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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

E humilhaste meus sonhos de mulher e de menina,que eu pusera nos astros em meio às melodias estelares!

                                                                                     
                                                                                                                           Minha Luz




Eu era, dor, a alma rubra e

inquieta, a pomba predileta do prazer, da ilusão e da alegria...
Meu coração, alegre cotovia,
saudava alvoroçado o segredo da noite e a luz clara do dia.
Quando chegaste de mansinho,
pisando sutilmente o meu
caminho...


E eu te enxerguei, despreocupada,
em meu engano, em minha fantasia:
Primeiramente,
foste, austera e inclemente,
a um dos belos tesouros que eu possuía
E mo roubaste para sempre...
Em fúria iconoclasta,
como o simum que arrasta
as cidades repletas de tesouros
Confundindo-as no pó,
foste aos meus ídolos mais caros,
destruindo-os sem dó.
Prosseguiste, ó divina estatuária,
na tua obra silente e solitária,
e quebraste
minhas cítaras de ouro,
meus mármores de Parós,
meus cofres de alabastros,
minhas bonecas de biscuí,
minhas estatuetas singulares...
E humilhaste
meus sonhos de mulher e de menina,
que eu pusera nos astros
em meio às melodias estelares!
Mas, desde que chegaste,
foste a sombra divina
que acompanhou meus passos ao sepulcro...
Tudo sofri,
ó dor, por te querer,
porque depois que vieste
qual pássaro celeste
para abrir rosas de sangue no meu peito,
encheste a minha vida
de um estupendo prazer, quase perfeito!
Aos poucos me ensinaste a abandonar
meus prazeres fictícios,
trocando-os pela luz dos sacrifícios!
Por tudo eu te bendigo, ó dor depuradora,
porque representaste em meu destino,
de alma sofredora,
o fanal peregrino
que me guiou constantemente
através das estradas espinhosas
para as manhãs radiosas
da Luz Resplandecente...
Sê, pois, bendita, ó dor linda e gloriosa,
pois da volúpia estranha dos teus braços,
vim pelas mãos da morte complacente
para a vida sublime dos Espaços!...
Cármen Cinira
(De “Parnaso de Além-Túmulo – Francisco Cândido Xavier – Diversos Espíritos)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Semelhava-se a pequenas esferas ovóides, cada uma das quais pouco maior que um crânio humano.

Parasitismo Espiritual
    Em nos despojando dos fluidos mais grosseiros, através da morte física, à proporção que nos elevamos em compreensão e competência, transformamo-nos em auxiliares diretos das criaturas. Apesar disso, porém, o cipoal da ignorância é ainda muito espesso. E o vampirismo mantém considerável expressão, porque, se o Pai é sumamente misericordioso, é também infinitamente justo. Ninguém lhe confundirá os desígnios, e a morte do corpo quase sempre surpreende a alma em terrível condição parasitária. Desse modo, a promiscuidade entre os encarnados indiferentes à Lei Divina e os desencarnados que a ela têm sido indiferentes, é muito grande na crosta da Terra.  Absolutamente sem preparo e tendo vivido muito mais de sensações animalizadas que de sentimentos e pensamentos puros, as criaturas humanas, além do túmulo, em muitíssimos casos prosseguem imantadas aos ambientes domésticos que lhes alimentavam o campo emocional. Dolorosa ignorância prende-lhes os corações, repletos de particularismos, encarceradas no magnetismo terrestre, enganando a si próprias e fortificando suas antigas ilusões.
       Aos espíritos infelizes que caíram em semelhante condição de parasitismo, as larvas servem de alimento habitual.
Semelhantes larvas são portadoras de vigoroso magnetismo animal.
Naturalmente que a fauna microbiana, em análise, não será servida em pratos; bastará ao desencarnado agarrar-se aos companheiros de ignorância, ainda encarnados, qual erva daninha aos galhos das árvores, e sugar-lhes a substância vital.
[Missionários da Luz - página 37,...]

     Estágio de degradação a que chegam certos espíritos sofredores-obsessores. O espírito, ligado ao obsediado, de maneira intrínseca no seu afã de prejudicar, adquire uma forma ovóide assemelhando-se á um ovo de consistência indefinida que se "cola" no corpo de seu alvo destorcendo-lhe pensamentos, opiniões e agindo incessantemente para lhe proporcionar toda sorte de infortúnios. A ligação de um obsessor ao obsediado no nível de ovóide, apesar de não muito frequente, acontece mais do que se imagina. Ela ocorre quando há uma ligação cármica de dois espíritos em um nível avançadíssimo. Sob vidência, um indivíduo sofrendo a ação de um ovóide aparece com uma "massa" humana colada ao corpo, geralmente nas costas ou na região do abdome. Um ovóide, além da obsessão psicológica propriamente dita, age, drenando as forças do obsidiado a nível de levá-lo á morte. No trabalho de desobsessão se faz possível subtrair um ovóide de uma pessoa, apesar da grande dificuldade e das inúmeras sessões a serem realizadas, mas há casos de fracasso ao término de anos de sessões. O que mostra o nível de ligação entre perseguidor e perseguido.      

“PARASITAS OVÓIDES”

Inúmeros infelizes, obstinados na ideia de fazerem justiça pelas próprias mãos ou confiados a vicioso apego, quando desafivelados do carro físico, envolvem sutilmente aqueles que se lhes fazem objeto da calculada atenção e, auto-hipnotizados por imagens de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação monoideística, fora das noções de espaço e tempo, acusando, passo a passo, enormes transformações na morfologia do veículo espiritual, porquanto, de órgãos psicossomáticos retraídos, por falta de função, assemelham-se a ovóides, vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhes aceitam, mecanicamente, a influenciação, à face dos ... pensamentos de remorso ou arrependimento tardio,  ódio voraz ou egoísmo exigente que alimentam no próprio cérebro, através de ondas mentais incessantes.  
      Nessas condições, o obsessor ou parasita espiritual pode ser comparado, de certo modo, à Sacculina carcini (parasita que se hospeda no carangueijo), que, provida de órgãos perfeitamente diferenciados na fase de vida livre, enraíza-se, depois, nos tecidos do crustáceo hospedador, perdendo as características morfológicas primitivas, para converter-se em massa celular parasitária.
      No tocante à criatura humana, o obsessor passa a viver no clima pessoal da vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas, situação essa que, em muitos casos, se prolonga para além da morte física do hospedeiro, conforme a natureza e a extensão dos compromissos morais entre credor e devedor. 
[Evolução em Dois Mundos- página 115,...]
      Existem parasitas ovóides vampirizando desencarnados, nos processos degradantes da obsessão vindicativa, nos círculos inferiores da Terra, sendo comuns semelhantes quadros, sempre dolorosos e comoventes pela ignorância e paixão que os provocam.
[Evolução em Dois Mundos página 214]
      Reparei, não longe de nós, como que ligadas às personalidades sob nosso exame, certas formas indecisas, obscuras. Semelhava-se a pequenas esferas ovóides, cada uma das quais pouco maior que um crânio humano. Variavam profusamente nas particularidades.
Algumas denunciavam movimento próprio, ao jeito de grandes amebas, respirando naquele clima espiritual; outras, contudo, pareciam em repouso, aparentemente inertes, ligadas ao halo vital das personalidades em movimento.
      Grande número de entidades transportavam essas esferas vivas, como que imantadas às irradiações que lhes eram próprias.
      Nunca havia observado, antes, tal fenômeno.
      Em nossa colônia de residência, no plano espiritual, ainda mesmo em se tratando de criaturas perturbadas e sofredoras, o campo de emanações era sempre normal. E quando em serviço, ao lado de almas em desequilíbrio, na Esfera da Crosta, nunca vira aquela irregularidade, pelo menos quanto me fora, até ali, permitido observar.
[Libertação - páginas 84] - André Luiz
       Compreendendo-se que a maioria das criaturas, em semelhante posição nos sítios inferiores quanto este, dormitam em estranhos pesadelos. Registram-nos os apelos, mas respondem-nos, de modo vago, dentro da nova forma em que se segregam, incapazes que são, provisoriamente, de se exteriorizarem de maneira completa, sem os veículos mais densos que perderam, com agravo de responsabilidade, na inércia ou na prática do mal. Em verdade, agora se categorizam em conta de fetos ou amebas mentais, mobilizáveis, contudo, por entidades perversas ou rebeladas. O caminho de semelhantes companheiros é a reencarnação na Crosta da Terra ou em setores outros de vida congênere, qual ocorre à semente destinada à cova escura para trabalhos de produção, seleção e aprimoramento. Claro que os Espíritos em evolução natural não assinalam fenômenos dolorosos em qualquer período de transição, como o que examinamos. A ovelha que prossegue, firme, na senda justa, contará sempre com os benefícios decorrentes das diretrizes do pastor; no entanto, as que se desviam, fugindo à jornada razoável, pelo simples gosto de se entregarem à aventura, nem sempre encontrarão surpresas agradáveis ou construtivas.
[Libertação - páginas 88] - André Luiz
     ...Meu assombro foi muito mais longe, quando concentrei todo o meu potencial de atenção na cabeça da jovem singularmente abatida. Interpenetrando a matéria espessa da cabeceira em que descansava, surgiam algumas dezenas de “corpos ovóides”, de vários tamanhos e de cor plúmbea, assemelhando-se a grandes sementes vivas, atadas ao cérebro da paciente através de fios sutilíssimos, cuidadosamente dispostos na medula alongada.
    ...Evidentemente, as “formas ovóides” haviam sido trazidas pelos hipnotizadores que senhoreavam o quadro.
      ...A vampirização era incessante. As energias usuais do corpo pareciam transportadas às “formas ovóides”, que se alimentavam delas, automaticamente, num movimento indefinível de sucção.
     ...Dominadas as vias do equilíbrio no cerebelo e envolvidos os nervos óticos pela influência dos hipnotizadores, seus olhos espantados davam ideia dos fenômenos alucinatórios que lhe acometiam a mente, deixando perceber o baixo teor das visões e audições interiores a que se via submetida.
[Libertação - páginas 114] - André Luiz


Parasitismo e Reencarnação
                Nas ocorrências dessa ordem, quando a decomposição da vestimenta carnal não basta para consumar o resgate preciso, vítima e verdugo se equiparam na mesma gama de sentimentos e pensamentos, caindo, além-túmulo, em dolorosos painéis infernais, até que a Misericórdia Divina, por seus agentes vigilantes, após estudo minucioso dos crimes cometidos, pesando atenuantes e agravantes, promove a reencarnação daquele Espírito que, em primeiro lugar, mereça tal recurso.
             E, executado o projeto de retomo do beneficiário, a regressar do Plano Espiritual para o Plano Terrestre, sofre a mulher, indicada por seus débitos à gravidez respectiva, o assédio de forças obscuras que, em muitas ocasiões, se lhe implantam no vaso genésico por simbiontes que influenciam o feto em gestação, estabelecendo-se, desde essa hora inicial da nova existência, ligações fluídicas através dos tecidos do corpo em formação, pelas quais a entidade reencarnante, a partir da infância, continua enlaçada ao companheiro ou aos companheiros menos felizes, que integram com ela toda uma equipe de atinas culpadas em reajuste.
             Desenvolve-se lhe, então, a meninice, cresce, reinstrui-se e retoma à juvenilidade das energias físicas, padecendo, porém, a influência constante dos assediantes, até que, frequentemente por intermédio de uniões conjugais, em que a provação emoldura o amor, ou em circunstâncias difíceis do destino, lhes ofereça novo corpo na Terra, para que, como filhos de seu sangue e de seu coração, Lhes devolva em moeda de renúncia os bens que lhes deve, desde o passado próximo ou remoto.
            Em tais fatos, vamos anotar situações quase idênticas às que são provocadas pelos parasitas heteroxênicos, porquanto, se os adversários do Espírito reencarnado são em maior número, atuam, muitos deles, à feição dos tripanossomas, tomando os filhos de suas vítimas e afins deles próprios, por hospedeiros intermediários das formas-pensamentos deploráveis que arremessam de si, alcançando em segui­da, a mente dos pais ou hospedeiros definitivos, a inocular-lhes perigosos fluidos sutis, com que lhes infernizam as almas, muitas vezes até à ocasião da própria morte.
[Evolução em Dois Mundos - página 117]

Vísceras dos animais
             A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.
             Temos de considerar, porém, a máquina econômica do interesse e da harmonia coletiva, na qual tantos operários fabricam o seu pão cotidiano. Suas peças não podem ser destruídas de um dia para o outro, sem perigos graves. Consolemo-nos com a visão do porvir, sendo justo trabalharmos, dedicadamente, pelo advento dos tempos novos em que os homens terrestres poderão dispensar da alimentação os despojos sangrentos de seus irmãos inferiores.
[O Consolador - página 82]
           Nossas mesas não se mantinham à custa das vísceras dos touros e das aves?
A pretexto de buscar recursos proteicos, exterminávamos frangos e carneiros, leitões e cabritos incontáveis. 
Sugávamos os tecidos musculares, roíamos os ossos. 
Não contentes em matar os pobres seres que nos pediam roteiros de progresso e valores educativos, para melhor atenderem a Obra do Pai, dilatávamos os requintes da exploração milenária e infligíamos a muitos deles determinadas moléstias para que nos servissem ao paladar, com a máxima eficiência. 
O suíno comum era localizado por nós, em regime de ceva, e o pobre animal, muita vez à custa de resíduos, devia criar para nosso uso certas reservas de gordura, até que se prostrasse, de todo, ao peso de banhas doentias e abundantes. 
           Colocávamos gansos nas engordadeiras para que hipertrofiassem o fígado, de modo a obtermos pastas substanciosas destinadas a quitutes que ticaram famosos, despreocupados das faltas cometidas com a suposta vantagem de enriquecer os valores culinários. 
             Em nada nos doía o quadro comovente das vacas-mães, em direção ao matadouro, para que nossas panelas transpirassem agradavelmente. 
            Encarecíamos, com toda a responsabilidade da Ciência, a necessidade de proteínas e gorduras diversas, mas esquecíamos de que a nossa inteligência, tão fértil na descoberta de comodidade e conforto, teria recursos de encontrar novos elementos e meios de incentivar os suprimentos proteicos ao organismo, sem recorrer às indústrias da morte. Esquecíamo-nos de que o aumento dos laticínios, para enriquecimento da alimentação, constitui elevada tarefa, porque tempos virão, para a Humanidade terrestre, em que o estábulo, como o lar, será também sagrada.  
A ideia de que muita gente na Terra vive à mercê de vampiros invisíveis é francamente desagradável e inquietante.
E a proteção das esferas mais altas? 
O amparo das entidades angélicas? 
A amorosa defesa de nossos superiores?
Devemos afirmar a verdade, embora contra nós mesmos. Em todos os setores da Criação, Deus, nosso Pai, colocou os superiores e os inferiores para o trabalho de evolução, através da colaboração e do amor, da administração e da obediência.
           Atrever-nos-íamos a declarar, porventura, que fomos bons para os seres que nos eram inferiores? 
Não lhes devastávamos a vida, personificando diabólicas figuras em seus caminhos? 
         Claro que não desejamos criar um princípio de falsa proteção aos irracionais, obrigados, como nós outros, a cooperar com a melhor parte de suas forças e possibilidades no engrandecimento e na harmonia da vida, nem sugerimos a perigosa conservação dos elementos reconhecidamente daninhos. Todavia, devemos esclarecer que, no capítulo da indiferença para com a sorte dos animais, da qual participamos no quadro das atividades humanas, nenhum de nós poderia, em sã consciência, atirar a primeira pedra. Os seres inferiores e necessitados do Planeta não nos encaram como superiores generosos e inteligentes, mas como verdugos cruéis. Confiam na tempestade furiosa que perturba as forças da Natureza, mas fogem desesperados, à aproximação do homem de qualquer condição, excetuando-se os animais domésticos que, por confiar em nossas palavras e atitudes, aceitam o cutelo no matadouro, quase sempre com lágrimas de aflição, incapazes de discernir com o raciocínio embrionário onde começa a nossa perversidade e onde termina a nossa compreensão. 
Se não protegemos nem educamos aqueles que o Pai nos confiou, como gérmens frágeis de racionalidade nos pesados vasos do instinto; se abusamos largamente de sua incapacidade de defesa e conservação, como exigir o amparo de superiores benevolentes e sábios, cujas instruções mais simples são para nós difíceis de suportar, pela nossa lastimável condição de infratores da lei de auxílios mútuos?
                O embriologista, contemplando o feto humano em seus primeiros dias, a distância do veículo natural, não poderá afirmar, com certeza, se tem sob os olhos o gérmen de um homem ou de um cavalo. 
O médico legista encontra dificuldades para determinar se a mancha de sangue encontrada eventualmente provém de um homem, dum cão ou dum macaco. 
O animal possui igualmente o seu sistema endocrínico, suas reservas de hormônios, seus processos particulares de reprodução em cada espécie e, por isso mesmo, tem sido auxiliar precioso e fiel da Ciência na descoberta dos mais eficientes serviços de cura das moléstias humanas, colaborando ativamente na defesa da Civilização. 
Entretanto, os problemas são nossos, não nos cabe condenar a ninguém. Abandonando as faixas de nosso primitivismo, devemos acordar a própria consciência para a responsabilidade coletiva. A missão do superior é a de amparar o inferior e educá-lo. E os nossos abusos para com a Natureza estão cristalizados em todos os países, há muitos séculos. Não podemos renovar os sistemas econômicos dos povos, dum momento para outro, nem substituir os hábitos arraigados e viciosos de alimentação imprópria, de maneira repentina.  Refletem eles, igualmente, nossos erros multimilenários. Mas, na qualidade de filhos endividados para com Deus e a Natureza, devemos prosseguir no trabalho educativo, acordando os companheiros encarnados, mais experientes e esclarecidos, para a nova era em que os homens cultivarão o solo da Terra por amor e utilizar-se-ão dos animais, com espírito de respeito, educação e entendimento.
 Semelhante realização é de importância essencial na vida humana, porque, sem amor para com os nossos inferiores, não podemos aguardar a proteção dos superiores; sem respeito para com os outros, não devemos esperar o respeito alheio. Se temos sido vampiros insaciáveis dos seres frágeis que nos cercam, entre as formas terrenas, abusando de nosso poder racional ante a fraqueza da inteligência deles, não é demais que, por força da animalidade que conserva desveladamente, venha a cair a maioria das criaturas em situações enfermiças pelo vampirismo das entidades que lhes são afins, na esfera invisível.
Algo de novo despertava-me o ser. Era o espírito de veneração por todas as coisas, o reconhecimento efetivo do Paternal Poder do Senhor do Universo.
[Missionários da Luz - págna 38]







sexta-feira, 11 de novembro de 2011

“E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.”.

O ARADO  

 “E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.”.

(LUCAS, CAPÍTULO 9, VERSÍCULO 62.)

Aqui, vemos Jesus utilizar na edificação do Reino Divino um dos mais belos símbolos.

Efetivamente, se desejasse o Mestre criaria outras imagens. Poderia reportar-se às leis do mundo, aos deveres sociais, aos textos da profecia, mas prefere fixar o ensinamento em bases mais simples.

O arado é aparelho de todos os tempos. É pesado, demanda esforço de colaboração entre o homem e a máquina, provoca suor e cuidado e, sobretudo, fere a terra para que produza. Constrói o berço das sementeiras e, à sua passagem, o terreno cede para que a chuva, o sol e os adubos sejam convenientemente aproveitados.

É necessário, pois, que o discípulo sincero tome lições com o Divino Cultivador, abraçando-se ao arado da responsabilidade, na luta edificante, sem dele retirar as mãos, de modo a evitar prejuízos graves à “terra de si mesmo”.

Meditemos nas oportunidades perdidas, nas chuvas de misericórdia que caíram sobre nós e que se foram sem qualquer aproveitamento para nosso espírito, no sol de amor que nos vem vivificando há muitos milênios, nos adubos preciosos que temos recusado, por preferirmos a ociosidade e a indiferença.

Examinemos tudo isto e reflitamos no símbolo de Jesus. Um arado promete serviço, disciplina, aflição e cansaço; no entanto, não se deve esquecer que, depois dele, chegam semeaduras e colheitas, pães no prato e celeiros guarnecidos.

 Emmanuel.
Livro Vinha de Luz

"Segue-me e deixa aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos." - Jesus. (MATEUS, 8:22.)

No livro Fonte Viva de Emmanuel diz isto:
  Acorda e Ajuda
"Segue-me e deixa aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos." - Jesus. (MATEUS, 8:22.)
Jesus não recomendou ao aprendiz deixasse "aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres", e sim conferisse "aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos".
Há, em verdade, grande diferença.
O cadáver é carne sem vida, enquanto que um morto é alguém que se ausenta da vida.
Há muita gente que perambula nas sombras da morte sem morrer.
Trânsfugas da evolução cerram-se entre as paredes da própria mente, cristalizados no egoísmo ou na vaidade, negando-se a partilhar a experiência comum.
Mergulham-se em sepulcros de ouro, de vício, de amargura e ilusão. Se vitimados pela tentação da riqueza, moram em túmulos de cifrões; se derrotados pelos hábitos perniciosos, encarceram-se em grades de sombra; se prostrados pelo desalento, dormem no pranto da bancarrota moral, e, se atormentados pelas mentiras com que envolvem a si mesmos,  
Aprende a participar da luta coletiva.
Sai cada dia, de ti mesmo, e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias de teu irmão e ajuda quanto possas.
Não te galvanizes na esfera do próprio "eu".
Desperta e vive com todos, por todos e para todos, porque ninguém respira tão-somente para si. Em qualquer parte do Universo, somos usufrutuários do esforço e do sacrifício de milhões de existências.
Cedamos algo de nós mesmos, em favor dos outros, pelo muito que os outros fazem por nós.
Recordemos desse modo, o ensinamento do Cristo.
Se encontrares algum cadáver, dá-lhe a bênção da sepultura, na relação das tuas obras de caridade, mas, em se tratando da jornada espiritual, deixa sempre "aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos".
 Emmanuel

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Assim criou um grande afeto, pelo jovem que se importava em alimentá-lo, mesmo com migalhas.

Amor que Renuncia à Própria Vida

O Rouxinol e a Rosa  

 
Era uma vez, um Rouxinol que vivia em um jardim.
No jardim havia uma casa, cuja janela se abria todas as manhãs. Na janela, um jovem, comia pão, olhando as belezas do jardim. Sempre deixava cair farelos de pão, sobre a janela. O Rouxinol comia os farelos, acreditando que o jovem os deixava de propósito para ele.
Assim criou um grande afeto, pelo jovem que se importava em alimentá-lo, mesmo com migalhas.
O jovem um dia se apaixonou. Ao se declarar a sua amada, ela disse que só aceitaria seu amor, se como prova, ele desse a ela, na manhã seguinte, uma rosa vermelha. O jovem percorreu todas as floriculturas da cidade, sua busca foi em vão, não encontrou nenhuma rosa vermelha para ofertar a sua amada.
Triste, desolado, o jovem foi falar com o jardineiro da casa onde vivia. O jardineiro explicou a ele, que poderia presenteá-la com Petúnias, Violetas, Cravos, menos Rosas. Elas estavam fora de época, era impossível consegui-las, naquela estação.
O Rouxinol, que escutara a conversa, ficou penalizado pela desolação do jovem, teria que fazer algo para ajudar seu amigo, a conseguir a flor.
Assim, a ave procurou o Deus dos pássaros que assim falou:
- Na verdade, você pode conseguir uma Rosa Vermelha para teu amigo, mas o sacrifício é grande, e pode custar-lhe a vida!
- Não importa respondeu a ave. O que devo fazer?
- Bem, você terá que se emaranhar em uma roseira, e ali cantar a noite toda, sem parar, o esforço é muito grande, seu peito pode não agüentar.
- Assim farei, respondeu a ave, é para a felicidade de um amigo!
Quando escureceu, o Rouxinol, se emaranhou em meio a uma roseira, que ficava frente a janela do jovem.
Ali, se pôs a cantar, seu canto mais alegre, precisava caprichar na formação da flor.
Um grande espinho começou a entrar no peito do Rouxinol, quanto mais ele cantava, mais o espinho entrava em seu peito.
O rouxinol não parou, continuou seu canto, pela felicidade de um amigo, um canto que simbolizava gratidão, amizade. Um canto de doação, mesmo que fosse da própria vida!
Do peito da pobre ave, começou a escorrer sangue, que foi se acumulando sobre o galho da roseira, mas ela não se deteve nem se entristeceu.
Pela manhã, ao abrir a janela, o jovem se deteve diante da mais linda Rosa vermelha, formada pelo sangue da ave, nem questionou o milagre, apenas colheu a Rosa.
Ao olhar o corpo inerte da pobre ave, o jovem disse:
- Que ave estúpida! Tendo tantas árvores para cantar, foi se enfiar justamente em meio a roseira que tem espinhos...
Cada um dá o que tem no coração,
Cada um recebe com o coração que tem.
 Interpretação
 Quem já sofreu a dor da ingratidão, gerada pela falta de reconhecimento e pelo descaso, entende a mensagem dramática desse texto. Doar-se até morrer; morrer de tanto amar é doar-se e ser desprezado.
 É muito triste, mas, infelizmente,...
Cada um dá o que tem no coração...
E cada um recebe com o coração que tem...
Fábula: morrer de amor, por amor...
Realidade: até onde vai a doação? A entrega?
Mito: eu tenho o poder da sua felicidade em minhas mãos...
Aprendizagem: amor incondicional!
Medo: da morte.
Coragem:  doação.
Pergunta: onde está o amor próprio do rouxinol?
A ilusão gera amor?
O jovem era egoísta?
Será que o jovem é mesmo ingrato?
É possível ver o rouxinol como um ser abnegado, amoroso e desapegado, que dá seu amor e afeto incondicional; em contrapartida, dá para vê-lo também, como alguém iludido, encantado com a possibilidade ingênua de fazer o outro feliz, como se isso dependesse da sua vontade. Tornou-se, assim, vítima do próprio desejo  para salvar o outro.
Alguma outra forma de ver?
As fábulas em geral têm muito a ver com certos momentos vivenciados por algumas pessoas, mas, com o conhecimento que adquirimos (estudiosos do Espiritismo) sabemos que, apesar de haver tantas injustiças e ingratidão não existem inocentes. Que através da lei de ação e reação, causa e efeito, resgatamos débitos adquiridos em nossas existências passadas que temos de saldá-los um dia. De forma que, desenvolvemos virtudes e passamos a cultivar valores que se tornam perenes e imutáveis por estarmos amparados pelas leis divinas que regem o universo todo. Esses valores são pautados em verdades que também são perenes e não transitórias como algumas pessoas equivocadamente pensam. As verdades e virtudes serão sempre perenes e imutáveis, onde quer que estejamos.
Quanto a nossa doação ou entrega total a alguns fatos, dependerá da nossa capacidade de amar mais ou menos. Isso não nos tira o mérito de sermos amigos incondicionais, ou pais, ou companheiros de existência. O fato é, que isso não nos dá o direito de fazê-los felizes ou não. Por que isso depende da caminhada de cada um. Eu não deterei em minhas mãos esse poder, por este depender exclusivamente de cada ser e dos seus méritos. Se o outro quer ou não a nossa ajuda.
Quanto à humildade ou orgulho que os nossos irmãos tenham, ou a ilusão de achar que alguém se tornará melhor pelo sentimento que nutrimos por este ou aquele, também dependerá do que esta pessoa tiver em seu coração, das virtudes que tiver adquirido com o passar de suas existências, e dos nossos méritos ou comprometimentos também poe ela adquiridos. Se desenvolvermos e cultivarmos mais virtudes que vícios, vamos saber administrar tudo o que vier, porque estaremos seguros em nossa fé, aquela que enfrenta a razão em qualquer época da humanidade, por crer exatamente no caráter de perenidade que Jesus deixou nos Seus ensinamentos e exemplos em sua estada aqui conosco.
Jesus já nos pedia mais fé e, a todo o momento nos alertava quanto às decepções que teríamos, justamente daqueles os quais nós nutríssemos mais amor. Talvez o jovem não fosse egoísta ou ingrato, ele apenas recebeu a dádiva com o que tinha em seu coração.
Mas há certa hora,  em que todos estarão irmanados pelo sentimento de amor incondicional e seguirão juntos rumo ao reino dos céus. Mas, a cada um conforme suas obras.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

PUBLIUS LENTULUS

sex, 20 de maio, 2005

No livro "Há 2.000 Anos", de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, podemos ver duas encarnações do próprio Emmanuel. A primeira como o cônsul Públio Lentulus Sura, um verdadeiro crápula, aliado político do temível Lúcio Catilina, e que tentou tomar o poder à força, foi descoberto e condenado à morte (leia mais no final do artigo). Após isso volta como seu próprio neto, com o mesmo nome (Públio Lentulus Cornélio), agora um senador incorruptível e austero, justamente com a missão de consertar as besteiras que fez no passado, SE consertando. Mas, como a natureza não dá saltos (e ninguém vira santo depois que morre) ele continua com um péssimo caráter espiritual. Foi nesta encarnação que ele encontrou Jesus, mas mesmo as palavras do Nazareno não conseguiram demovê-lo de seu orgulho e cegueira. Com o passar do tempo (e das bordoadas que leva nesta e em outras encarnações) é que ele vai depurando seu espírito, sempre com base na Lei do retorno.
Emmanuel não fala no livro, mas historicamente é quase certo foi ele que escreveu a descrição de Jesus ao Senado Romano, que chegou até nós de forma deturpada e em várias versões. O autor da carta é Publius Lentulus, e pode ser remontada ao tempo de Tertuliano (155-220). Este Pai da Igreja a menciona; dizem alguns que sobre a base de um transmitido oral. Faz parte do Ciclo de Pilatos, que descreve Jesus. Conta-se que o manuscrito foi encontrado em 1421 por Giacomo Colonna, num antigo arquivo romano; era uma correspondência enviada da Constantinopla para Roma, que foi traduzida do grego para o latim e sofreu alterações e revisões pela Cúria Romana. Tempos depois foi "atualizada" pelos humanistas do Renascimento, através da colagem de diversos fragmentos, de modo a compor textos narrativos.
A descrição da carta concorda com o Mandilion, com S. João Damasceno (último Pai da Igreja) e com Nicéforo Calixto.
Mesmo alterada com o passar do tempo, possui um fundo histórico cujo núcleo é autêntico, a saber: "homem de estatura mediana, usa barba, cabelo repartido ao meio, de cor castanha, nazareno, olhos claros, mãos longas, ensina que reis e escravos são iguais diante de Deus".
Pode-se achar o conteúdo da carta bastante elogioso pra o relato de um agitador judeu, mas temos de entender o contexto. Quando dizem que Jesus fazia milagres e curava pela palavra, isso, no contexto romano, era medonho e monstruoso. O Ciclo de Pilatos não precisa ser rejeitado automaticamente por causa de sua linguagem mitologizante  porque no tribunal romano a fábula seria prova de crime, a rigor nao há nada de essencialmente implausível no Ciclo de Pilatos em si, e sim no fato de que os documentos originais (meros artigos judiciais) teriam sido pesadamente manipulados para deixar a esfera de literatura judicial pura e simples e passar à literatura sapiencial e milagrosa.

Abaixo veremos 4 versões desta mesma Carta:
1ª versão:
  Existe nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente, de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, cada dia se ouvem  coisas maravilhosas desse Jesus; ressuscita os mortos, cura os enfermos; em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem  são forçados  a amá-lo ou a temê-lo. Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura, distendidos até às orelhas e das orelhas até às espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos Nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade. Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima, verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza; não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela...
De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um  tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos  judeus o tem como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua Majestade.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde.

2ª versão:
 Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, que vive atualmente, de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade; e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra, e de todas coisas que nela se acham ou, que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas deste Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, numa palavra, é um homem de justa estatura e muito belo no aspecto e, há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem  são forçados a temê-lo ou amá-lo. Tem os olhos da cor da amêndoa bem madura, são distendidos até a orelha e, da orelha até os ombros, são da cor da terra, porém, mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando o cabelo, na forma de uso entre os Nazarenos. O seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, [...] [muito parecido com sua mãe, que é de peregrina beleza, uma das belas mulheres da Palestina]
 A barba é espessa, semelhante ao cabelo, não muito longa, mas, separada pelo meio; seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros, [o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol...] [porém ninguém pode olhar fixamente o seu semblante porque, quando resplende, apavora, quando ameniza, chora; faz-se amar e é alegre com gravidade].
 Dizem que nunca ninguém o viu rir [em público], mas, antes, chorar. [...] Na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele nos aproximamos, verificamos que é muito modesto na presença e na pessoa. Se a majestade tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível. [...] [tenho sido grandemente molestado por estes judeus] Caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, mas, em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas regiões. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como divino, mas, outros me querelam, afirmando que é contra a lei da tua majestade [...] Dizem que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário: aqueles que o conhecem e que com ele têm praticado afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém, à tua obediência estou prontíssimo, aquilo que tua majestade ordenar será cumprido. Salve. Da tua majestade, fidelíssimo e obrigadíssimo. Publius Lentulus, presidente da Judéia. Indicção sétima, lua segunda.

3ª versão:
Lentulus, presidente de Jerusalém, ao Senado e ao povo romano, cumprimentos.
Apareceu em nossa época, e ainda vive,  um homem de grande poder, chamado Jesus Cristo. Os povos chamam-no profeta da verdade; seus alunos, filho de Deus. Levanta os mortos, e cura enfermidades. É um homem de estatura mediana (procerus, mediocris et spectabilis de statura); tem um aspecto venerável, e quem o olha, tem medo ou amor. Seu cabelo é da cor da amêndoa madura, reto às orelhas, mas abaixo das orelhas ondulados e cacheados, com um reflexo brilhante, caindo sobre seus ombros. É partido em dois no alto da cabeça, no uso dos nazarenos. Sua testa é lisa, rosto sem rugas, alongado. Seus nariz e boca sem falha. Barba abundante, da cor do cabelo, não longa, mas dividida no queixo. Seu aspecto é simples e digno, seus olhos refulgem. É terrível em suas reprimendas, doce e amigável em suas admoestações, gracioso sem perda da gravidade. É conhecido por nunca sorrir, mas chora frequentemente. Corpo bem proporcionado, mãos e braços bonitos. Sua conversação é sábia, infrequente [fala pouco], e modesta. É o mais bonito entre os filhos dos homens.

4ª versão:
Ultimamente apareceu na Judéia um homem de estranho poder, cujo verdadeiro nome é Jesus [Cristo], mas, a quem o povo chama "O Grande Profeta" e seus discípulos, "O Filho de Deus". Diariamente contam-se dele grandes prodígios: ressuscita os mortos, cura todas as enfermidades e traz assombrada toda Jerusalém com sua extraordinária doutrina. É um homem alto e de majestosa aparência [...]; cabelo da cor do vinho, desce ondulado sobre os ombros; dividido ao meio, ao estilo nazareno. [...] Barba abundante, da mesma cor do cabelo; [...] as mãos, finas e compridas; olhos claros, [plácidos e brilhantes]. É grave, comedido e sóbrio em seus discursos. Repreendendo e condenando, é terrível; instruindo e exortando, sua palavra é doce a acariciadora. Ninguém o viu rir, mas, muitos o viram chorar. Caminha com os pés descalços e a cabeça descoberta. Vendo-o à distância, há quem o despreze, porém, em sua presença não há quem não estremeça com profundo respeito. Quantos se acerquem dele, afirmam haver recebido enormes benefícios, mas há quem o acuse de ser um perigo para a tua majestade, porque afirma publicamente que os reis e escravos são iguais perante Deus.