O Erro Espírita). Paris, 1923.
s.a.. Revista Espírita, maio de 1869. in: KARDEC, Allan. Obras Póstumas (14ª edição). Rio de Janeiro: FEB, 1975.

domingo, 26 de agosto de 2012

O JUGO LEVE. Mas o que é jugo?...= Peça de madeira que serve para emparelhar dois animais para o mesmo trabalho.


ESE – Cap. VI

O CRISTO CONSOLADOR

O JUGO LEVE

Vinde a mim, todos vós que andais em sofrimento e vos achais sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. ( Mateus, XI:28-30).

O que significa isso?

O que é jugo?

Como um fardo como o de Jesus pode ser leve...

Como compreender suas palavras se, vemos e experimentamos tantos sofrimentos nesse mundo?

         Jesus nos convida para irmos até Ele que seremos aliviados. Mas, esse ir até Ele, não significa ir ao templo religioso de forma convencional, por que muitas pessoas vão ao templo, a igreja, ou ao centro espírita e estão com o pensamento em outras coisas, estão lá só de corpo presente.

Mas, sim ir a Ele de corpo e alma, ou seja, apresentar-se a Ele e aceitar as leis divinas com humildade e respeito a elas. Prestando atenção à mensagem evangélica que está sendo exposta. Isso pode ser feito sem dogmas e sem rituais, mas antes, um código de renovação moral que deve ser aplicado diariamente na prática da nossa reforma íntima.

Por isso o jugo é suave e o fardo é leve.

Mas o que é jugo?...= Peça de madeira que serve para emparelhar dois animais para o mesmo trabalho.

Na simbologia o jugo representa servidão, é símbolo de opressão, de constrangimento. A passagem dos vencidos sob o jugo romano é bem explicita. Como os romanos mandavam no mundo na época de Jesus, quando acontecia uma vitória dos romanos, os que eram derrotados eram obrigados a passar por baixo de uma lança na frente dos oficiais romanos seminus, tendo de curvarem-se e, eram, insultados e cuspidos, o que provocava nos vencidos muita raiva por parte dos vencidos, originando uma nova batalha que acabava em carnificina.

Assim Jesus se referia ao seu jugo suave porque era escolhido voluntariamente e levava ao domínio de si mesmo na união interior com Deus através da observância das Leis de Deus, na sua prática diária dos  ensinamentos que trouxe e exemplificou.

No velho testamento e no novo testamento podemos perceber que a submissão forçada ou disciplinada, é um elemento constante nas profecias de salvação. Carregar o jugo de Deus significa submeter-se aos Seus preceitos. Na época do Cristo tem o sentido figurado com relação ao poderio romano. Ele diz que o seu jugo é suave porque somente Ele ( Jesus) é capaz de oferecer o lenitivo para as dores e sofrimentos.

Porque Jugo Leve?...

Se atendermos aos desígnios do alto a nosso respeito, não dificultaremos a nossa situação atual. Porque,  conhecedores das leis divinas não faremos aos outros aquilo que não queremos para nós, porque sofremos as consequências dos nossos atos. Porque sabemos que a vida não se resume somente à vida na matéria, e, tão pouco a essa atual como única, e então vemos com outros olhos tudo o que acontece  se, fruto das nossas ações ou não. O conhecimento da vida futura torna o fardo mais leve quando percebemos que temos que aceitar os sofrimentos com resignação, porque estaremos olhando do ponto de vista espiritual que é muito mais amplo. Analogamente falando é o olhar de alguém que está no alto de um monte comparado ao olhar daquele que está no pé da montanha. Aquele que está no alto tem uma visão mais ampla, já, aquele que esta em baixo, tem uma visão bem restrita.

 

CONSOLADOR PROMETIDO

CONSOLADOR NO LATIM = COSOLATOREM

SIGNIFICA = aliviar ou suavizar a aflição de alguém que esteja em sofrimento ou padecimento

CONSOLADOR NO GREGO = PARACLETUM, é aquele que foi chamado para estar ao lado de alguém que sofra para  consolar exortar.

Em um livro da religião judaica diz que os justos, os sábios e os profetas são paracletos e, que, eles têm a função de interceder pela humanidade junto a Deus.

No livro Nosso Lar, André Luiz, percebe que não poderia ficar na colônia depois da análise do seu passado. Mas, sua mãe que está em um plano superior intercede para que ele fique em Nosso Lar (colônia de tratamento espiritual).

Se me amais, guardai meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o ESPÌRITO DE VERDADE, a quem o mundo não pode receber, porque não vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, por que ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o consolador, que é o ESPÌRITO SANTO, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar,  de tudo o que vos tenho dito. ( João, XIV: 15 a 17;26).

Nesta passagem Jesus nos dá a informação de que o consolador seria o Espírito Santo que iria ficar conosco. Não seria um homem, ou, uma individualidade, o Espírito de Verdade a quem o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece. O Espírito Santo aqui, é designado como a falange de 70 espíritos de luz, diretamente ligados a Jesus responsáveis por esses ensinamentos que se assina como Espírito de Verdade. Que escreve no prefácio do evangelho segundo o espiritismo.

Ler Prefácio

Jesus disse: Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos enviará outro consolador para que fique eternamente convosco, o ESPIRITO DE VERDADE.

A doutrina espírita nos diz que a dor tem por objetivo nos fazer entender que se seguimos as Leis Divinas evitaremos maiores sofrimentos. Nos mostra o sofrimento como crises salutares que nos levam a cura de nossos males. São purificações que nos levam a felicidade nas existências futuras nos fazendo aceitar que todo sofrimento é merecido e justo.

E dessa forma podemos assegurar que o espiritismo é o consolador prometido, pois que nos esclarece sobre os nossos sofrimentos e comprometimentos e nos consola porque  nos faz entender e aceitar a justiça e o merecimento de nosso sofrer como consequência de nossas atitudes.

E assim aprendemos com essa doutrina consoladora que a causa de nossos sofrimentos reside exatamente em nossas imperfeições morais e em nossas limitações.

E quando fazemos isso estamos sendo verdadeiros espíritas e verdadeiros cristãos.

Allan Kardec diz: reconhece-se o verdadeiro espírita pelo esforço que faz constantemente para combater as suas más tendências.

Essa é a bandeira da nossa doutrina, porque faz cumprir a promessa de Jesus de nos consolar e fazer lembrar os Seus ensinamentos.

Aqui no Evangelho Segundo o Espiritismo nos temos um código moral universal, sem distinção de culto. Mas atentem bem para “Código Universal”, porque não é só para quem vive neste mundo, mas para todos os mundos habitados do Universo.

Na parte da instrução dos Espíritos, o ESPIRITO DE VERDADE NOS DIZ: “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; Instrui-vos, eis o segundo”. Todas as verdades se encontram no cristianismo; são de origem humana os erros que nela se enraizaram.

Jesus deixou-nos muitos exemplos e muitos ensinamentos que foram anotados pelos apóstolos depois de seu desencarne como um legado de evolução moral a iluminar todos aqueles que o seguem, porque edificam e constroem com sua fé a mais pura moral evangélica, que nos resgata das sombras espirituais onde estávamos mergulhados há bem pouco tempo.

O Mestre amado nos disse que ainda não podíamos entender suas mensagens porque não tínhamos maturidade espiritual, e, por isso falava-nos por parábolas. Mas que, pediria ao Pai e Ele enviaria outro consolador que se incumbiria de nos lembrar, o que Ele Jesus havia nos ensinado e que nos revelaria novos conhecimentos. Desta forma vale lembrar que para o nosso aprimoramento espiritual não basta apenas sabermos esse conteúdo, mas, é imprescindível que vivenciemos os ensinamentos de Jesus.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Em tarefa espírita


                Reunião pública de 5/2/60

                                     Questão nº 30

Abraçando na Doutrina Espírita o clima da própria fé, lembra-te de Jesus, à frente do povo a que se propunha servir.
Não se localiza o Divino Mestre em tribuna garantida por assessores plenamente identificados com os seus princípios.
Ele é alguém que caminha diante da multidão.
Chama açoitada pela ventania das circunstâncias adversas...
Árvore sublime batida pelas varas da exigência incessante...
Ninguém o vê rodeado de colaboradores completos, mas de problemas a resolver.
E, renteando com os doentes e aflitos que lhe solicitam apoio, todas as personalidades que lhe cruzam a senda representam atitudes diversas, reclamando-lhe paciência.
João Batista duvida.
Natanael questiona.
Nicodemos indaga.
Zaqueu observa.
Caifás conspira.
Judas deserta.
Pedro nega.
Pilatos finge.
Ântipas escarnece.
Tomé desconfia.
Apesar de tudo, Ele passa, sozinho e imperturbável, como sendo o amor não-amado, ensinando e ajudando sempre.
Assim também, na instituição em que transitas, encontrarás em quase todos os companheiros oportunidades de aprender ou de auxiliar.
A cada passo, encontrarás os que te pedem amparo...
Os que te rogam alívio...
Os que te suplicam consolo...
Os que esperam entendimento...
Não te faltarão, contudo, igualmente, os que te desafiam a calma...
Os que te zombem dos ideais...
Os que te complicam as horas...
Os que te criam dificuldades...
Os que te ferem o coração...
Entretanto, se conheces o caminho exato, é preciso ajudes aos que se transviam; se te equilibras, é preciso socorras os que se perturbam; se te manténs firme, é preciso sustentar os que caem, e, se já entesouraste leve migalha de luz, é preciso auxilies os que se debatem nas trevas.
Desse modo, não te faças distraído quanto à orientação que nos é comum, porquanto o espírita verdadeiro, diante do mal, é invariavelmente chamado a fazer o bem.

Livro: Seara dos Médiuns
Psicografia de Chico Xavier/ Emmanuel

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A Fé Que Transporta Montanhas

Kardec define a fé religiosa como condição da fé inabalável no EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Cap. XIX – ITEM 6, como sendo a crença nos dogmas que constituem diferentes religiões, e todas as religiões têm seus artigos de fé. E sob esse aspecto a fé pode ser cega ou raciocinada. A fé cega é  aquela que não examina nada, nem contesta, aceita sem controle o falso como verdadeiro, evita discutir em termos racionais porque é contra a evidência da razão. E quando levada ao excesso produz o fanatismo. Por isso Hermínio de Miranda diz que o fanático é aquele que tem fé mas não sabe amar.  E, mais tarde quando vêm as contradições, surgem então os incrédulos , os céticos, os ateus, os depressivos, os suicidas, etc....
 Enquanto a fé cega crê em dogmas, que são coisas que não se explicam; a fé raciocinada crê em postulados.
E quais são os postulados da Doutrina dos Espíritos?

1º Deus
2º A imortalidade da alma

3º A comunicabilidade com os espíritos com o plano físico

4º A Reencarnação ou Pluralidade das existências
5º A pluralidade dos mundos habitados; fazendo-nos entender que podemos reencarnar em mundos mais adiantados quando tivermos merecimento, e de acordo com a nossa vibração, e nesse particular depende única  e exclusivamente de nós mesmos, ou seja, ninguém tem privilégios para isso.

Não adianta pedir para Deus para nos reencarnarmos em Júpter, por que é um mundo mais adiantado que a Terra, como está lá questão 188 do Livro dos Espíritos, porque se não tivernos méritos para isso não vai acontecer.
Os postulados da Doutrina dos Espíritos nos ensinam que é só através do conhecimento e do melhoramento íntimo que vamos crescendo espiritualmente e moralmente. Esses são os 5 pilares que sustentam a Doutrina Espírita. É em cima desses postulados que nós acreditamos e temos fé, porque sabemos  que são verdades e muito bem esclarecidas por àqueles que daqui partiram e voltaram depois em Espírito para nos falar das verdades do além túmulo.
Então: ambos são artigos de fé com a diferença que, o dogma não se explica, a pessoa crê porque seu pai, sua mãe, sua avó acreditava ( crendices), e postulado é a fé raciocinada porque Allan Kardec já dizia que  fé inabalável é àquela capaz de enfrentar face a face a razão em qualquer época da humanidade.
É a fé alicerçada em bases lógicas e palpáveis da doutrina espírita, ou seja, temos fé porque sabemos o que é aquilo que acreditamos. Ao passo, que, se perguntarmos para pessoas de vários outros seguimentos religiosos, como todo o respeito que lhes devemos; porque você acredita em tal coisa, ou santa, ou tal dogma? A maioria responderá assim:
_ ah! Desde que me conheço por gente foi assim, eu cresci assim nessa crença e, é assim.
E quantos de nós antes de conhecermos a doutrina espírita respondemos isso também.... Essa resposta é uma resposta cômoda, eu não sei, nem quero saber, não faço questão, deixa pra lá.

E nós espíritas já podemos dizer que Kardec nos deixou seus postulados na ordem que nós conhecemos:
- O livro Dos Espíritos

- O Livro dos Médiuns
- O Evangelho Segundo O Espiritismo

- O Céu E Inferno
- A Gênese

- O Que É O Espiritismo que muitos espíritas não valorizam muito, ou, não conhecem, mas que, é muito agradável para lermos.
- Obras Póstumas que foi publicado 20 anos após a morte de Kardec.

E mais a coleção da REVISTA ESPÍRITA e, é ai nesse compêndio de obras que temos a explicação para os postulados espíritas que invariavelmente nos leva a fé raciocinada, e, que comprova a reencarnação como lei biológica.
Alguns cientistas já trabalham a imortalidade da alma através das comunicações mediúnicas, e da reencarnação através de vários documentários que há a nossa disposição na internet, livros, portais seguros como: A REDE AMIGO ESPÍRITA, O PORTAL DO ESPÍRITO, O PORTAL SER, ETC..., SEM FALAR NA TV MUNDO MAIOR E TV CEI.

A PSIQUIATRIA E A PSICOLOGIA JÁ ESTUDAM ALGUNS COMPORTAMENTOS E TRAUMAS QUE SÓ TEM EXPLICAÇÃO ATRAVÉS DE PROCESSOS de regressão á vidas passadas.
O Espírito André Luiz já dizia que seus livros seriam estudados nas universidades antes que pudéssemos imaginar e, já sabemos de teses que estão sendo defendidas em mestrados e doutorados de ensinamentos que ele nos traz em Evolução Em Dois Mundos. Kardec nos dizia que se a ciência em algum momento desmentisse a doutrina, que largássemos a doutrina e fossemos com a ciência, mas, o que vemos atualmente é o contrario. A ciência comprovando o que o espiritismo postulou a muito tempo atrás.
- O alicerce da fé inabalável é o raciocínio lógico
- As condições da fé inabalável é crença na causa e efeito de todas as nossas dores e sofrimentos.
- Plantar o bem para colher o bem = amor incondicional
- Reforma íntima
- Aprender e evoluir
- Jesus nos deu a oportunidade de estarmos encarnados aqui, nesse momento importante de transição.

Dessa forma, resgatar é refazer com amor o que fizemos de errado no passado.
Crença + entendimento = confiança = fé raciocinada, porque quando eu entendo, eu confio e, quando eu confio eu sei.

No Livro O Consolador  na pergunta 354- pergunta-se:
 354 – Poderse-á definir o que é ter fé?
– Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade.
Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer “eu creio”, mas afirmar “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento. Essa fé não pode estagnar em nenhuma circunstância da vida e sabe trabalhar sempre, intensificando a amplitude de sua iluminação, pela dor ou pela responsabilidade, pelo esforço e pelo dever cumprido.
Traduzindo a certeza na assistência de Deus, ela exprime a confiança que sabe enfrentar todas as lutas e problemas, com a luz divina no coração, e significa a humildade redentora que edifica no íntimo do Espírito a disposição sincera do discípulo, relativamente ao “façase”, no escravo a vontade do Senhor”.

E HUMBERTO DE CAMPOS CONFIRMA EMMANUEL NO PREFACIO DO LIVRO BOA NOVA.
A confiança que vem da crença e do entendimento e, isso nos fará mais calmos, mais pacientes quando as coisas não acontecerem como nós achamos que deveriam acontecer, nos faz parar e refletir e esperar com paciência. Nesse ponto já estaremos mais amadurecidos no entendimento dos postulados da doutrina espírita. Com isso seremos mais humildes porque entendemos que podemos alcançar através de nossos próprios esforços a nossa elevação na nossa fé raciocinada.

Se reconhecermos nossas potencialidades e as nossas limitações já estamos avançando no rumo da humildade. Por que se eu sei das minhas potencialidades eu saberei até onde eu posso ir. Se eu sei das minhas limitações eu não vou me meter a fazer uma coisa que eu não darei conta de fazer.
Isso nos traz autoconfiança, nós passamos a confiar mais em nós mesmos. O que é diferente de ser presunçoso, ser presunçoso é se achar melhor que o outro.
Presunção – filha do orgulho e do egoísmo. As maiores chagas da humanidade e o maior obstáculo à sua evolução.




quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ramatis, Pietro Ubaldi, Roustaing e Edgar armond


Ramatis, Pietro Ubaldi, Roustaing e Edgar Armond
há muito tempo estão na berlinda e seus críticos já dissecaram suas obras de cabo a rabo. Considerei que o que já foi dito bastasse para o público compreender os equívocos que esses escritores cometeram em relação à Doutrina Espírita. Todavia numa roda de amigos, em que falávamos sobre Espiritismo veio à baila esses personagens e fiz rápida explanação sobre as trajetórias deles pelo movimento espírita brasileiro. E qual não foi a minha surpresa quando um companheiro, com boa bagagem de conhecimento doutrinário me disse: "Agora, sim, estou entendendo certas críticas referentes a essas figuras. Creio que o grosso do movimento espírita fica um tanto confuso diante das críticas que se fazem a eles porque não os conhecem de uma maneira mais global. Por que você não escreve sobre esse assunto?".
- Não escrevo, porque não me acho capaz de fazer um trabalho melhor do que aquilo que já está na praça! Foi o que eu disse ao meu interlocutor, procurando eximir- me de tão difícil tarefa. E ele me deu o cheque mate:
- Escreva o que você acabou de nos dizer que basta!'

Prometi-lhe refletir melhor sobre a sugestão. Dias após. Conclui que a sugestão tinha sua razão de ser e me propus a passar para o papel o seguinte:


RAMATIS

é um Espírito que há muito se infiltrou no movimento espírita brasileiro com a cumplicidade do médium paranaense Hercílio Maes. Juntos, Espírito e médium escreveram várias obras, que deixam muito a desejar quanto a pureza doutrinária. Eis algumas delas: "Fisiologia da Alma", "O Evangelho à luz do Cosmo", "Elucidações do Além", "Magia de Redenção", "Mediunismo", "Mediunidade de Cura", "Missão do Espiritismo" e outras. Não se pode negar que Ramatis é bastante inteligente e muito sagaz e, portanto sabe disfarçar seu desconhecimento doutrinário, ou incoerência consciente doutrinária. Logo ganhou adeptos fervorosos e seus livros invadiram o nosso meio. Suas obras não só apresentam senões doutrinários, mas também fortes pitadas de orientalismo, verdadeiros enxertos inconvenientes à Doutrina Espírita. Mas sendo sagaz como é não deixa de expressar aqui e ali pensamentos razoáveis, com pretensão estudada de confundir o público leigo. Desde sua estréia no movimento espírita nacional a crítica o tem sob sua mira, mas a coisa ficou feia mesmo foi quando veio a lume "Vida no Planeta Marte", em que ele foi longe demais e desvelou suas fantasias. A crítica especializada desceu-lhe o porrete, mas nessa altura esse Espírito já tinha feito escola por aqui e até hoje há espíritas (ou melhor, pretensos espíritas) que se arrepiam ante qualquer análise desfavorável à obra ramatisiana. No meu conceito Ramatis é espiritualista, mas não espírita.


PIETRO UBALDI

Nasceu na Itália e acabou, graças a alguns mecenas, radicando- se no Brasil. Desenvolveu sua mediunidade à margem dos ditames espíritas. Não sei se ele chegou a estudar as obras kardeceanas, se chegou não deve tê-las aceitado integralmente. Kardec nunca lhe foi um paradigma. Ele sempre quis voar mais alto. Tinha idéias próprias e não iria submeter-se à Codificação Espírita. Mas como o brasileiro é um eterno louvador do que vem de fora, Ubaldi em pouco tempo fez aqui grandes amigos espíritas, alguns destes até muito importantes dentro do nosso meio, o que lhe facilitou o seu percurso no Brasil. Certa vez, em Pedro Leopoldo, MG chegou mesmo a sentar-se ao lado de Chico Xavier para psicografar uma mensagem. Sua linguagem mediúnica, porém, nunca teve a simplicidade e a claridade que vemos na linguagem xaveriana. Ficou por aí apresentando seus ensaios filosóficos que nada tinham com o Espiritismo autêntico. Sua preocupação, na verdade, sempre foi a de criar um movimento próprio: o ubaldismo. Teve ímpeto de explicar a essência de Deus. Veja só até onde pode chegar um homem incensato. Seu livro de maior alcance foi "A Grande Síntese". O movimento espírita brasileiro se deslumbrou diante dessa obra. Mas muitos que a leram não a entenderam, apenas louvaram, pois é muito mais fácil louvar do que confessar ignorância. Depois disso, que eu saiba, não saiu mais nada de fôlego de seu lápis que ganhasse a mesma notoriedade de "A Grande Síntese". Mas ele só caiu mesmo na malha dos críticos mais exigentes quando se revelou adepto do monismo (o que é isso? O Aurélio é quem explica: monismo é Doutrina Filosófica, segundo a qual o conjunto das coisas pode ser reduzido à unidade, quer do ponto de vista de sua substância, quer do ponto de vista das leis lógicas ou físicas, pelas quais o universo se ordena. (O monismo poderá ser materialista ou espiritualista, lógico e físico). Escorando-se nessa tendência Ubaldi criou uma teoria própria que corre paralela ao Espiritismo que nada tem a ver com este. Ao meu ver Pietro Ubaldi foi um espiritualista, mas não espírita.


J. B. ROUSTAING

Foi destacado advogado da Corte Imperial de Bordeaux, na França. A vaidade doentia estava à flor de sua pele. Após ler "O Livro dos Espíritos" e "O Livro dos Médiuns", ambos de Allan Kardec, meteu em sua cabeça que com o auxílio dos Espíritos Superiores que poderia fazer uma obra superior àquelas duas. Note-se que em matéria espírita ele era calouro. Mesmo assim, não demorara a evocar entidades espirituais para efetivar seu sonho: superar Allan Kardec. Ele procurou a médium Emille Collignon, também uma novata na lide da mediunidade e com sua cumplicidade evocou o Espírito João Batista. Imagine! Logo o precursor de Jesus. Claro, Roustang não poderia deixar por menos. Se Kardec se relacionava com o Espírito da Verdade, ele pelo menos tinha que ter à disposição um João Batista. Mas como Espírito não carrega Carteira de Identidade, o vaidoso advogado foi ludibriado, conforme atesta sua obra "Os Quatro Evangelhos", Atrás do falso João Batista vieram Moisés e os evangelistas João, Lucas, Marcos e Mateus. Supostamente foram essas figuras do cristianismo nascente que passaram no século XVIII a citada obra a Roustaing, via Collignon. A obra, além de mistificadora traz um subtítulo que é verdadeiro afronta à Doutrina Espírita: "Revelação da Revelação". É muita pretensão, pois essa obra não suporta uma simples análise à luz do Espiritismo e não é espírita, pois nem Roustaing, nem a médium, muito menos os espíritos que a escreveram eram espíritas, quando muito eram espiritualistas. Se a primeira condição de uma obra espírita é ter o "imprimatum" da universalidade, "Os Quatro Evangelhos" é refutado aí, pois foi recebido apenas por uma médium. Quando essa obra chegou às mãos de Allan Kardec, ele elegantemente a refutou, insinuando que era uma obra prolixa, pois disse que em vez de três volumes, o que ali está escrito poderia ter sido enfeixado em dois e até mesmo num volume e o leitor ganharia com este enxugamento. Mais tarde, Kardec ainda lembrou-se dela dizendo que houve precipitação em trazer a lume certos assuntos como o corpo fluídico de Jesus e prometeu desenvolver esse tema com maior profundidade. O que de fato o fez em “A Gênese”. E disse que o tempo se encarregaria de aprovar ou não a obra de Roustaing. Na França, ela não teve qualquer sucesso. Vindo para o Brasil, porém, encontrou aqui os diretores da FEB, da época, receptivos e generosos. Logo a FEB, que se intitula representante mor do Espiritismo no Brasil introduziu no movimento espírita brasileiro essa obra que representa por razões óbvias o 1º Cisma do Movimento Espírita. Não só a introduziu, como ao longo dos anos vem lhe dando guarida em detrimento à Codificação Espírita. A obra em questão é espiritualista e a FEB diz ser espírita. Não é um contra-senso? E ainda para a nossa reflexão, faço aqui uma pergunta que já fiz alhures. Se essa obra foi publicada quando ainda o Espiritismo estava para ser concluído, pois Allan Kardec ainda não havia publicado "A Gênese", com que fechou a Codificação da Doutrina Espírita, por que os espíritos que a ditaram à médium Collignon não a ditaram para o Codificador? Será que esses espíritos já haviam pulado da barca de Jesus? Isto, no mínimo, é muito suspeito! É bom que se diga que no passado muitos espíritas de renome se diziam roustainguistas. Mas assim que leram a obra de Roustaing calaram-se ou tornaram-se os seus maiores críticos. E alguns até mesmo depois de desencarnados jamais falaram um "o" a favor dela, a não ser dentro da FEB. Será que isso não diz nada?


EDGAR ARMOUND

(O Comandante Edgar Armound, como era chamado). Oficial da Força Pública do Estado de São Paulo, hoje denominada Polícia Militar, chegou à Fededação Espírita do Estado de São Paulo em 1939. Nessa época a FEESP dava seus primeiros passos já que foi fundada em 1936. Homem inteligente e de palavra fácil, o Comandante Edgar Armound foi pouco a pouco conquistando o seu espaço dentro da Instituição Federativa. Lembremos que naquele tempo a literatura espírita era escassa. Existiam os livros da Codificação e, além deles um ou outro livrinho de produção independente. A promissora obra de Francisco Cândido Xavier, o nosso Chico Xavier, estava ainda nos seus primeiros degraus. Armound logo constatou isso e começou a escrever uns livrinhos mais simples, próprios para os iniciantes à Doutrina Espírita. Eu diria que a inspiração dos cursos de Espiritismo que até hoje estão em pleno vigor na FEESP nasceu das páginas desses livrinhos do Armound. Cursos esses que estão em todos os quadrantes do movimento espírita brasileiro e quiçá do exterior. O Comandante Armound chegou, então, à Diretoria da FEESP. E como Secretário Geral organizou a "Escola de Médiuns" e a "Escola de Aprendizes do Evangelho". Hoje estas escolas acolhem mais de cinco mil alunos. E criou também o passe padronizado que tem causado muita polêmica, porque é um ritual muito distante da prática espontânea, intuitiva que fora exemplificada por Jesus.
Sua bibliografia compõe-se de 25 obras. As que fizeram mais sucesso foram "Passes e Irradiações" e "Os Exilados de Capela". Foi ele também que trouxe para o nosso meio a "Cromoterapia", que nada tem a ver com a Doutrina Espírita, mas que hoje está espalhada graças um opúsculo escrito por ele e publicado pela Editora Aliança. Devemos a ele também essa enxertia.
Em maio de 1944, o Comandante Armound fundou o jornal "O Semeador", órgão doutrinário da FEESP. Apoiado por um grupo de amigos fundou ainda a Instituição Espírita "O Lar do Amor Cristão", em São Paulo e foi um dos signatários da Ata de Fundação da USE - União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Além da Cromoterapia e do passe padronizado que ainda hoje causam discussões no meio espírita e certamente serão questionados pelas gerações espíritas do futuro, devo ainda mencionar que suas obras estão carregadas de conceitos orientalistas, pois ele foi um grande estudioso das principais religiões orientais. Termos como chacras, carma e outros de origem oriental foram enxertados por ele no movimento espírita brasileiro.  “Ramatis, Pietro Ubaldi, Roustaing e Edgar Armond há muito tempo estão na berlinda e seus críticos já dissecaram suas obras de cabo a rabo. Considerei que o que já foi dito  bastasse para o público compreender os equívocos que esses escritores cometeram em relação à Doutrina Espírita”.  Há ainda em suas obras um legado místico muito forte que tomou o movimento espírita brasileiro de assalto. Não bastasse o bolor igrejeiro do roustainguismo, o misticismo e o orientalismo do Comandante Armound que também trouxeram prejuízos sérios ao movimento espírita brasileiro.
Alegando problemas de saúde, Edgar Armound deixou a FEESP em 1966. E o estrago armoundista no movimento espírita brasileiro iria se completar com a criação, por ele próprio, da Aliança Espírita Evangélica que nasceu com vocação um tanto velada, a princípio, federacionista e tornou-se em pouco tempo em nosso Estado de São Paulo, concorrente da USE e da FEESP. A Aliança Espírita Evangélica é fortemente mística e orientalista e os centros "espíritas" capitaneados por ela são todos místicos e orientalistas, o que traz ao Espiritismo um dano imensurável. Tudo isso é uma pena, pois a herança do Comandante Armound poderia ter sido bem melhor. Essa minha análise, ainda que superficial, me autoriza a considerá-lo também, espiritualista, mas não espírita.
 (Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 365 de Junho de 2001)

Com o devido respeito às outras linhas de pensamentos instaladas dentro do Espiritismo, prefiro os Postulados de Kardec, que não deixam margem à nenhuma suspeita nem distorções dogmáticas advindas dos equívocos causados pelos seguidores "desorientados" de tais autores.